: 22 de Maio, 2026 Redação:: Comentários: 0

A Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Politécnico de Coimbra (ESTeSC-IPC) prepara-se para dar um passo inovador no ensino superior em Portugal com o lançamento da nova licenciatura em Terapia Ocupacional, que terá como cenário o Hospital Rovisco Pais. Em entrevista à Mais Magazine, o Presidente da Escola, Graciano Paulo, revela um projeto disruptivo que junta formação académica, prática clínica e vida em campus num mesmo espaço, aproximando os estudantes da realidade profissional desde o primeiro dia e redefinindo a forma de aprender na área da saúde.

A Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Politécnico de Coimbra (ESTeSC-IPC) vai abrir, no próximo ano letivo, uma nova licenciatura em Terapia Ocupacional, que funcionará no Hospital Rovisco Pais (Tocha, concelho de Cantanhede), amplamente conhecido pelo trabalho que desenvolve na área de reabilitação. É no campus do hospital, rodeados de natureza verde e a 10 minutos de distância da praia, que os estudantes poderão também viver, pernoitando no campus, nas residências disponibilizadas e utilizando os espaços de estudo e convívio daquela estrutura.

“Pela primeira vez, vamos criar um campus onde o aluno vive, estuda, trabalha e se diverte, numa abordagem disruptiva do Ensino Superior em Portugal”, descreve o presidente da ESTeSC-IPC, Graciano Paulo.

Todos os cursos de licenciatura da ESTeSC-IPC têm uma intensa componente prática nos seus planos de estudo, mas, no caso da Terapia Ocupacional, os estudantes não vão esperar para começar: estudando no mesmo espaço onde estão os doentes, entram em contacto, desde o primeiro dia, com a prática clínica em contexto real de trabalho, desenvolvendo competências onde tudo acontece de verdade.

Além das residências e espaços de convívio – em edifícios dentro do campus do Hospital Rovisco Pais (HRP), que estão a ser reabilitados especificamente para o efeito –, a ESTeSC-IPC vai dotar o espaço de bicicletas elétricas, que permitirão aos estudantes deslocar-se dentro e fora do campus.

Apesar de a maioria das atividades acontecer fora de Coimbra, o curso de Terapia Ocupacional não representa, de forma alguma, um corte com a Escola e com a tradição académica da cidade. Os estudantes terão, aliás, aulas nas instalações da ESTeSC-IPC duas vezes por semana. As deslocações de e para o HRP serão asseguradas por autocarros, de utilização gratuita para os estudantes, disponibilizados pelo município de Cantanhede, parceiro da HRP e da ESTeSC-IPC neste projeto. “Não estamos a tirar Coimbra aos estudantes. Estamos a dar-lhes mais: mais prática, mais realidade, mais futuro”, sintetiza o presidente da ESTeSC-IPC, Graciano Paulo. E acrescenta: “O polo da Tocha não é um ‘fora’, mas sim um privilégio dentro. É Coimbra levada mais longe: um espaço onde a excelência da ESTeSC se vive com ainda mais proximidade, onde a natureza, o campo e o mar se tornam cenário de aprendizagem real”.

Até 2030, a ESTeSC-IPC prevê a abertura de mais dois cursos de licenciatura no HRP: Terapia da Fala e Ortoprotesia. O campus acolherá também cursos não conferentes de grau, como é exemplo a pós-graduação em Integração Sensorial, já em funcionamento.

Ligação ao terreno: aprender onde tudo acontece

A ligação da ESTeSC-IPC ao tecido empresarial e às instituições de saúde não é recente — é, aliás, uma das marcas identitárias da Escola. Todos os cursos de licenciatura integram estágios em contexto real de trabalho, permitindo aos estudantes uma imersão progressiva nas dinâmicas do setor. Esta proximidade estende-se também ao plano internacional, através de acordos com grupos empresariais que abrem portas a experiências profissionais em países como Inglaterra ou Omã.

