Os cuidados paliativos são uma resposta essencial para as pessoas com doença grave e limitadora da vida. O seu propósito não se esgota no controlo da dor ou no acompanhamento em fim de vida: passa por acompanhar as pessoas e famílias no percurso da doença, aliviando o sofrimento, preservando a dignidade e proporcionando a melhor qualidade de vida possível.
Os fisioterapeutas dão um contributo específico neste percurso, com uma intervenção ajustada à condição de cada pessoa. A sua intervenção contribui para manter a mobilidade e a funcionalidade, controlar sintomas, prevenir complicações, promover a autonomia e a independência e capacitar os cuidadores.
Este contributo tem reconhecimento internacional: a Organização Mundial da Saúde recomenda a presença de fisioterapeutas nos cuidados paliativos e inclui a fisioterapia entre as intervenções essenciais destas equipas. Mas esta orientação continua longe da realidade portuguesa.
Defendemos que os fisioterapeutas integrem, de forma efetiva, as equipas de cuidados continuados e paliativos, em número adequado às necessidades das pessoas. Uma equipa multidisciplinar só funciona quando existem condições reais para o fisioterapeuta cumprir plenamente o seu papel e contribuir para uma resposta integrada, centrada na pessoa, nas suas necessidades e prioridades.
António Lopes, Bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas

