: 5 de Junho, 2026 Redação:: Comentários: 0

A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), enquanto estrutura representativa dos Enfermeiros associados que exercem funções no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), acompanha com atenção os recentes acontecimentos e manifestações relacionadas com o Sistema Integrado de Emergência Médica.

A ASPE considera importante reafirmar, de forma clara, que as lutas profissionais devem ser conduzidas com responsabilidade, discernimento e foco naquilo que verdadeiramente importa: a defesa do Sistema de Emergência Médica, da segurança dos profissionais e da qualidade e segurança dos cuidados prestados à população.

Nos últimos dias, o debate público tem sido desviado para questões acessórias, nomeadamente para a utilização da palavra “enfermeiros” em t-shirts utilizadas em manifestações por outras classes profissionais. Importa dizer, com serenidade e objetividade, que t-shirts há muitas e servem quem as veste. Porém, símbolos, slogans ou peças de roupa não podem transformar-se no centro da discussão nem substituir o debate sério sobre os problemas estruturais do sistema.

Este tipo de ruído distrativo apenas contribui para desviar atenções das reais preocupações dos profissionais e dos verdadeiros riscos que hoje existem no SIEM: a fragilidade do sistema, a crescente pressão operacional, a falta de condições de segurança, o desgaste dos profissionais, a perda de diferenciação técnica e clínica e os impactos que tudo isto pode ter na segurança dos doentes e dos próprios operacionais.

A ASPE entende igualmente que não deve ser confundida a legítima luta de uma classe profissional com a luta pelo Sistema de Emergência Médica no seu todo. Misturar ambos os planos, ou instrumentalizar o sistema em função de agendas corporativas, representa um risco sério de fragmentação, conflito e perda de foco estratégico, podendo acabar por prejudicar o bem maior: um SIEM forte, seguro, diferenciado e centrado na população.

Os Enfermeiros do INEM desempenham funções altamente diferenciadas, em contextos de elevada complexidade e exigência, sendo parte integrante da resposta de emergência médica em Portugal. A sua segurança, valorização profissional e integração qualificada no sistema devem ser prioridades permanentes.

A ASPE continuará, como sempre, a defender os seus associados, os Enfermeiros do INEM e a dignidade da profissão, mas também a defender um Sistema de Emergência Médica robusto, coeso e sustentável, assente no respeito mútuo entre profissionais, na cooperação institucional e na proteção da população.

Porque o foco deve permanecer onde sempre deveria estar: na segurança dos profissionais e dos doentes, na qualidade dos cuidados e no futuro do Sistema de Emergência Médica.

Vice-Presidente da Direção da ASPE, Álvara Silva