O Arquipélago das Berlengas é hoje um dos territórios naturais protegidos mais emblemáticos de Portugal, percurso iniciado a 3 de setembro de 1981 com a criação da Reserva Natural das Berlengas. Trinta anos depois, a 30 de junho de 2011, a UNESCO elevou este reconhecimento ao classificar a área como Reserva da Biosfera, no âmbito do programa Man and the Biosphere.
A Berlenga, ilha maior, destaca-se pela sua singularidade ecológica: falésias escarpadas onde nidificam aves marinhas raras, grutas que revelam milénios de erosão atlântica, e uma flora endémica que encontrou ali um refúgio único. A sua história humana, marcada pela navegação, pela pesca e pela defesa costeira, soma-se ao notável património arqueológico subaquático, testemunho de rotas antigas e naufrágios que moldaram a memória do mar. A área classificada inclui ainda as ilhas Farilhões-Forcadas e Estelas, um corredor marítimo envolvente e parte da frente costeira de Peniche, totalizando mais de 18 mil hectares, cerca de 96% marinhos. A última década consolidou as Berlengas como território-modelo: intensificou-se a investigação científica, renovaram-se infraestruturas, reforçou-se a autonomia energética, instalou-se produção local de água doce e avançou-se na erradicação de espécies invasoras.
Mais de quarenta anos após a reserva natural e mais de dez após o selo UNESCO, a Berlenga continua a afirmar-se como ilha singular – um laboratório vivo onde natureza, história e ciência se encontram.
Ricardo Rosado, Vereador Câmara Municipal de Peniche

