: 31 de Julho, 2026 Redação:: Comentários: 0

A Direção do ICS-ULisboa faz um retrato de um instituto que, há mais de seis décadas, está na linha da frente da investigação em ciências sociais. Nesta entrevista, aborda os principais desafios científicos e sociais do presente, o impacto da investigação na formulação de políticas públicas e a ambição de continuar a antecipar as transformações que moldam Portugal e o mundo.

Edifício do ICS-ULisboa

Para quem não conhece o ICS-ULisboa, como definiria hoje o Instituto e o seu lugar nas ciências sociais em Portugal e internacionalmente?

O ICS-ULisboa está na vanguarda da investigação em ciências sociais e humanas (CSH) em Portugal desde a sua origem em 1962. Ainda em ditadura, o seu núcleo precursor – o Grupo de Investigações Sociais (GIS) – teve um papel pioneiro na investigação independente, crítica, e rigorosa sobre a sociedade portuguesa. A partir da década de 1980, já na Universidade de Lisboa, o ICS afirmou-se como unidade de topo em investigação, ensino pós-graduado e serviço à comunidade. Publica a Análise Social (1963), a mais antiga revista portuguesa de ciências sociais, e edita a Imprensa de Ciências Sociais, a principal editora universitária de CSH em Portugal, com mais de 400 livros publicados. Reconhecido como Laboratório Associado desde 2002, o ICS reúne hoje mais de 80 antropólogos, cientistas políticos, geógrafos, historiadores, sociólogos e psicólogos sociais, que trabalham em conjunto para compreender as dinâmicas que transformam Portugal e o ligam ao mundo.

O ICS estuda sociedades em transformação. Que transformações são hoje mais decisivas para a sua investigação?

A investigação do ICS procura responder a uma questão decisiva: como mudam as sociedades, em especial a portuguesa, e como podemos compreender essas mudanças com rigor científico?

Esta questão é respondida na perspetiva de quatro grandes áreas temáticas: Inclusão e Vulnerabilidades; Cidadania; Sustentabilidade; e Memória, Imaginários e Legados. O ICS estuda as desigualdades sociais, as migrações e as transformações demográficas, geracionais e de género. Estuda também a democracia, a participação cívica, o comportamento eleitoral e os riscos da polarização, dos racismos e dos populismos. Outra área central é a sustentabilidade: alterações climáticas, água, energia, alimentação, ordenamento do território, habitação, biodiversidade e relações entre humanos, animais e ambientes. Finalmente, tem forte tradição no estudo de processos e legados históricos – das dimensões colonial e pós-colonial das sociedades lusófonas à memória dos regimes autoritários e aos arquivos e coleções com passados sensíveis.

Além das áreas, importa também a forma como estas se cruzam. As migrações não são apenas fluxos populacionais: envolvem desigualdades, trabalho, racialização, pertença e direitos. A democracia não se reduz a eleições: depende da confiança pública, da participação cívica e das formas de representação, hoje atravessadas pela transição digital e pela inteligência artificial. E a crise climática não é apenas um problema ambiental: transforma territórios, modos de vida, o acesso à água, à energia e à alimentação, bem como as formas de justiça. Pensar estes cruzamentos exige imaginação social. É essa a aposta da Cátedra (ERA Chair) IMAGINE: Imaginação e Sociedade, iniciada em 2024 e uma das primeiras cátedras em ciências sociais no país financiada pela Comissão Europeia. Num tempo de crises sucessivas, a capacidade social de imaginar é condição para antecipar riscos e desenhar respostas coletivas mais justas e informadas.

O que distingue o ICS é a forma como combina investigação fundamental e aplicada, cruzando saberes de várias disciplinas para produzir conhecimento transformador sobre a sociedade portuguesa, uma missão que vem da origem e se mantém no seu centro.

O ICS-ULisboa na Futurália, a maior feira de educação, formação e empregabilidade em Portugal

Como é que a internacionalização reforça a qualidade científica e a projeção do ICS?

A internacionalização é hoje condição da investigação de excelência. No ICS, este princípio atravessa e fortalece todas as áreas de atividade: dos projetos à publicação; do financiamento às infraestruturas de recolha e arquivo; da extensão ao ensino pós-graduado. O Instituto tem uma presença consolidada nos principais mecanismos europeus de financiamento competitivo, acolhendo múltiplos projetos Horizon Europe e várias bolsas do Conselho Europeu de Investigação (ERC), a principal distinção europeia de inovação científica.

