A resiliência é uma necessidade que tendemos a reconhecer mais claramente em tempos de crise. Hoje, a Europa enfrenta um desses momentos. A guerra regressou ao nosso continente, enquanto as tensões geopolíticas fora das nossas fronteiras continuam a perturbar as cadeias de abastecimento e a afetar o nosso quotidiano. Estes desenvolvimentos evidenciam uma realidade fundamental: salvaguardar os nossos padrões económicos, sociais e culturais exige uma maior autossuficiência em recursos essenciais.
Neste contexto, a reciclagem já não é apenas uma necessidade ambiental: é um imperativo estratégico para a resiliência da Europa. Todos os anos, a União Europeia gera mais de 2 233 milhões de toneladas de resíduos. Por detrás deste número está uma infraestrutura essencial que protege a saúde pública, apoia a indústria e mantém os materiais em circulação.
Representando mais de 3 000 empresas e 500 000 trabalhadores, a indústria europeia da gestão de resíduos é simultaneamente um serviço público e um sistema industrial estratégico que transforma resíduos em matérias-primas secundárias valiosas. É também um setor que veio para ficar. Mais de 90% dos resíduos são tratados a nível interno, sublinhando o seu papel no reforço da autonomia e da estabilidade económica da Europa.
Atualmente, 48% dos resíduos urbanos são reciclados, mas a circularidade continua muito abaixo do seu potencial, com apenas 12,2% dos materiais utilizados na UE provenientes de fontes recicladas. Esta lacuna representa uma oportunidade perdida para a Europa reforçar a sua resiliência e reduzir a dependência de matérias-primas importadas, dependências que, em tempos de crise, podem tornar-se vulnerabilidades críticas. A indústria da reciclagem faz parte da solução. Ao aumentar a recuperação de materiais a partir de resíduos e ao minimizar os resíduos não recicláveis, podemos garantir um fornecimento de recursos mais estável e sustentável. A reciclagem é uma das ferramentas mais tangíveis disponíveis para preservar recursos e construir uma economia mais resiliente. Ao reconhecer a gestão de resíduos como um pilar do seu futuro, a Europa pode transformar os resíduos num ativo estratégico e garantir sustentabilidade e competitividade a longo prazo. O setor continuará a investir, inovar e a servir cidadãos e indústria.
Herwart Wilms, Presidente da FEAD, European Waste Management Association