Com a criação da nova licenciatura em Terapia Ocupacional, esta relação ganha uma nova dimensão. O funcionamento do curso no Hospital Rovisco Pais traduz-se numa integração ainda mais profunda entre ensino, investigação e prática clínica. “Este é um projeto de grande relevância estratégica para a ESTeSC-IPC, que representa um passo decisivo na aproximação entre o ensino, a investigação e a prática clínica”, sublinha o presidente, Graciano Paulo. E acrescenta: “A presença neste centro de referência nacional permitirá aprofundar a formação em contexto clínico altamente especializado e consolidar um modelo de ensino cada vez mais próximo das necessidades do sistema de saúde”.

Inovação ao serviço da aprendizagem

Num setor em constante transformação, a aposta na inovação tecnológica e na investigação aplicada é uma prioridade clara. Nos últimos anos, a ESTeSC-IPC tem realizado um investimento significativo em equipamentos de simulação clínica, num montante que ronda os dois milhões de euros desde 2022, recorrendo, sempre que possível, a programas de financiamento comunitário.

Este investimento permitiu a atualização dos laboratórios da Escola com equipamentos que possibilitam a criação de ambientes de treino muito próximos da realidade. Neste contexto, os estudantes podem aprender e praticar com maior segurança e qualidade, desenvolvendo competências técnicas e clínicas ao mais alto nível, o que facilitará, posteriormente, a sua integração em equipas de saúde. “Sem falsas modéstias, podemos afirmar que a ESTeSC-IPC é a escola superior de tecnologia da saúde mais bem equipada do país do ponto de vista tecnológico”, afirma o presidente da Escola, frisando que “a ESTeSC-IPC marca a diferença por praticar um ensino inovador e atual”.

Paralelamente, a Escola tem vindo a incentivar o desenvolvimento de projetos de investigação na sua comunidade, com iniciativas como o L@bYRA, que premeia os melhores trabalhos de investigação realizados por estudantes, ou o Co4ID – Cocreating for InterDisciplinarity, desenvolvido em parceria com a Unidade Local de Saúde de Coimbra, que financia projetos dinamizados por equipas multidisciplinares.

Um futuro com mais ciência, mais prática e mais mundo

Olhando para o futuro, a ESTeSC continuará a afirmar-se como uma instituição de referência no ensino superior politécnico em saúde, reforçando o seu contributo para a competitividade, a inovação e o progresso social em Portugal. As suas principais apostas estratégicas passam por consolidar uma formação cada vez mais prática, científica e tecnologicamente avançada, orientada para as necessidades reais do sistema de saúde, das empresas e da comunidade.

Uma das prioridades será o reforço da inovação pedagógica e tecnológica, através da integração de metodologias ativas, ambientes de simulação clínica e ferramentas digitais que aproximem a aprendizagem dos contextos profissionais. Projetos como o INNOV2CARE evidenciam essa aposta numa formação mais imersiva, segura e alinhada com os desafios atuais da saúde.

A investigação aplicada e a transferência de conhecimento continuarão também a ganhar protagonismo, a par de uma aposta reforçada na formação ao longo da vida, com pós-graduações, microcredenciações e cursos de formação contínua ajustados a um mercado em constante evolução.

A internacionalização manter-se-á como um eixo estratégico, através da mobilidade de estudantes, docentes e investigadores e da participação em redes e projetos europeus, preparando profissionais para contextos cada vez mais globais.

Por fim, a ligação à comunidade, às instituições de saúde e aos parceiros territoriais continuará a ser um pilar essencial. “Desta forma a Escola contribui para formar profissionais altamente qualificados, promover respostas mais eficazes aos desafios em saúde e reforçar o papel do ensino politécnico como motor de desenvolvimento regional e nacional”, finaliza Graciano Paulo.

É nesta visão integrada — onde ensino, prática, investigação e inovação caminham lado a lado — que a ESTeSC-IPC reforça o papel do ensino politécnico como motor de desenvolvimento, competitividade e progresso em Portugal.