Ao assinalarmos os 50 anos das primeiras eleições autárquicas livres, celebramos uma das maiores conquistas da democracia portuguesa: um poder local próximo, capaz de transformar territórios e melhorar a vida das pessoas. Mas este é também o momento de enfrentar desafios que ultrapassam as fronteiras de cada concelho. É neste contexto que a CCDR de Lisboa e Vale do Tejo assume um papel decisivo, reforçando a articulação entre municípios, Estado e agentes do território para promover uma visão regional assente na proximidade, na coesão e no desenvolvimento sustentável.
Em 2026, Portugal assinala 50 anos das primeiras eleições autárquicas livres. O poder local continua a ser uma das expressões mais fortes da democracia portuguesa: a democracia que se vê na rua requalificada, na escola aberta, na resposta social que chega a tempo. Mas celebrar o poder local não pode ser apenas olhar para trás. Tem de ser uma escolha sobre o futuro. Habitação, mobilidade, água, clima, envelhecimento, imigração, competitividade e inclusão já não cabem nas fronteiras de cada concelho. Exigem escala, coordenação e visão regional.
É aqui que a CCDR de Lisboa e Vale do Tejo deve afirmar o seu papel. Não para substituir autarquias, mas para lhes dar força; não para recentralizar decisões, mas para aproximar o Estado dos territórios; não apenas para produzir planos, mas para transformar estratégia em obra e financiamento em resultados. Lisboa e Vale do Tejo é decisiva para o país. Concentra conhecimento, empresas, universidades, cultura, portos, indústria, agricultura e património natural. Mas é também uma região de contrastes: entre pressão metropolitana e cidades médias; entre litoral e interior regional; entre territórios competitivos e territórios que precisam de centralidade. A resposta não pode ser apenas a continuidade. Tem de ser de transformação.

Transformação significa uma região policêntrica, onde Grande Lisboa, Península de Setúbal, Oeste, Lezíria e Médio Tejo sejam partes de uma estratégia. Significa cidades médias mais fortes, melhor ligadas, com emprego qualificado e serviços públicos acessíveis. Significa habitação racional, aproveitando solos infraestruturados e edifícios devolutos, em vez de urbanização sem critério.
Transformação significa também disputar o futuro económico. A região deve afirmar-se no conhecimento, nas indústrias de média e alta tecnologia, na mobilidade, no aeroespacial, no oceano, na saúde, nas tecnologias de informação, nas artes e nas indústrias criativas. Atrair investimento é importante; criar valor e emprego qualificado é decisivo.
E transformação exige sustentabilidade real: gerir a água como reserva estratégica, proteger estuários, reduzir riscos climáticos, valorizar a biodiversidade, modernizar a agricultura e reforçar a segurança alimentar. A sustentabilidade não pode ser ornamento do discurso público; tem de ser critério de decisão pública. Os fundos europeus são instrumentos importantes, mas não são um fim. O sucesso será saber se melhoram a vida das pessoas, reduzem desigualdades, tornam a região mais competitiva e preparam Lisboa e Vale do Tejo para o lugar que deve ocupar em Portugal e na Europa.
Cinquenta anos depois, a proximidade continua essencial, mas já não basta. O futuro exige proximidade com escala, autonomia com cooperação, ambição com responsabilidade. A CCDR de Lisboa e Vale do Tejo deve ser o espaço onde essa governação tem alicerces de futuro: entre o Estado e os municípios, entre a memória democrática e a coragem de transformar.