Vista a partir do edifício do ICS-ULisboa

Estes financiamentos sustentam investigação de fronteira em domínios diversos. O The Colour of Labour (ERC Advanced Grant) analisou os deslocamentos de trabalhadores contratados no pós-escravatura entre regimes imperiais e nacionais, gerando novas formas de interpretar as desigualdades racializadas contemporâneas. O TRANSRIGHTS investigou a cidadania das pessoas trans na Europa, num período de mudança acelerada dos regimes legais de reconhecimento. Os projetos MAPLE e PolarScopEU centraram-se nas dinâmicas da democracia na União Europeia e na polarização e desinformação nas redes sociais. O ABIDE estuda a recuperação de comunidades multiespécie após catástrofes como os grandes incêndios, e o BEARLIV analisa como condições adversas levam os migrantes a reajustar as suas aspirações às exigências da sobrevivência quotidiana.

A participação em infraestruturas europeias é outro eixo distintivo. Desde 2002, o ICS coordena a participação portuguesa no European Social Survey, uma das principais infraestruturas europeias de inquérito comparativo sobre atitudes e valores sociais, hoje integrada no PASSDA (Produção e Arquivo de Dados de Ciências Sociais). Infraestrutura do Roteiro Nacional de Infraestruturas de Investigação liderada pelo ICS, assegura igualmente a participação portuguesa no CESSDA, a rede europeia de arquivo e partilha aberta de dados científicos. No mesmo ecossistema, o CEP- Comportamento Eleitoral dos Portugueses realiza há mais de duas décadas os estudos pós-eleitorais nacionais, integrado no Comparative Study of Electoral Systems, a principal rede global de investigação sobre eleições. Esta integração foi recentemente reforçada através da infraestrutura europeia MEDem (Monitoring Electoral Democracy), parte do Roteiro ESFRI 2026, que coloca Portugal na dianteira europeia da construção de redes dedicadas ao estudo da democracia. A qualidade das redes internacionais em que se integra o ICS foi também premiada recentemente: o projeto B-WaterSmart, dedicado às dimensões sociais da gestão da água, foi distinguido com os PT Global Water Awards 2024.

A colaboração estende-se ao espaço de língua portuguesa: consultoria à gestão da memória em arquivos e museus (do Museu do Lubango ao Arquivo e Museu da Resistência de Timor-Leste), criação de um arquivo fotográfico em Luanda e apoio ao desenho da lei do Orçamento Participativo em Angola e à salvaguarda de arquivos comunitários timorenses. Investigadores do ICS contribuem ainda para o aconselhamento científico à Comissão Europeia e, a nível nacional, projetos como Inovações Democráticas em Portugal, com a Fundação Calouste Gulbenkian, ou Arquivos Coloniais Nativos, com a FCT, disponibilizam as primeiras bases de dados abertas sobre participação cívica em políticas públicas locais desde o 25 de Abril e sobre manuscritos de autoria africana e asiática nos arquivos portugueses, respetivamente.

A Imprensa de Ciências Sociais na Feira do Livro de Lisboa

Como é que o ICS transforma investigação em conhecimento útil para políticas públicas, entidades públicas, empresas e sociedade em geral?

A transferência de conhecimento científico é uma missão central. Esta ação assenta em infraestruturas de longa tradição: o Arquivo de História Social (desde 1979) preserva documentação única sobre a história social e política. A editora ICS e a Análise Social disseminam, desde há mais de sessenta anos, o conhecimento produzido pelos cientistas sociais de língua portuguesa.

Livraria da Imprensa de Ciências Sociais no ICS-ULisboa

O impacto da investigação do ICS evidencia-se na capacidade de transformar investigação em evidência que informa o desenho e a avaliação de políticas públicas. A nível internacional, destaca-se o reconhecimento do território indígena Tupinambá de Olivença, no Brasil, que, apoiado por quase três décadas de investigação, culminou, em 2025, na Portaria Declaratória de uma área de 47.376 hectares. O combate à corrupção é outra área com impacto consolidado: o ICS produziu o primeiro diagnóstico sistemático do sistema de integridade pública em Portugal e desenvolveu infraestruturas de dados abertos, como o Índice de Transparência Municipal, adotado pelo XIX Governo Constitucional, e o DATACORR, com mais de 3.000 indicadores para os 308 municípios. Esta competência projeta-se internacionalmente no apoio técnico a governos e organizações como a OCDE, o Conselho da Europa e a OSCE, e na construção de referenciais de integridade parlamentar.

