Em entrevista à Mais Magazine, António Maio, Presidente da Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo (CEMAH), analisa os 130 anos da instituição e destaca a sua relevância para a Região Autónoma dos Açores.

A CEMAH completa este ano o seu 130.º aniversário. Qual o balanço que faz do percurso da instituição e quais têm sido os principais marcos da sua evolução?
Este percurso de 130 anos revela uma CEMAH resiliente e capaz de se adaptar a contextos económicos, sociais e regulatórios bastante exigentes, sem perder a sua matriz de apoio à economia social e comunidade em geral.
Desde a sua fundação em 1896, na sequência do impulso dado por Afonso de Castro, a CEMAH teve como missão central apoiar a obra assistencial da SCMAH, posicionando-se como instrumento financeiro ao serviço da solidariedade. Esse propósito original continua a marcar a sua identidade.
Alcançar 130 anos é inegavelmente um feito, sobretudo quando consideramos os tempos desafiantes pelos quais a CEMAH Instituição já passou. Ao longo das décadas, a instituição enfrentou diferentes desafios —mudanças no setor bancário; aumento das exigências regulatórias e um contexto económico muito mais competitivo.
Apesar da sua dimensão, a CEMAH teve de acompanhar padrões semelhantes aos dos grandes bancos, o que implicou investimento na qualificação das suas equipas e na modernização da sua estrutura organizativa.
Entre os principais marcos da sua evolução, destaco:
• Progressiva expansão geográfica: a presença alargada a 6 ilhas dos Açores reforçou a proximidade com diferentes comunidades, consolidando o seu papel regional.
• Transformação em Sociedade Anónima, em 2018: uma mudança estrutural relevante, alinhada com as exigências prudenciais do setor bancário, reforçando a solidez institucional e a proteção do capital.
• Fusão por incorporação da CEP: um passo estratégico que marcou a entrada no território continental, com abertura de balcão no Porto e que resultou também na existência de uma nova entidade acionista, para além da SCMAH, A Beneficência Familiar.
Em síntese, o balanço dos 130 anos é claramente positivo: a CEMAH conseguiu crescer, modernizar-se e expandir-se, mantendo sempre a sua vocação social. O seu percurso demonstra uma capacidade consistente de adaptação e inovação, fatores essenciais para garantir a continuidade e relevância da instituição no futuro.
Para quem ainda não conhece a CEMAH, como descreveria a missão da instituição e quais são os principais serviços financeiros que disponibiliza aos seus clientes?
A CEMAH teve na sua génese o propósito de apoiar e cofinanciar a ação social da SCMAH e, mais de 130 anos depois, essa continua a ser a sua principal missão, hoje também extensível à sua segunda acionista, a ABF. Esta vertente social materializa-se, na sua forma mais imediata, na distribuição de dividendos às entidades acionistas, mas está igualmente presente na forma como a Instituição atua no seu dia a dia.
Procuramos garantir um acesso inclusivo aos serviços financeiros, assegurando que todos os clientes, independentemente da sua condição ou perfil, encontram na CEMAH um parceiro próximo, disponível e comprometido.
No que respeita à oferta, disponibilizamos um conjunto de serviços financeiros, que incluem soluções de poupança, crédito (nomeadamente à habitação e às empresas), meios de pagamento, contas de depósito, sempre com um enfoque na proximidade, simplicidade e adequação às necessidades dos nossos clientes, sejam empresas ou particulares.
Sendo uma instituição com forte presença nos Açores, que papel desempenha no apoio às famílias e empresas locais?
A CEMAH sempre se assumiu como uma instituição predominantemente direcionada para os Açores, onde está sediada e mantém o centro de decisão, sendo a única Instituição bancária nessas condições.
Num contexto de crescente desertificação bancária, continuamos a valorizar a nossa presença na RAA de forma muito concreta: estamos atualmente presentes em 6 das 9 ilhas, e é com essa presença que, cremos, conseguimos assegurar um acompanhamento próximo das comunidades locais.
No que diz respeito ao setor do turismo, que tipo de soluções ou apoio a CEMAH oferece a empresários e investidores desta área?
O setor do turismo assume um papel central na economia regional, e a CEMAH tem vindo a acompanhar de perto o seu crescimento, posicionando-se como um parceiro financeiro de referência para empresários e investidores da área. Em 2008, tínhamos cerca de 9000 camas e um n.º de dormidas de cerca de 1M; em 2025 esse n.º já era de 4,5M, tendo a oferta de camas evoluído para mais de 30000.
Disponibilizamos soluções ajustadas às diferentes fases dos projetos turísticos, desde o financiamento de novos empreendimentos, mas também apoio à modernização, requalificação e reforço de negócios já existentes. Para além do crédito, procuramos assegurar um acompanhamento personalizado, compreendendo as especificidades de cada projeto e a realidade do mercado local, o que nos permite contribuir de forma mais eficaz para a sustentabilidade e desenvolvimento do setor.
A proximidade ao cliente é muitas vezes apontada como uma vantagem das instituições regionais. De que forma a CEMAH se diferencia nesse aspeto face a bancos de maior dimensão?
A proximidade é, de facto, um princípio orientador da nossa atividade e um fator amplamente reconhecido pelos nossos clientes como diferenciador. Esta proximidade começa no balcão, onde os colaboradores conhecem bem os clientes, as suas necessidades e estão numa posição privilegiada para identificar as soluções mais adequadas.
Mas vai além disso: sendo uma instituição de menor dimensão, toda a estrutura funciona de forma mais próxima e interligada, o que facilita a preparação da informação, a sua circulação e a tomada de decisão.
Ao nível da gestão, o CA da CEMAH conhece bem o mercado e os seus principais intervenientes, sim, mas mantém também uma ligação direta à generalidade da carteira de clientes, o que reforça esse posicionamento de proximidade e constitui um elemento distintivo face às grandes instituições.
Para terminar, como tem sido a estratégia de crescimento da CEMAH e que objetivos traça para o futuro, tanto nos Açores como no resto do país?
Em 2025, concluímos um Plano Estratégico definido para um horizonte de 3 anos, com os objetivos traçados plenamente alcançados. Iniciámos agora a implementação de um novo plano, orientado pela visão “CEMAH, o banco com história e de olhos postos no futuro”.
Este novo ciclo assenta em 6 objetivos estratégicos, focados no crescimento e no robustecimento, estruturados em 4 eixos fundamentais: 1) Desenvolvimento do negócio; 2) Melhoria da experiência do cliente; 3) Reorganização Interna; e 4) Aposta no capital humano.
Acreditamos que estes pilares são essenciais para assegurar uma evolução sustentada, dotando-nos das condições necessárias para responder aos desafios atuais e futuros, num contexto marcado por crescente tensão geopolítica, transformação digital acelerada e maiores exigências ao nível da sustentabilidade.
Uma Instituição com esta história e visão de futuro terá sempre lugar na nossa região.

