Em entrevista à Mais Magazine, Estêvão Augusto Bernardino, sócio fundador da BR Portuguese Boutique Law Firm, apresenta a visão e posicionamento da sociedade.
Poderia começar por nos apresentar a BR – Law Firm e explicar em que áreas de atuação se especializam?
A BR Portuguese Boutique Law Firm nasceu da nossa própria noção da raiz do que é, e do que deve ser, a advocacia: uma ideia de proximidade, rigor, discrição e responsabilidade. Somos uma sociedade portuguesa com uma vocação simultaneamente nacional e marcadamente internacional, particularmente vocacionada para o acompanhamento de matérias complexas, sensíveis e multidisciplinares, incluindo a assessoria a family offices e a clientes privados e empresariais em operações e contextos nacionais e transfronteiriços, com especial incidência nas áreas do direito societário e comercial, investimento, reestruturação patrimonial, insolvência, contencioso estratégico, direito da família e das crianças, direito sucessório, mediação, imobiliário e imigração, aqui compreendida numa acepção ampla e contemporânea, que abrange a mobilidade internacional, a residência por investimento, os processos de nacionalidade e cidadania, bem como a relocalização pessoal, familiar e patrimonial de clientes num mundo em acelerada transformação. Trata-se, aliás, de um domínio em que começámos a trabalhar muito antes da emergência legislativa e mediática do “Golden Visa”, quando ainda poucos lhe reconheciam a centralidade que hoje assumiu. Mais do que tratar processos, procuramos compreender pessoas, contextos e interesses, porque o Direito, quando bem exercido, não é apenas técnica: é também visão, medida e sentido humano.
O que significa exatamente o conceito de Boutique Law Firm e como é estruturada a vossa equipa?
O conceito de Boutique Law Firm surgiu como resposta à necessidade de especialização e densidade técnica, em contraste com o modelo das grandes firmas generalistas ou full-service. No nosso caso, a inspiração começou ainda no final de 1999, quando, apesar de ainda estarmos no tempo de estágio, criámos um gabinete de advocacia, e já nos revíamos mais nesse modelo do que no paradigma tradicional dominante. Inspirámo-nos, em parte, no que víamos nalgumas estruturas norte-americanas: equipas mais pequenas, muito focadas, com forte intervenção dos sócios, serviço altamente personalizado e uma cultura de verdadeira proximidade ao cliente. Naturalmente, Portugal tem outra escala, outro mercado e outra realidade, e nunca confundimos ambição com ilusão. Sendo dois sócios, sempre soubemos que era necessário manter os “pés bem assentes na terra”, para não ceder à tentação de voar como Ícaro! Para nós, o espírito boutique nunca significou vaidade de forma ou pretensão de grandeza; significou, isso sim, seriedade, assinatura, especialização, reserva e um compromisso absoluto com a qualidade do trabalho e com a relação de confiança com o cliente. A nossa equipa estrutura-se em torno dessa mesma matriz: advogados experientes e of counsels de reconhecida senioridade, elevada especialização e sólido percurso profissional, inseridos num ambiente de reserva, com acompanhamento direto dos sócios e uma cultura de exigência, transparência e dedicação integral ao cliente e ao trabalho, onde em breve pretendemos contratar um advogado e um estagiário.

Quais são os motivos pelos quais os clientes deveriam escolher a vossa sociedade? Que aspetos vos tornam únicos ou diferentes?
Porque há clientes que não procuram apenas serviços jurídicos; procuram proximidade, critério, humildade na forma de escutar e de compreender os seus problemas, confiança, senioridade, presença efetiva, sentido de responsabilidade e um acompanhamento constante, rigoroso e verdadeiramente comprometido. Num tempo em que tantas vezes se confunde dimensão com qualidade, continuamos a acreditar que a diferença está na substância: na forma como se escuta, se pensa, se escreve e se assume cada assunto com verdadeira seriedade. Não vendemos volume; oferecemos atenção, estratégia, rigor e compromisso. Esse percurso tem, felizmente, encontrado reconhecimento, acreditamos nós! Este ano, a BR Portuguese Boutique Law Firm foi destacada pela primeira vez no Legal 500 no domínio da client satisfaction, distinção que muito nos honra e que confirma, de forma particularmente significativa, o caminho que vimos construindo desde 1999, ainda no tempo de estágio, quando já acreditávamos numa advocacia mais próxima, mais rigorosa e mais comprometida com a confiança do cliente. Estamos, aliás, a preparar a mudança para uma sede própria, num edifício nosso, junto à Gulbenkian, onde esse espírito será ainda mais visível: um espaço acolhedor, reservado, sénior e inteiramente dedicado ao trabalho, ao Direito, à transparência, ao rigor e ao dever de servir bem terceiros e ao negócio familiar.
Com a aproximação do Dia do Advogado (19 de maio), que conselho daria aos jovens que desejam seguir carreira na advocacia?
Dir-lhes-ia que não tenham pressa de parecer advogados antes de aprenderem verdadeiramente a sê-lo (risos). A advocacia não é uma profissão de ruído, mas de densidade; não vive de aparências, mas de estudo, escrita, escuta, disciplina, coragem e formação moral. Conhecer a lei é essencial, mas insuficiente: é preciso saber ler as pessoas, compreender os conflitos, suportar a responsabilidade da confiança alheia e nunca perder a independência e não subestimar ninguém. No fundo, ser advogado continua a ser uma das formas mais exigentes e mais nobres de serviço à liberdade, à justiça e à dignidade humana, e nos tempos que correm, cada vez, mais!