Na habitação, o ICS tem contribuído para o debate público e a decisão política sobre a crise de acessibilidade e a financeirização do mercado, através do Barómetro da Habitação (FFMS), da participação em estudos europeus, da elaboração de contributos técnicos para o Conselho Económico e Social e a Comissão Europeia, e de audições parlamentares na Assembleia da República (via Rede H).

Em parceria com o PLANAPP, o ICS alavancou o primeiro processo de monitorização e avaliação participativa de políticas públicas, aplicado à Estratégia Nacional de Combate à Pobreza. Integra ainda o consórcio ODSlocal, apoiando 144 municípios na monitorização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; foi parceiro da InC2 (Direção-Geral do Território), capacitando 8 redes intermunicipais na transição para a economia circular; e co-coordena a rede FoodLink que sustenta a Estratégia para a Transição Alimentar na Área Metropolitana de Lisboa. O ICS destaca-se ainda pela promoção de consultas públicas, como a Consulta Mundial sobre Clima e Energia, a qual organizou em Portugal em preparação da COP21. Na saúde, o projeto VAX-TRUST estudou a hesitação vacinal em sete países e traduziu essa pesquisa em intervenções junto de profissionais de saúde, a OMS e recomendações para as políticas de vacinação.

Biblioteca do ICS-ULisboa

O impacto faz-se também na igualdade de género: o Livro Branco sobre os Homens e a Igualdade de Género contribuiu para o alargamento da licença de paternidade obrigatória em 2020 e para o projeto-piloto da DGS sobre paternidade cuidadora. E chega ao grande público através de exposições sobre fotografias da diáspora africana na Grande Lisboa, com eco na imprensa internacional, incluindo o The Guardian.

Olhando para o futuro, quais são as principais metas e ambições do ICS?

Mais do que planear, o ICS procura manter-se atento ao inesperado e aposta na antecipação. A algoritmização da política, o recente aumento dos fluxos migratórios, ou até os impactos sociais de eventos extremos mostram como as ciências sociais têm de responder a fenómenos que não cabem em planos traçados com antecedência. O compromisso do ICS é esse: aliar uma visão estratégica de médio prazo a uma capacidade de resposta ágil, criativa e rigorosa perante o imprevisto.

Essa capacidade assenta em trabalho que já se faz. Por exemplo, o ICS mobiliza métodos visuais e criativos (fotografia, imagem, som) para investigar múltiplos temas: da graphic medicine, que explora o uso da narrativa gráfica na experiência e na comunicação da doença, ao projeto europeu NATURESCAPES, que investiga como os planeadores urbanos imaginam a natureza nas cidades e como esses imaginários moldam o futuro do território. Para o futuro, o ICS pretende consolidar um ecossistema de infraestruturas científicas integradas – arquivos, laboratórios, observatórios e equipas – preparado para compreender a mudança à medida que ela acontece. O Observatório ICS sobre a Sociedade em Mudança (OSeM) funcionará como dispositivo de observação permanente das transformações da sociedade portuguesa. O Laboratório e o Arquivo da Imaginação irão explorar o papel da imaginação social, numa aposta em políticas orientadaspela imaginação, cruzando a Cátedra IMAGINE com o desenho de políticas públicas capazes de responder a desafios futuros. E as infraestruturas construídas para medir a democracia em mais de duas décadas de estudos eleitorais prepararão o ICS para monitorizar a sua qualidade com metodologias emergentes de análise de dados, mediadas pelas ciências da computação e pela inteligência artificial.

Understanding Change, Envisioning the Future

The ICS-ULisboa leadership paints a picture of an institute that has been at the forefront of social science research for more than six decades. In this interview, they address today’s major scientific and social challenges, the impact of research on public policy-making, and the ambition to continue anticipating the transformations shaping Portugal and the world.

For readers unfamiliar with ICS-ULisboa, how would you describe the Institute today and its place in the social sciences, both in Portugal and internationally?

    ICS-ULisboa has been at the forefront of social sciences and humanities (SSH) research in Portugal since it was founded in 1962. Even under the dictatorship, its forerunner – the Social Research Group (Grupo de Investigações Sociais, GIS) – pioneered independent, critical and rigorous research on Portuguese society. From the 1980s onwards, as part of the University of Lisbon, ICS established itself as a leading centre for research, postgraduate education and public engagement. It publishes Análise Social, founded in 1963 and Portugal’s oldest social sciences journal, and is home to Imprensa de Ciências Sociais, the leading Portuguese-language university press in SSH, with more than 400 books published. An Associate Laboratory since 2002, ICS now brings together more than 80 anthropologists, political scientists, geographers, historians, sociologists, demographers and social psychologists. Together, they seek to understand the forces reshaping Portugal and connecting it to the wider world.

