: 26 de Junho, 2026 Redação:: Comentários: 0

O património da Defesa Nacional representa uma oportunidade estratégica que vai muito além da sua função histórica e institucional. Para António José Baptista, Diretor-Geral do Armamento e Património da Defesa Nacional, a valorização dos imóveis, infraestruturas e ativos sob tutela da Defesa pode contribuir para o desenvolvimento económico, a coesão territorial e a preservação da memória coletiva, conciliando interesse público, sustentabilidade e criação de valor para o país.

Qual considera ser a importância do património histórico-militar na preservação da identidade e da memória coletiva de Portugal?

Conforme referiu o Tenente-Coronel Mouzinho de Albuquerque, “Este reino é obra de soldados”. Nesse sentido, o património histórico-militar constitui um dos mais relevantes testemunhos materiais e imateriais da construção de Portugal enquanto Nação. A história de Portugal e a história militar são, em muitos momentos, indissociáveis, encontrando-se refletidas em castelos, fortificações, linhas defensivas, arsenais, quartéis, navios, documentos, tradições e memórias. Mais do que simples vestígios do passado, estes bens representam elementos fundamentais da identidade coletiva, permitindo compreender os processos históricos, políticos e sociais que marcaram o País ao longo dos séculos. A preservação deste património contribui para reforçar a consciência histórica, valorizar o papel das Forças Armadas e transmitir às gerações futuras um legado associado à soberania, defesa e serviço público. Importa igualmente salientar que este património abrange bens materiais e imateriais, públicos e privados, permitindo uma leitura mais ampla da História de Portugal e promovendo simultaneamente conhecimento científico, pedagogia histórica e coesão territorial. Num contexto internacional cada vez mais competitivo, o património histórico-militar assume ainda um papel estratégico enquanto recurso cultural e turístico diferenciador, reforçando a marca Portugal através da autenticidade e profundidade histórica dos seus territórios.

De que forma o património militar português pode ser valorizado como um recurso estratégico para o turismo cultural e histórico?

O património militar português pode ser valorizado através da criação de produtos integrados capazes de associar património, identidade, memória e experiência turística diferenciadora. Castelos, fortificações, museus militares, antigos quartéis, arsenais ou campos de batalha constituem recursos com elevado potencial para atrair públicos Nacionais e internacionais cada vez mais interessados em experiências autênticas e culturalmente sustentadas. A valorização deste património poderá passar pela criação de rotas temáticas, centros interpretativos, programação cultural, conteúdos digitais e estratégias de comunicação integradas, articulando entidades da Defesa, autarquias, universidades, Turismo de Portugal e instituições culturais. O turismo militar afirma-se, assim, como um produto turístico diferenciador que reforça a marca Portugal num mercado global altamente competitivo, permitindo simultaneamente dinamizar economias locais, combater a desertificação de territórios de baixa densidade e promover um maior conhecimento da História de Portugal e da importância das Forças Armadas.

António José Baptista, Diretor-Geral do Armamento e Património da Defesa Nacional

Existem atualmente planos ou incentivos para promover a recuperação e reutilização de fortes, fortalezas ou conventos militares para fins turísticos, como hotéis, museus ou espaços culturais?

Têm vindo a ser promovidos mecanismos de cooperação que permitem incentivar a recuperação, valorização e reabilitação de imóveis militares históricos para fins culturais, turísticos e económicos, através de parcerias entre o Ministério da Defesa Nacional, autarquias, entidades regionais de turismo, investidores privados e instituições culturais. A reutilização de fortes, fortalezas, conventos militares, ou outras estruturas históricas demonstra ser possível compatibilizar preservação patrimonial com sustentabilidade económica, garantindo simultaneamente respeito pela autenticidade histórica, arquitetónica e simbólica dos imóveis. Neste contexto, o turismo militar pode assumir um papel particularmente relevante enquanto instrumento de valorização integrada do património histórico-militar português, contribuindo para reforçar a atratividade cultural e turística de diferentes regiões do País.

Na sua perspetiva, quais são os principais benefícios económicos e sociais da rentabilização do património militar nas diferentes regiões do País?

A valorização do património militar pode gerar importantes benefícios económicos, sociais e culturais, nomeadamente em regiões do interior e de baixa densidade. Permite dinamizar o turismo cultural e histórico, criar emprego, atrair investimento e apoiar sectores como hotelaria, restauração e comércio local. Simultaneamente, contribui para preservar a memória coletiva, reforçar a identidade nacional e promover um maior conhecimento da História de Portugal e das Forças Armadas. O turismo militar afirma-se, assim, como um produto diferenciador que reforça a marca Portugal num mercado turístico cada vez mais competitivo.

Como avalia o crescimento do turismo militar em Portugal e o interesse demonstrado por visitantes nacionais e internacionais neste tipo de oferta turística?

O turismo militar tem vindo a crescer em Portugal, acompanhando a procura crescente por experiências culturais autênticas e diferenciadoras. Existe hoje um maior interesse de visitantes nacionais e internacionais por fortificações, museus militares, campos de batalha e outros espaços ligados à História militar portuguesa. Face à riqueza e diversidade deste património, o turismo militar afirma-se como um produto cultural diferenciador, capaz de reforçar a marca Portugal, valorizar os territórios e promover um maior conhecimento da História nacional, indissociável da História militar.

Que papel poderá o Governo desempenhar no futuro para reforçar a preservação, modernização e promoção do património histórico-militar português?

Acredito que o Governo vai desempenhar um papel fundamental através da definição de estratégias integradas de preservação, valorização e promoção do património histórico-militar, reforçando a articulação entre Cultura, Defesa, Turismo, autarquias e entidades privadas. Recentemente o Governo criou o Grupo de Trabalho da Defesa Nacional para o Turismo Militar, que tem como uma das principais missões elaborar uma proposta de Plano de Ação para o Turismo Militar para o curto e médio prazo, com o objetivo de promover e valorizar o património histórico cultural, em articulação com a estratégia nacional de turismo. É um passo importante na recuperação, rentabilização e reabilitação de imóveis históricos, na criação de redes e rotas temáticas, no desenvolvimento de conteúdos digitais e interpretativos, bem como em mecanismos de financiamento que garantam a conservação e dinamização destes espaços. Simultaneamente, será essencial afirmar o turismo militar como um produto cultural estratégico e diferenciador, capaz de reforçar a marca Portugal, promover a coesão territorial e valorizar a História e a memória coletiva nacionais.