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Trata-se de um pilar no funcionamento de um país, e Portugal não é exceção. A Academia da Força Aérea dispensa apresentações, mas fique a conhecer alguns dos seus valores e projetos na formação dos seus oficiais.

A Academia da Força Aérea – AFA iniciou as suas atividades em fevereiro de 1978. Desde então já formou centenas de oficiais dos quadros permanentes da Força Área. Comecemos a nossa conversa por conhecer um pouco melhor o universo AFA, quais os valores que a têm guiado ao longo das décadas e de que forma têm contribuído para afirmar a AFA como uma instituição de ensino superior público universitário militar de referência nacional e internacional?

A AFA, enquanto Estabelecimento de Ensino Superior Público Militar, define-se pela procura constante de melhoria da qualidade na formação dos Oficiais do Quadro Permanente da Força Aérea.

Sustentada nas seculares tradições aeronáuticas, a AFA tendo vindo a adaptar-se, permanentemente, às exigências da nossa Instituição e às
transformações verificadas no Ensino Superior, sem nunca descurar os valores que nortearam a sua criação: o patriotismo, a integridade, a lealdade, a honra, o espírito de corpo, a excelência, a competência, a fidelidade e a disciplina, que ao longo de mais de 40 anos, têm definido os militares da Força Aérea e honrado a nossa divisa “Preparar hoje os Chefes do Amanhã”.

Atualmente, a AFA encontra-se no processo de conversão dos mestrados integrados em ciclos de estudos não integrados com dois ciclos, com o objetivo de acompanhar as melhores práticas pedagógicas emanadas pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior e proporcionar aos futuros Oficiais as qualificações e competências necessárias à gestão, operação e manutenção dos sistemas de armas, tecnologicamente sofisticados e complexos.


Simultaneamente, a AFA tem procurado dotar os futuros Oficiais do Quadro Permanente da Força Aérea, com uma formação e educação militar sólida e robusta, física e moralmente, essenciais ao desenvolvimento de qualidades de comando, direção e chefia, estimulando, ao mesmo tempo, o nosso espírito de entrega, de pertença e de liderança responsável, na procura do bem coletivo, consubstanciado na colaboração e na participação ativa com as demais Instituições de Ensino Superior nacionais e internacionais.

A AFA destaca-se pela excelência do seu ensino, formação, qualificação e investigação, em particular no domínio aeroespacial com interesse para a defesa. Presentemente, qual a oferta formativa disponibilizada pela AFA e de que forma assegura uma sólida formação científica em ciências de base, ciências militares e comando e liderança?

A oferta formativa da AFA é composta por cursos do ensino universitário, formação avançada através de pós-graduações e estágio técnico-militar destinados a civis e militares. No ensino universitário, a oferta engloba as licenciaturas e mestrados conducentes ao ingresso no Quadro Permanente de Oficiais da Força Aérea nas especialidades de Administração Aeronáutica, Engenharias Eletrotécnica, Aeronáutica e de Aeródromos, e Piloto Aviador. Além destes, os nossos alunos de Medicina são formados na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, com uma Formação Complementar (militar) na AFA. Paralelamente, o Centro de Investigação da Academia da Força Aérea (CIAFA) está envolvido em diversos projetos de desenvolvimento de tecnologias e sistemas empregues em aeronaves não tripuladas.

Às modernas instalações, dotadas de infraestruturas adequadas ao tipo de atividades desenvolvidas, equipa de profissionais dedicada e vasta oferta formativa, junta-se ainda a forte aposta nos equipamentos mais sofisticados e tecnologicamente mais inovadores. É esta aposta nas mais recentes tecnologias e equipamentos mais inovadores uma das principais facetas da AFA? De que forma a instituição
tem procurado manter-se na vanguarda da inovação?

Tal como qualquer instituição pública nacional, a AFA tem vindo a acompanhar a rápida evolução tecnológica dos nossos dias. Uma das linhas estratégicas da AFA é ter um sistema de ensino inovador. Por exemplo, tem em curso uma política de papel zero.

Na investigação, a AFA participa ativamente em projetos de vital importância para a segurança e defesa do país, nomeadamente com o recurso a Aeronaves não tripuladas. Estes projetos são, regra geral, desenvolvidos em parceria com universidades nacionais e internacionais de referência. A AFA continuará a traduzir-se no esforço e na prossecução de melhoria constante e de adaptação às novas circunstâncias
decorrentes das orientações estratégicas, em resposta à missão que estatutariamente lhe é cometida, sempre ao serviço das necessidades do País e dos seus cidadãos.

No domínio da internacionalização a AFA tem acordos de mobilidade com diversas instituições de ensino superior, através do intercâmbio
internacional de alunos, docentes e instrutores. Presentemente quais as parcerias estabelecidas e de que forma se afiguram uma importante ferramenta na preparação dos alunos para o ingresso nos quadros especiais?

Os cursos do ensino superior da AFA são ministrados em associação com o Instituto Superior de Economia e Gestão e com o Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa e ao abrigo de um protocolo com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Adicionalmente, a AFA é signatária da carta ERASMUS+ 2021-27 e participa ativamente no programa European Initiative for the Exchange of Military Young Officers, também conhecido como ERASMUS Militar. Em 2022/23, a AFA é uma das academias europeias a ministrar, pela primeira vez, o Semestre Internacional da Força Aérea que permitirá o intercâmbio de alunos entre os países signatários.

Neste âmbito, a AFA participa numa parceria estratégica com as suas congéneres Grega e Romena de forma a permitir a mobilidade de alunos Piloto Aviador entre as três Academias.

Enquanto instituição de ensino superior público militar, a AFA destaca- se ainda em diversos projetos de investigação científica, nacionais e internacionais, cooperando com diversas instituições públicas e privadas através do Centro de Investigação da Academia da Força Aérea. Fale-nos um pouco mais sobre esta unidade de investigação científica sediada nas instalações da AFA e quais os projetos já desenvolvidos neste âmbito?


O Centro de Investigação da AFA é uma unidade de I&D que apoia o ensino da AFA e desenvolve projetos de interesse para a Força Aérea. Desenvolve a sua atividade no domínio das Ciências Militares, tendo atividades e projetos em todas as subáreas das Ciências Militares, mas o seu foco principal é nas técnicas e tecnologias militares com aplicação ao domínio aeroespacial. Nos últimos anos, o Centro de Investigação da AFA tem participado em projetos de I&D nacionais e internacionais relacionados com sistemas aéreos não tripulados e o desenvolvimento de equipamentos de missão autónomos. É de salientar a participação no projeto nacional FIREFRONT, financiado pelo programa de Prevenção e Combate de Incêndios Florestais da Fundação para a Ciência e Tecnologia, que tem com objetivo desenvolver um
modelo de deteção automática, georreferenciação e estimativa de evolução de frente de fogo em incêndios florestais. A nível internacional, destaca-se a participação numa colaboração bilateral entre Portugal e Canadá, parcialmente financiada pela NATO, para o desenvolvimento de algoritmos e ferramentas de apoio à decisão para o combate a incêndios rurais com recurso a dados recolhidos por sensores eletro – óticos, infravermelhos e híper-espetrais.

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