    Biblioteca e espaços de estudo do ICS-ULisboa

    ICS studies societies in transition. Which transformations are currently most important to the Institute’s research?

    ICS research addresses a central question: how do societies change – especially Portuguese society – and how can we understand those changes with scientific rigour?

    We approach this question through four broad thematic areas: Inclusion and Vulnerabilities; Citizenship; Sustainability; and Memory, Imaginaries and Legacies. ICS examines social inequality, migration and changes in family life, health and care, alongside demographic, generational and gender shifts. It also studies democracy, civic participation, electoral behaviour and the risks posed by polarisation, racism and populism. Sustainability is another major focus, encompassing climate change, water, energy, food, spatial planning, housing, biodiversity and relationships between humans, animals and environments. Finally, ICS has a strong tradition of research on historical processes and legacies – from the colonial and postcolonial dimensions of Portuguese-speaking societies to memories of authoritarian rule and archives and collections shaped by sensitive pasts.

    Just as important is the way these areas intersect. Migration is not simply a matter of population flows: it involves inequality, labour, racialisation, belonging and rights. Democracy is more than elections: it relies on public trust, civic participation and forms of representation now being reshaped by the digital transition and artificial intelligence. Nor is the climate crisis merely an environmental issue: it transforms territories, ways of life, access to water, energy and food, and ideas of justice. Understanding these intersections requires social imagination. This is the purpose of the IMAGINE ERA Chair: Imagination and Society, launched in 2024 and one of the first European Commission-funded chairs in the social sciences in Portugal. At a time of overlapping crises, the social capacity to imagine is essential if we are to anticipate risks and devise fairer, better-informed collective responses.

    What distinguishes ICS is its ability to combine fundamental and applied research, drawing on several disciplines to produce knowledge that can help transform Portuguese society. This mission is rooted in the Institute’s origins and remains at its core today.

    How does internationalisation strengthen the quality and visibility of ICS research?

    Internationalisation is essential to research excellence. At ICS, it strengthens every area of activity – from projects and publications to funding, data and archival infrastructures, public engagement and postgraduate education. The Institute has a strong track record in Europe’s leading competitive funding programmes, hosting numerous Horizon Europe projects and several European Research Council (ERC) grants, among the continent’s most prestigious awards for frontier research.

    This funding supports frontier research across a wide range of fields. The Colour of Labour (ERC Advanced Grant) traced the movement of indentured workers across imperial and national regimes after slavery, offering new ways to understand contemporary racialised inequalities. TRANSRIGHTS examined the citizenship of trans people in Europe at a time of rapid change in legal recognition. MAPLE and PolarScopEU explored the dynamics of democracy in the European Union, as well as polarisation and disinformation on social media. ABIDE investigates how multispecies communities recover from disasters such as major wildfires, while BEARLIV examines how adverse conditions force migrants to adjust their aspirations to the demands of everyday survival.

    Participation in European research infrastructures is another distinctive strength. Since 2002, ICS has coordinated Portugal’s participation in the European Social Survey, one of Europe’s leading comparative surveys of social attitudes and values. This work is now part of PASSDA (Production and Archive of Social Science Data), which is led by ICS and included in Portugal’s National Roadmap of Research Infrastructures. PASSDA also ensures Portugal’s participation in CESSDA, the European network for archiving and openly sharing research data. Within the same ecosystem, CEP — Portuguese Electoral Behaviour – has conducted national post-election studies for more than two decades as part of the Comparative Study of Electoral Systems, the world’s foremost network for comparative electoral research. This position has recently been strengthened through MEDem (Monitoring Electoral Democracy), a European infrastructure included in the 2026 ESFRI Roadmap, placing Portugal at the forefront of efforts to build research networks dedicated to democratic quality. The strength of ICS’s international partnerships has also been recognised through awards: B-WaterSmart, a project on the social dimensions of water management, received a PT Global Water Award in 2024.

