A ALF – Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting, representante do Financiamento Especializado em Portugal, reuniu no dia 20 de maio, no Auditório Morais Leitão, em Lisboa, 130 participantes entre líderes bancários, representantes de associações empresariais, especialistas em mobilidade e membros do governo, no Encontro Nacional 2026. Sob o mote “Investir no Futuro: Leasing, Factoring e Renting”, o evento debateu os desafios da geopolítica global, a competitividade das empresas portuguesas e as transformações em curso na mobilidade, reafirmando o papel estruturante do financiamento especializado na economia nacional.
A sessão de abertura contou com as intervenções de Luís Augusto, Presidente da ALF, e de Paulo Portas, ex-Vice-Primeiro-Ministro e ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa. Luís Augusto destacou os resultados do setor em 2025, que confirmam o papel estrutural do financiamento especializado na economia portuguesa: o Factoring atingiu um novo máximo histórico com 51,5 mil milhões de euros em créditos tomados, um crescimento de 12,7% e um valor equivalente a mais de 20% do PIB nacional; o Leasing financiou investimentos no valor de 3,2 mil milhões de euros, com o segmento mobiliário a crescer 4%; e o Renting registou 42 332 novas viaturas ligeiras contratadas (+9,6%), com uma frota total gerida de 146 160 viaturas, das quais mais de 27 mil com emissões nulas – 1 em cada 5 veículos elétricos vendidos em Portugal foram adquiridos pelas empresas de Renting. Na sua intervenção, Paulo Portas, enquadrou o momento atual à luz dos conflitos políticos em curso e da crescente fragmentação geopolítica global, sublinhando que a instabilidade internacional reforça a necessidade de as economias europeias aprofundarem a sua coesão e capacidade de resposta.
O primeiro painel, dedicado à competitividade das empresas e ao papel do financiamento especializado, reuniu administradores dos principais bancos portugueses: Ana Rosas Oliveira, Administradora do Banco BPI, Ana Carvalho, Administradora da Caixa Geral de Depósitos, João Nuno Palma, Vice-Presidente da Comissão Executiva do Millennium BCP, Isabel Silva, Administradora do Banco Montepio e Amílcar Lourenço, Administrador do Banco Santander, numa discussão moderada por Margarida Torres Gama, Partner da Morais Leitão. O painel sublinhou que o leasing, o factoring e o renting são produtos em contínua evolução, cada vez mais sofisticados e personalizados, e que a sua integração nas plataformas tecnológicas das empresas é determinante para que sejam um elemento facilitador e de incremento operacional. Foi também reforçada a ideia de que crescer não implica necessariamente aumentar o endividamento já que estes instrumentos permitem libertar e otimizar capital, com maior previsibilidade e disciplina na gestão. Num contexto geopolítico incerto, os participantes apelaram a que o setor não congele: pelo contrário, deve apoiar as empresas a continuarem a investir e a inovar. A perspetiva de longo prazo passa por integrar cada vez mais estas soluções nas operações das empresas, acompanhando a transição digital e climática que, até 2030, exigirá mobilizar volumes significativos de capital, um desafio que o financiamento especializado está particularmente bem posicionado para continuar a apoiar.
O segundo painel, moderado por Eduardo Maia Cadete, também Partner da Morais Leitão, centrou-se no investimento estratégico e na internacionalização das empresas portuguesas. Berta Dias da Cunha, Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, defendeu que a aposta no mercado ibérico não é incompatível com a internacionalização mais ampla, argumentando que Portugal e Espanha, atuando em conjunto, constroem um bloco regional com maior relevância europeia e global. Gustavo Paulo Duarte, Presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, alertou para as barreiras estruturais ao desenvolvimento do tecido empresarial português, desde a falta de profissionalização das PME às dificuldades nos processos burocráticos, mais demorados e complexos do que em Espanha. António Ramalho, Presidente da Lisboa Feiras, Congressos e Eventos, e com um longo percurso no setor financeiro em Portugal,sublinhou a necessidade do país apostar em empresas de maior dimensão, numa base energética competitiva assente em renováveis, e em clusters de vantagem competitiva, com destaque para os setores da energia, telecomunicações e infraestruturas digitais, onde o país ocupa uma posição privilegiada a nível europeu.
O terceiro painel abordou “A Mobilidade do Futuro”, com moderação de Rui Gidro, Partner da Deloitte. Helder Pedro, Secretário-Geral da ACAP, recordou que Portugal é um dos principais exportadores automóveis europeus e alertou para os desafios da descarbonização até 2030, com riscos de multas elevadas caso as metas não sejam cumpridas, num contexto de cadeia de valor crescentemente dominada pela China. Gonçalo Castelo Branco, Head of E-mobility da EDP, destacou que a mobilidade elétrica é uma das vias mais eficientes para descarbonizar um setor responsável por 25% das emissões de carbono, sublinhando a racionalidade económica da eletrificação ao longo de todo o ciclo de vida do veículo. Identificou o carregamento doméstico de viaturas corporativas como um dos principais desafios operacionais para as empresas, pela dificuldade em medir e reembolsar consumos aos colaboradores. Luís Magalhães, Diretor de Frotas da Stellantis Portugal, destacou o investimento significativo da indústria na eletrificação – com mais de 300 modelos elétricos lançados no último ano – e alertou para a densidade da regulamentação europeia, nomeadamente as indefinições em torno da classificação dos veículos híbridos plug-in nas metas de frotas verdes.
A sessão de encerramento esteve a cargo de Gonçalo Saraiva Matias, Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, que defendeu a modernização do Estado e simplificação administrativa, como formas de assegurar a sustentabilidade económica nacional, reter e atrair talento e dinamizar o investimento.
O Encontro Nacional ficou também marcado pela segunda edição dos Prémios do Financiamento Especializado ALF, que distinguem as instituições com maior volume de produção e de crescimento nos diferentes produtos, tendo sido atribuídos 11 prémios, incluindo o de liderança na mobilidade elétrica. Este ano, foram ainda atribuídas 6 menções honrosas nas categorias de ‘Futuro Sustentável’ e de ‘Inovação com Impacto’.
O Encontro Nacional da ALF reafirma a convicção de que o Leasing, o Factoring e o Renting constituem instrumentos decisivos para a modernização da economia portuguesa, apoiando empresas na gestão de ativos, na internacionalização e na transição para modelos de mobilidade mais eficientes e sustentáveis.
