: 25 de Setembro, 2026 Redação:: Comentários: 0

O mercado dos frutos secos é verdadeiramente global. Aquilo que acontece num pomar na Califórnia, no Chile, na China ou na Austrália acaba, mais cedo ou mais tarde, por chegar às decisões de um produtor português. A Europa é um dos grandes centros mundiais de consumo e transformação, mas continua dependente das importações para satisfazer as suas necessidades.

Na amêndoa, os Estados Unidos – sobretudo a Califórnia – mantêm um domínio muito expressivo, representando cerca de três quartos da produção mundial. A Austrália consolidou-se como segundo grande polo exportador, beneficiando também de uma colheita em calendário diferente do hemisfério norte. Na noz, o mapa é mais repartido: a China lidera a produção mundial, enquanto Estados Unidos e Chile mantêm posições muito relevantes no comércio internacional. Em Portugal, estamos em plena colheita, com uma produção significativamente melhor do que a registada nos últimos dois anos. Depois de duas campanhas difíceis, marcadas por condições menos favoráveis e resultados abaixo do potencial de muitos pomares, voltamos a sentir um ambiente mais positivo no campo. Há mais fruto, maior regularidade e, em muitos casos, boa qualidade.

Na noz, a situação é diferente. Apesar de uma recuperação produtiva, os preços continuam pouco interessantes e aquém do necessário para remunerar de forma adequada o investimento e o risco. A pressão da oferta internacional, com origens muito competitivas, condiciona o mercado europeu. É preciso conhecer o mercado, planear a comercialização e construir relações estáveis com clientes.

Portugal viveu, na última década, uma transformação profunda. A área de frutos secos cresceu muito depressa, com especial destaque para o amendoal de regadio. Em 6 anos a área de amendoal regado cresceu quase 70%, estando em 42 mil hectares atualmente, o que representa cerca de 65% da superfície total plantada. O país consolidou-se como o 2º maior produtor de amêndoa da União Europeia e integra o top 5 a nível mundial. Em 2025, as exportações para a UE atingiram novo máximo de 156 milhões de euros, e prometem continuar a crescer.

Estamos a entrar numa segunda fase. A primeira foi a da instalação e do crescimento rápido; esta terá de ser a fase do conhecimento, da eficiência e do valor acrescentado. Precisamos de reforçar a investigação aplicada, criar referências técnicas portuguesas, melhorar a formação das equipas e aproximar produtores, universidades, centros de competência, viveiristas, indústria e mercado.

Os frutos secos podem ser um novo ouro para Portugal, não por representarem uma riqueza fácil, mas porque combinam território, agricultura moderna, exportação e capacidade empresarial. O próximo passo é transformar o crescimento em consistência. Produzir melhor, com mais conhecimento, mais eficiência e mais mercado: é esse o caminho para que o sucesso desta fileira não seja apenas uma boa colheita, mas uma história duradoura.

Tiago Costa, Presidente da Portugal Nuts