Em Portugal, são diagnosticados anualmente cerca de 70 mil novos casos de cancro, dos quais mais de 6 mil correspondem ao pulmão (8,9% do total). O cancro do pulmão é um dos mais frequentes e uma das principais causas de morte por cancro.

O número de novos casos continua a aumentar, devido ao crescimento populacional, à maior eficácia dos rastreios e ao aumento da longevidade. Na Europa, a incidência tem diminuído nos homens, mas aumentado nas mulheres, refletindo a adoção mais recente de hábitos tabágicos. Uma nota positiva é a redução da mortalidade e o aumento da sobrevivência e qualidade de vida após o diagnóstico.
Este aumento da sobrevivência e qualidade de vida dos doentes, deve-se aos grandes avanços da medicina neste século, nomeadamente à prática de Medicina de Precisão. Este é o processo que permite adaptar o diagnóstico e tratamento às características biológicas e moleculares de cada doente. No caso particular do cancro de pulmão, a Medicina de Precisão revelou-se um dos maiores casos de sucesso da oncologia moderna, tendo sido um dos primeiros modelos de aplicação desta estratégia em tumores sólidos.


O papel do anatomopatologista revela-se crucial nesta doença, no diagnóstico primário rápido, preciso, objetivo e orientador dos testes reflexos de caracterização tumoral. A realização de exames complementares permite caracterizar detalhadamente o tumor, ao integrar biomarcadores por imunohistoquímica com a pesquisa de variantes genéticas no tecido tumoral. O objetivo é classificar o tumor pela sua histologia, pela expressão de biomarcadores imunohistoquímicos e pelo perfil molecular. Estas informações permitem antecipar a resposta aos diferentes tratamentos e escolher a opção mais adequada.
Nesta fase o geneticista molecular possui um papel fundamental na escolha das metodologias adequadas para detetar e interpretar as variantes genéticas presentes. O trabalho articulado destes profissionais é fundamental para garantir o diagnóstico preciso e permitir selecionar a terapêutica mais eficaz. A identificação destas variantes é prática recomendada de rotina pelas principais orientações internacionais, constituindo o pilar fundamental da Medicina de Precisão.
Variantes genéticas podem também ser identificadas através de uma análise ao sangue que deteta DNA ou RNA tumoral circulante. Este procedimento, designado biópsia líquida, permite analisar material proveniente do tumor e presente no sangue ou noutros fluidos biológicos, evitando a necessidade de recolher diretamente, por processos invasivos, uma amostra tumoral.
Há vários anos que a SYNLAB integra a estreita colaboração entre os diversos profissionais envolvidos, anatomopatologistas, geneticistas moleculares e grupos hospitalares multidisciplinares. Esta forma de trabalho em grupo, com disponibilização atempada de diversos testes moleculares no cancro de pulmão (em tecido ou em biópsia líquida), permitem à SYNLAB apoiar as decisões terapêuticas, de um modo mais rápido e informado.
Na SYNLAB a morfologia/histologia e a genómica caminham juntas para oferecer o tratamento certo, para o paciente certo, no momento certo.
Dr.ª Joanne Lopes, Dr. João Pedro Ramos e Dr.ª Natália Salgueiro
