Rita Sousa, Presidente do Conselho Pedagógico da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho, sublinha uma formação que vai além da sala de aula e se aproxima dos desafios reais.
Para começar, poderia apresentar a Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho e destacar os principais eixos da sua oferta formativa?
A EEG é uma escola da UMinho onde Economia, Gestão e Ciência Política convivem por escolha institucional deliberada. Com 8 licenciaturas, 16 mestrados e 5 doutoramentos, esta configuração rara serve a missão exigente de formar pessoas capazes de compreender o mundo antes de nele decidir.
O que distingue a EEG no panorama do ensino superior português?
O que nos distingue é a junção entre rigor e contexto. Estamos num território industrial, socialmente exigente, e acolhemos uma maioria expressiva de estudantes de primeira geração; por isso, a escola não fala apenas de mérito abstrato, mas trabalha desenvolvimento, instituições e oportunidades a partir da realidade atual.
Como têm incorporado a inovação pedagógica e tecnológica nas experiências de aprendizagem?
Inovamos menos por efeito de moda do que por necessidade intelectual. Aprendizagem ativa, formatos híbridos, dados, IA, e projetos aplicados entram no ensino como instrumentos de pensamento, discernimento e decisão, e não como adereços tecnológicos.
A diversificação da oferta formativa e a crescente interdisciplinaridade são hoje tendências relevantes. Como têm respondido a essa evolução?
Na EEG a interdisciplinaridade é estrutural. As duplas licenciaturas e outros percursos que cruzam economia, gestão e ciência política são a sua expressão mais recente e formam perfis menos previsíveis e mais completos: profissionais capazes de compreender números, organizações e processos de decisão coletiva como partes do mesmo problema.
Que importância atribui à investigação científica, às acreditações e ao reconhecimento externo na consolidação do prestígio da EEG?
A reputação científica da EEG constrói-se na investigação. O CICP, distinguido com a classificação de Excelente e com uma posição ímpar na ciência política em Portugal, assim como o NIPE e o IBMS, dão à escola consistência científica e alcance institucional. Em complemento, as acreditações obrigam-nos a medir a ambição por padrões muito exigentes, e não pela facilidade da auto-celebração.
De que modo a EEG tem reforçado a sua relação com empresas, instituições públicas e outras organizações, promovendo uma formação mais próxima dos desafios do mundo real?
A Escola reforça essa ligação sobretudo através da UMinhoExec, que aproxima empresas, instituições e escola num modelo de co-criação. As organizações participam no desenho da formação, ajudando a definir conteúdos, competências e resultados a partir de problemas concretos.
Como avalia a capacidade da EEG para preparar os estudantes para contextos profissionais cada vez mais exigentes, internacionais e em rápida transformação?
Preparar para um mundo instável exige mais do que empregabilidade imediata. Significa desenvolver comunicação, pensamento crítico, literacia analítica, experiência internacional e contacto real com problemas; em muitos casos, significa também abrir possibilidades novas onde antes elas não existiam. O EEGenerating Human Skills, EEG DataPro e EEGlobal Mind, obrigatórios para os estudantes, são exemplos dessa capacidade.
A ligação entre conhecimento académico e impacto económico e social tem vindo a ganhar centralidade. Como vê o papel da EEG nesse processo?
O papel da escola é transformar conhecimento em capacidade pública e privada de decisão. Esse impacto mede-se, e hoje medimo-lo de forma cada vez mais consciente, em diplomados, em investigação aplicada, em pareceres, em líderes mais bem preparados e numa presença cívica que não termina no campus.
Olhando para o futuro, que visão tem para a evolução da Escola?
No horizonte, vejo uma escola mais nítida e mais aberta: ibérica na ambição, internacional na relevância, fiel à sua raiz pública. Queremos consolidar a UMinhoExec, continuar o percurso de acreditações que sustenta a ambição de Triple Crown, e crescer em exigência, reputação e impacto.

