: 31 de Julho, 2026 Redação:: Comentários: 0

O cancro do pulmão continua a ser o cancro que mais mata em Portugal e no mundo. Na maioria dos casos, é diagnosticado em fases avançadas, quando as possibilidades de cura são menores e os tratamentos mais complexos. Detetar mais cedo pode mudar significativamente o prognóstico.

Hoje, sabemos que podemos intervir na história natural da doença. Grandes estudos internacionais, como o NLST e o NELSON, demonstraram que, em pessoas de elevado risco, o rastreio com tomografia computorizada (TC) de baixa dose permite diagnosticar o cancro do pulmão em fases curáveis e reduzir a mortalidade por esta doença.
Em Portugal, não existe ainda um programa nacional de rastreio populacional organizado. Enquanto esse caminho não está implementado, é possível avançar através de programas estruturados de deteção precoce. Conceptualmente, a deteção precoce rege-se pelas mesmas recomendações internacionais quanto aos critérios de inclusão, aos requisitos da TC de baixa dose, a interpretação por radiologistas com experiência em nódulos pulmonares, o apoio de inteligência artificial e à orientação dos participantes. A diferença reside essencialmente na população abrangida e na forma de acesso a este tipo de programas.
Neste enquadramento, a Affidea desenvolveu, à semelhança de outros prestadores de cuidados de saúde,um percurso alinhado com a melhor evidência científica e as recomendações internacionais para disponibilizar um programa de deteção precoce do cancro do pulmão, sob coordenação de médico radiologista certificado pela European Society of Thoracic Imaging (ESTI). O objetivo é aproximar a população visada da oportunidade de beneficiar de uma estratégia coordenada, diferenciada e com acompanhamento continuado e personalizado.

A articulação multidisciplinar é condição essencial, incluindo Radiologia, Pneumologia, Cirurgia Torácica, Radioterapia, Oncologia e Medicina Geral e Familiar. A componente longitudinal é igualmente fundamental, assegurando a convocatória de cada pessoa no momento adequado para a sua avaliação.

Mas a chave não está apenas em detetar precocemente. A prevenção é decisiva. Sendo o tabagismo o principal fator de risco, a cessação tabágica é a medida mais eficaz de prevenção primária — e nunca é tarde para parar. Desta forma, o programa procura responder às necessidades de cada pessoa, podendo integrar apoio à cessação tabágica, aconselhamento nutricional e apoio motivacional para ultrapassar momentos de maior fragilidade.

Já ultrapassámos a fase de perceber se o rastreio com TC de baixa dose pode salvar vidas. O desafio é criar caminhos rigorosos para chegar mais cedo a quem pode beneficiar. A conjugação de evidência científica, conhecimento especializado, excelência clínica, multidisciplinaridade, tecnologia avançada, inteligência artificial e acompanhamento ao longo do tempo faz a diferença nos resultados que mais importam para as pessoas.

No cancro do pulmão, o tempo não é apenas tempo: pode ser prognóstico, possibilidade de cura e vida.

Rosana Santos, Radiologista, Ordem dos Médicos nº 42981