    Collaboration also extends across the Portuguese-speaking world. ICS has advised on the management of memory in archives and museums, from the Lubango Museum to Timor-Leste’s Archive and Museum of Resistance; helped create a photographic archive in Luanda; supported the drafting of Angola’s Participatory Budgeting Law; and contributed to safeguarding community archives in Timor-Leste. ICS researchers also provide scientific advice to the European Commission. In Portugal, projects such as Democratic Innovations in Portugal, developed with the Calouste Gulbenkian Foundation, and Indigenous Colonial Archives, funded by FCT, have created the first open databases respectively on civic participation in local public policy since the 25 April Revolution and on manuscripts by African and Asian authors held in Portuguese archives.

    Auditório Sedas Nunes, no ICS-ULisboa

    How does ICS turn research into useful knowledge for public policy, public bodies, businesses and society at large?

    Knowledge exchange is central to the Institute’s mission. It rests on long-standing infrastructures: the Social History Archive, established in 1979, preserves unique records of social and political history, while Imprensa de Ciências Sociais and Análise Social have shared the work of Portuguese-speaking social scientists for more than sixty years.

    The impact of ICS research lies in its ability to turn knowledge into evidence for designing and evaluating public policy. One major international example is the recognition of the Tupinambá de Olivença Indigenous Territory in Brazil. Nearly three decades of research helped support the process, which culminated in 2025 in a declaratory ordinance covering 47,376 hectares. Anti-corruption is another area of sustained impact. ICS produced the first systematic assessment of Portugal’s public integrity system and developed open-data resources such as the Municipal Transparency Index, adopted by Portugal’s 19th Constitutional Government, and DATACORR, with more than 3,000 indicators covering all 308 municipalities. This expertise has an international reach through technical support to governments and organisations including the OECD, the Council of Europe and the OSCE, as well as through the development of standards for parliamentary integrity.

    In housing, ICS has helped shape public debate and policy on affordability and the financialisation of the housing market. Its contributions include the Housing Barometer, developed with the Francisco Manuel dos Santos Foundation (FFMS); participation in European studies; technical input to the Economic and Social Council and the European Commission; and parliamentary hearings before the Assembly of the Republic through Rede H.

    In partnership with PLANAPP, ICS led Portugal’s first participatory process for monitoring and evaluating public policy, applying it to the National Strategy to Combat Poverty. It is also a member of the consortium ODSlocal, supporting 144 municipalities in tracking the Sustainable Development Goals; was a partner in the InC2 led by the Directorate-General for Territory, working with eight intermunicipal networks on the transition to a circular economy; and co-ordinator of the network FoodLink, which underpins the Strategy for the Food Transition in the Lisbon Metropolitan Area. ICS has also promoted large-scale public consultations, including World Wide Views on Climate and Energy, which it organized in Portugal in the run-up to COP21. In health, VAX-TRUST studied vaccine hesitancy in seven countries and translated its findings into work with health professionals and the World Health Organization, as well as recommendations for vaccination policy.

    Impact also extends to gender equality. The White Paper on Men and Gender Equality contributed to the extension of mandatory paternity leave in 2020 and to a Directorate-General of Health pilot project on caring fatherhood. ICS research also reaches wider audiences through exhibitions on photographs of the African diaspora in Greater Lisbon, which attracted international media attention, including coverage in The Guardian.

    Looking ahead, what are ICS’s main goals and ambitions?

    Rather than trying to plan for every eventuality, ICS aims to remain alert to the unexpected and to strengthen its capacity for anticipation. The algorithmic transformation of politics, rising migration flows and the social effects of extreme events show why the social sciences must respond to developments that do not fit neatly into plans drawn up in advance. Our commitment is therefore to combine a medium-term strategic vision with the agility, creativity and rigour needed to respond to the unforeseen.

    This capacity builds on work already under way. ICS uses visual and creative methods – including photography, images and sound – across a wide range of subjects. These range from graphic medicine, which explores how graphic narratives can convey the experience of illness, to the European NATURESCAPES project, which examines how urban planners imagine nature in cities and how those imaginaries shape the future of territories. Looking ahead, ICS aims to consolidate an integrated ecosystem of scientific infrastructures – archives, laboratories, observatories and research teams – able to understand change as it happens. The ICS Observatory on a Changing Society (OSeM) will provide continuous insight into transformations in Portuguese society. The Imagination Laboratory and Archive will explore the role of social imagination and develop imagination-led approaches to policy, connecting the IMAGINE Chair with the design of public policies capable of meeting future challenges. Finally, the infrastructures built over more than two decades of electoral research will enable ICS to monitor the quality of democracy using emerging forms of data analysis at the intersection of the social sciences, computer science and artificial intelligence.