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Maria Romão não acredita em acasos. Confia que a oportunidade surgiu quando tinha que surgir, no tempo certo, e com toda a naturalidade abraçou a paixão que já ardia em si “com uma imensa fé e consciência de que estava a fazer o que era certo”.

Quando se tem esta convicção, as oportunidades de fazer mais e melhor vão surgindo e “mais fácil se torna enfrentar e vencer os desafios que a vida vai colocando no caminho”, contou-nos. A designer de interiores compreende que para crescer é necessário ter “consciência, resiliência e certeza de que se é capaz”, porque “só alcança e só vence quem acredita!”, e nós não poderíamos estar mais de acordo. Mais do que preencher uma casa, é o trabalho de Maria Romão transformar quatro paredes num lar, o que significa que tem de pegar em objetos inanimados e fazer a sua magia para que estes transmitam conforto, acolhimento e intimidade. Aliás, o conceito de casa é o “canto” onde nos sentimos bem. “Como transmitir isso se todos temos noções tão diferentes sobre este assunto?”, questiona a designer, respondendo de seguida: “Para mim, sempre foi – e continua a ser – pedra basilar na minha vida o diálogo, o chegar perto, o tentar compreender quem está do outro lado. Quais os anseios, as necessidades, as carências, as tendências, o posicionamento do cliente face à vida. Sem esse sentir, sem essa perceção, a decoração torna-se um seguir de tendências, um ir atrás do que se usa, do que é moda, do que se viu no hotel onde se passou um dia, o copiar a casa do famoso que se viu na revista”.

Ou seja, “no fundo, este seguimento seria dar corpo a uma casa que não nos reflete, apenas segue o que outros nos ‘impõem’ como o ideal”. Ora, não é isto que Maria Romão concebe. “Ouvir o cliente, sentir quem temos à nossa frente e só depois aconselhar. Se o cliente tem ideias bem claras do que pretende, compete-me tão somente ajuda-lo a concretizá-las”. Aliás, “decoração é transformar o lugar de cada um no seu canto de encanto!” . Esta atenção na conceção de uma casa tem de abranger todas as divisões da mesma, as quais devem ser “trabalhadas com o coração, mas igualmente com a razão”. Há diversos fatores que se deve ter em conta num determinado espaço: a disposição da divisão, a localização das janelas, a luz, entre outros, e todos eles requerem uma análise cuidada e minuciosa. Maria Romão confessa-se uma “apaixonada pelo que é belo”, algo que “tanto pode ser uma peça clássica, como uma peça mais vanguardista”, mas é a simbiose destes vários estilos e conceitos que resulta num desafio que sempre fascinou a designer.

Quisemos saber quais foram os projetos em que colocou mais o seu coração. A designer de interiores teve dificuldades em eleger um só, uma vez que coloca “o melhor de si” em tudo o que faz. Dito isto, “pelo envolvimento fraterno e de cumplicidade com o cliente”, a Clínica DermAge, pertencente a Alexandra Osório, constitui “uma bênção de realização profissional” que a vida lhe proporcionou. Seja qual for o cliente, Maria Romão coloca o seu gosto pessoal de lado para compreender profundamente os desejos, sonhos e aspirações de quem tem à sua frente, de forma a deixá-los mais felizes do que como os encontrou. Esse também é motivo de grande felicidade pessoal para a designer “e nunca uma perda da sua identidade”. Sabendo que a recente pandemia de coronavírus obrigou muitos cidadãos a passarem mais tempo em casa do que nunca. Esse facto, aliado à própria introspeção que uma calamidade causa, terá despertado em muitos novas formas de olhar para a vida, para a casa, para a família, para a própria sociedade e para o mundo. Casa tornou-se também o local de trabalho e propiciou um novo olhar sobre a mesma. “Muitos sentiram a necessidade de tornarem o seu recanto mais harmonioso, mais atual, mais acolhedor, e isso refletiu–se nos pedidos de ajuda e nos projetos concretizados”.

Os olhos e as mentalidades cada vez se preocupam mais com “a sobrevivência da Humanidade e desta ‘casa que nos foi dada como habitação permanente, a qual tem de ser tratada e preservada o melhor possível”. Assim sendo, “a decoração e as tendências não podem (nem devem) contrariar o cada vez maior sentido de responsabilidade”, pelo que a designer algarvia vê “os profissionais da decoração mais notáveis a aliarem-se à ciência no sentido de se aproveitarem materiais, como plástico reciclado, e se fabricarem sofás ou móveis, por exemplo, com materiais mais amigos do ambiente e da saúde”. Maria Romão reitera: “A evolução da Humanidade e, como tal, do lar, será no sentido de nos rodearmos do mais saudável, do mais acolhedor, do mais sereno, tranquilo e belo, mas também do mais fácil em termos de manutenção, do mais simples e prático”. Restava-nos saber qual o feedback das suas concretizações até o dia de hoje e quais são os objetivos para o futuro. Maria Romão respondeu-nos que o seu “caminho pela decoração já vai longo”, mas deu o melhor de si e colocou tudo o que sabia e lhe foi possível “em cada atendimento, em cada conselho, em cada projeto”, pelo que se sente em paz consigo mesma. Quanto ao futuro, “serenamente continuarei a ouvir, a atender, a ajudar e a colocar o coração e a razão em cada um que de mim necessitar”.

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