: 22 de Maio, 2026 Redação:: Comentários: 0

Num mundo cada vez mais marcado pela mobilidade internacional, os temas da imigração e da aquisição de cidadania ganharam um peso determinante na vida de milhares de pessoas. Em entrevista com a Carolina Carvalho, a advogada partilha a sua experiência de mais de 20 anos, a sua abordagem próxima ao cliente e a visão sobre a evolução da advocacia em Portugal.

É advogada há mais de duas décadas. Como descreve o seu percurso profissional desde a formação em Direito até à atual especialização em Direito Imigratório?

Sou formada em direito desde o ano de 2005, ou seja, advogo há mais de 20 anos, atualmente atuo de forma especializada em Direito Imigratório e processos de aquisição de cidadania europeia, com foco em nacionalidade portuguesa, italiana e espanhola, além de regularização de imigrantes em Portugal e na Espanha. No Brasil atuava na área de direito tributário e agora também estou a trazer essa área para o meu escritório em Portugal. Essa especialização exige domínio técnico não apenas da legislação, mas também dos procedimentos administrativos e judiciais aplicáveis em diferentes jurisdições.

A experiência prática permite identificar, desde o início, o caminho mais adequado para cada caso, evitando soluções genéricas. Cada processo é analisado de forma individualizada, considerando histórico familiar, documental, objetivos pessoais e viabilidade jurídica. Isso é especialmente relevante em matérias de cidadania, onde divergências documentais, lacunas históricas ou interpretações legais podem impactar diretamente o resultado.

Esse olhar estratégico, aliado ao rigor técnico, possibilita oferecer um acompanhamento mais eficiente, reduzindo riscos, custos e tempo de tramitação, ao mesmo tempo, em que garante segurança jurídica ao cliente.

Num contexto jurídico em constante mudança, qual é a importância da proximidade com o cliente na sua prática profissional?

Num cenário jurídico cada vez mais dinâmico, a proximidade com o cliente deixou de ser um diferencial e passou a ser um elemento essencial na prática da advocacia. No Direito Imigratório, essa relação torna-se ainda mais sensível, pois envolve decisões que impactam diretamente a vida, a estabilidade e o futuro das pessoas, como imigrante consigo perceber com uma sensibilidade maior o que aquele cliente está vivenciando no seu processo de regularização.

A confiança é construída por meio de transparência, comunicação clara e alinhamento de expectativas. O cliente precisa de compreender não apenas as possibilidades, mas também os limites jurídicos do seu caso. Isso evita frustrações e fortalece a relação profissional.

Além disso, a escuta ativa permite compreender as reais necessidades do cliente, indo além da demanda formal. Essa abordagem humanizada, sem perder o rigor técnico, é o que permite uma atuação mais eficaz e responsável.

Como caracteriza a evolução da advocacia em Portugal ao longo do último século?

Ao longo dos últimos 100 anos, a advocacia em Portugal consolidou-se como um pilar essencial do Estado de Direito Democrático. O advogado deixou de ser visto apenas como um operador técnico do Direito para assumir um papel mais amplo, como agente de garantia de direitos fundamentais e de equilíbrio nas relações sociais.

Essa evolução acompanha as transformações da própria sociedade, marcada pela globalização, informatização, mobilidade internacional e crescente complexidade jurídica. Nesse contexto, o advogado passou a atuar em cenários cada vez mais desafiadores, exigindo constante atualização, responsabilidade ética e capacidade estratégica.

Apesar dessas mudanças, a essência da profissão permanece a mesma: a defesa dos direitos, da legalidade e da justiça. Os advogados continuam a desempenhar um papel indispensável na proteção dos cidadãos, no acesso à justiça e na construção de uma sociedade mais justa, equilibrada e comprometida com os princípios democráticos.