Entre 12 e 14 de junho, o Castelo de Montemor-o-Novo recebe a Feira Medieval 2026, um evento que aposta no rigor histórico e na recriação do quotidiano da época. Durante três dias, o recinto ganha nova vida com ofícios, torneios, animação e experiências que dão a conhecer a importância histórica e cultural da vila.
A Feira Medieval 2026, em Montemor-o-Novo, transforma o Castelo e torna este monumento num centro de interpretação vivo da sua história e arqueologia. Para quem observa as suas muralhas, este espaço funciona como um livro aberto onde séculos de ocupação deixaram marcas concretas, desde os vestígios da época medieval até ao seu abandono completo já no século passado. A organização da Feira Medieval do Castelo de Montemor-o-Novo assenta na premissa de que o rigor histórico deve ser a base de toda a experiência, permitindo que os visitantes compreendam a evolução de um dos maiores perímetros amuralhados da Península Ibérica através das evidências, fundamentadas em décadas de investigação arqueológica e histórica.

A abertura do evento faz-se com a inauguração oficial na sexta feira, ao final do dia e o início das vivências quotidianas no recinto, marcando o arranque de uma dinâmica que procura recriar o ambiente da vila dentro de muralhas durante todo o fim de semana. A antiga malha urbana do burgo, hoje em grande parte desaparecida ou sob camadas de terra, é a principal protagonista de toda a Feira Medieval. Este modelo de ocupação funcional do espaço permite conciliar a afluência de público com a necessidade de salvaguarda das estruturas arqueológicas mais sensíveis, garantindo que a integridade do monumento nacional é preservada. O convite para visitar Montemor-o-Novo entre 12 e 14 de junho é, por isso, uma oportunidade para testemunhar como a preservação do património e a divulgação cultural podem coexistir de forma equilibrada.
A história de Montemor-o-Novo encontra-se ligada a momentos fundamentais da organização do território nacional. Recebeu o seu primeiro foral em 1203, por D. Sancho I, num esforço de repovoamento e defesa. Contudo, a relevância do local estende-se para além da esfera militar. Em 1495, o Paço dos Alcaides, cujas ruínas ainda dominam a zona mais alta da alcáçova, foi o palco das Cortes convocadas por D. Manuel I. Foi neste local que se discutiu e decidiu o prosseguimento da viagem depois encetada por Vasco da Gama rumo à Índia, um facto que coloca este castelo no centro da história da expansão portuguesa. A Feira Medieval de 2026 utiliza este contexto para situar o visitante, oferecendo uma perspetiva sobre a importância política e administrativa da vila no final do século XV, permitindo que cada passo dado dentro de muralhas seja uma ligação às decisões que mudaram o rumo do mundo.
Um dos pontos centrais do programa situa-se no adro do Convento da Saudação, local onde se instala a Justa. Este espaço, delimitado pela imponente fachada do convento e pelas muralhas, é o palco para os torneios de armas e para a demonstração de técnicas de combate. A proximidade entre a estrutura militar e a fundação religiosa do século XVI, que cresceu sobre antigas casas reais, ajuda a ilustrar as mudanças de uso do solo dentro do castelo de Montemor-o-Novo.

A zona a caminho do antigo palácio, conhecido como o Paço dos Alcaides, é dedicada à arqueologia experimental e à demonstração de antigos ofícios. Neste local, artesãos trabalham em tempo real, utilizando métodos de produção que se baseiam em achados arqueológicos identificados no próprio concelho. O visitante pode observar o ferreiro ou o carpinteiro, entendendo a arte e a mestria dos artesãos medievais.
A oferta educativa estende-se ainda a um espaço dedicado aos jogos junto ao Centro Interpretativo do Castelo, onde as famílias são convidadas a conhecer e experimentar as formas de diversão ligadas à época medieval. Esta componente lúdica permite uma participação direta no quotidiano histórico, transformando a aprendizagem sobre o passado num processo dinâmico e geracional que aproxima os mais novos da Idade Média.
O mercado medieval, distribuído pelas áreas abertas do recinto, reúne mercadores que mantêm viva a ligação entre o setor produtivo regional e as antigas dinâmicas comerciais. O comércio de proximidade ou os produtos da terra refletem a importância estratégica de Montemor-o-Novo como ponto de paragem nas rotas que ligavam Lisboa ao interior alentejano. Este espaço é complementado pela animação itinerante, onde músicos e grupos de artes performativas utilizam repertórios documentados em cancioneiros antigos e instrumentos que são réplicas de modelos medievais. Não há elementos amplificados eletronicamente; o som é o da pele, da madeira e do metal, respeitando a acústica natural de todo o castelo.

A componente gastronómica do programa é igualmente fundamentada em fontes históricas e no estudo da dieta antiga. As tabernas, dinamizadas pelo tecido económico e associativo local, privilegiam ingredientes identificados em registos documentais da época. Esta escolha evita anacronismos e permite que a refeição no castelo seja também ela um ato de recriação histórica. O visitante é convidado a provar sabores que resistiram ao tempo, sentando-se à mesa num ambiente que evoca a vida antiga no castelo.
A Feira Medieval de 2026 encerra os seus dias com momentos de animação na zona da alcáçova, onde o teatro e as artes de fogo utilizam as ruínas do Paço dos Alcaides como cenário natural. Entre 12 e 14 de junho, subir ao castelo é uma oportunidade para viajar no tempo. Visite a Feira Medieval no Castelo de Montemor-o-Novo!

