A prática do voluntariado é ancestral. Não é uma realidade nova. Novos são sempre os contextos, as motivações e as práticas. Assumir ser voluntário, ou seja, doar o seu tempo sem exigir qualquer compensação de ordem financeira e/ou de qualquer outro tipo de benefícios materiais, já não é apenas uma questão de filantropia. Quem se assume, como tal, está a responder a um direito, e ao mesmo tempo, a um dever de exercer a sua cidadania. Num país democrático é uma oportunidade para tornar mais sustentável a democracia participativa.
No nosso país já é significativo o número de pessoas que fazem esta opção de servir o bem comum a nível local, regional, nacional e/ou internacional. Com uma participação regular, estima-se que sejam mais de um milhão e meio, mas há muitos que o fazem de forma esporádica para responder a necessidades emergentes, cujo número é desconhecido. Urge rever a Lei, que enquadra o voluntariado português, para que se consigam criar mecanismos que levem a um melhor conhecimento deste sector. Há que gerar condições motivadoras para que aumente o número dos que, por via da prática do voluntariado, escolham ser cidadãos e cidadãs participativos.
A Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) tem vindo, com a colaboração de pessoas voluntárias de diferentes sectores da sociedade, a construir uma agenda para responder aos desafios, e consequentes oportunidades, que se colocam ao nosso país. Nenhuma Organização de voluntários, ou que os integrem no desenvolvimento da missão de cada uma, pode apenas centrar-se nas suas necessidades. Há que ter presente as diferentes políticas públicas e procurar agir em consonância com elas, para que se possam adaptar a cada realidade concreta. Ao agir, desta forma, cumprem-se três valores democráticos fundamentais: a equidade social, a solidariedade e a subsidiariedade. Creio que só assim as medidas públicas podem abranger os seus destinatários e terem os impactos necessários.
Vivemos tempos que exigem compromissos concretos e ninguém está dispensado de dar o seu contributo. É imperioso mobilizar cidadãos e cidadãs, de idades diferentes e de diversos sectores, bem como as instituições da sociedade civil, as empresas e as autarquias para que, de forma integrada e colaborativa, se implementem políticas públicas e contribuam para que outras sejam criadas acessíveis aos seus destinatários.
O voluntariado é, de certeza, um eixo estratégico para se alcançarem comunidades mais solidárias, inclusivas e resilientes.
Eugénio Fonseca, Presidente da Direção da CPV

