Com presença em mais de 60 mercados internacionais, a Ginger & Jagger tem vindo a afirmar o design português através de peças que cruzam criatividade contemporânea, artesanato e materiais naturais. Nesta entrevista, Paula Sousa, Fundadora e Diretora Criativa da marca, explica como a observação da Natureza orienta o processo criativo da empresa, reflete sobre a importância dos ofícios tradicionais e partilha a visão de futuro para uma marca que leva o saber-fazer português além-fronteiras.
A Ginger & Jagger tem uma identidade muito ligada à Natureza e ao design artístico. Como surgiu a ideia de criar a marca e qual era a visão inicial para o projeto?
A marca de design de mobiliário Ginger & Jagger nasceu em 2012 com a missão de afirmar o design português, valorizar os ofícios tradicionais e promover uma nova forma de valorizar a Natureza através do design. O nome da marca resulta de uma narrativa ficcional: Ginger representa a observação da Natureza e Jagger a sua interpretação através do design. Acreditamos que não existe melhor designer do que a Natureza. As suas formas, texturas e processos inspiram as nossas peças de mobiliário, iluminação e tapeçarias. Mais do que reproduzir elementos naturais, procuramos traduzir os seus princípios em objetos duráveis, capazes de criar uma ligação mais consciente entre as pessoas e o mundo natural. Essa visão ganha forma através de ofícios portugueses como a marcenaria, a escultura em pedra, a fundição e o trabalho artístico em metal.

A marca desenvolve peças de mobiliário, iluminação e decoração com um forte componente artesanal. Como definiria o ADN dos produtos da Ginger & Jagger e o que procura transmitir emocionalmente através de cada coleção?
O ADN da Ginger & Jagger resulta da transformação de elementos naturais em objetos de design com uma forte dimensão artística. Cada peça nasce de um processo de observação e interpretação conduzido pela direção criativa e pelos designers. Um ramo seco de medronheiro pode dar origem a uma peça em latão fundido; noutros objetos, são fenómenos como a erosão, a gravidade ou o movimento do ar que inspiram o desenho. Materiais como o latão, a pedra natural, os mármores e as madeiras permitem dar expressão física a estas referências. Cada criação procura evocar memória, emoção e uma ligação subtil à Natureza. Os materiais desempenham um papel essencial neste processo, conferindo forma, textura e autenticidade aos produtos.
Num setor cada vez mais atento às questões ambientais, que medidas concretas a Ginger & Jagger tem vindo a implementar em termos de sustentabilidade, escolha de materiais e valorização da produção artesanal local?
A nossa visão da sustentabilidade está profundamente ligada à durabilidade. Procuramos criar peças que atravessem gerações, tanto pela qualidade da sua construção como pela relevância do seu design. As matérias-primas que utilizamos são maioritariamente de origem europeia e toda a produção é realizada localmente. Trabalhamos com uma rede de artesãos e oficinas especializadas localizadas numa área geográfica próxima, o que favorece uma cadeia de produção mais curta e um acompanhamento rigoroso de todas as etapas do processo. A componente artesanal permite-nos privilegiar uma produção cuidada, realizada à escala humana e orientada para a qualidade em detrimento da produção massificada. Ao mesmo tempo, contribui para a preservação de conhecimentos e técnicas tradicionais que constituem uma parte importante do património cultural português.

A Ginger & Jagger conseguiu expandir-se para vários mercados internacionais ao longo dos anos. Quais foram os principais desafios desse processo de internacionalização e como imagina o futuro da marca nos próximos anos?
A internacionalização da Ginger & Jagger resultou do reconhecimento gradual da marca em diferentes mercados. À medida que participámos em eventos e certames internacionais, desenvolvemos parcerias e apresentámos a marca a novos públicos, percebemos que a nossa linguagem estética e os nossos valores encontravam ressonância em contextos culturais distintos. Hoje estamos presentes em mais de 60 mercados. O principal desafio tem sido crescer sem perder aquilo que nos define: uma identidade criativa muito própria e uma produção assente no saber-fazer artesanal. À medida que a marca evolui, procuramos garantir que a expansão internacional e o desenvolvimento de novos designs acontecem sem comprometer a qualidade, a autenticidade e a atenção ao detalhe que caracterizam a Ginger & Jagger. O futuro passa por consolidar a presença internacional da Ginger & Jagger e continuar a afirmar Portugal como um país capaz de criar marcas de design com identidade própria, onde a criatividade contemporânea se cruza com o património cultural, os ofícios tradicionais e o saber-fazer que fazem parte da nossa herança Portuguesa e europeia.
