Da saúde à energia, do ambiente à exploração espacial, a Química está no centro de algumas das respostas mais promissoras aos grandes desafios da atualidade. Em entrevista à Mais Magazine, Isabel Marrucho, Coordenadora do IMS (Institute of Molecular Sciences) e do CQE (Centro de Química Estrutural), explica como a colaboração entre três centros de investigação de excelência está a transformar conhecimento científico em inovação com impacto na indústria e na sociedade.
Como se articula a missão dos centros de investigação CQE, CQC e CIQUP com os objetivos mais amplos do Laboratório Associado Institute of Molecular Sciences (IMS)?
Uma frase resume o que nos move: criar conhecimento e inovação com impacto na indústria e na sociedade, alicerçados no poder da Química. Esta é a missão dos nossos centros de I&D e a ambição materializada no IMS. Na prática, unimos três unidades de investigação de grande prestígio e potencial — sediadas em Lisboa, Coimbra e no Porto —, que funcionam de forma integrada para gerar sinergias através da partilha de recursos, ideias e talento. Cada centro contribui para esta visão com a sua complementaridade, infraestruturas e investigação internacionalmente competitiva, capitalizando ciência de excelência e capacidade de inovação.

O Institute of Molecular Sciences (IMS) é um dos Laboratórios Associados reconhecidos pela FCT, reunindo o CQE, o CQC e o CIQUP. Quais são atualmente as principais áreas de investigação do IMS e de que forma esta estrutura colaborativa contribui para responder aos grandes desafios da sociedade?
A investigação do IMS organiza-se em cinco linhas temáticas: materiais funcionais e nanociência (MATsoft), química medicinal e biológica para a saúde (MEDlife), tecnologias para a água, o ambiente e a energia (H2Oenv), síntese e catálise sustentáveis (SYNcat) e fundamentos e divulgação da química (CHEMfocus). Na prática, isto traduz-se em medicamentos contra o cancro, infeções resistentes e doenças neurodegenerativas; materiais para baterias e energias limpas; tecnologias para despoluir a água e o ambiente; e processos industriais mais verdes.
Ao juntar três centros — 255 investigadores doutorados e infraestruturas partilhadas entre Lisboa, Coimbra e Porto —, o IMS alcança esta amplitude: indo do desenho da molécula à aplicação real criando valor para a sociedade.
Que projetos, descobertas ou iniciativas recentes destacariam como exemplos do impacto científico, tecnológico e de inovação do IMS, em Portugal e a nível internacional?
Desde 2021, os investigadores do IMS captaram 81 M€ em financiamento competitivo, submeteram mais de uma centena de pedidos de patente e criaram 12 spin-offs. Destacam-se a investigação em ambientes extremos (ILLUQ) à deteção de vida em missões espaciais, com investigadores a liderar grupos de trabalho da Agência Espacial Europeia; as soluções contra a resistência de tumores a múltiplos fármacos (R-nuucell); a descontaminação do ar (Delox, apoiada com 1.9 M€ pelo Conselho Europeu de Inovação); os novos materiais para energia sustentável, de painéis solares e baterias a supercondensadores (C2CNewCap); e na captura e valorização de CO2. O IMS integra a rede europeia Laserlab-Europe AISBL, que reúne 48 infraestruturas de investigação em laser de referência de 22 países, e participa em três projetos europeus na área.


Agradecimentos: Financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto LA/P/0056/2020 | IMS (https://doi.org/10.54499/LA/P/0056/2020)
