Em entrevista à Mais Magazine, Rita Montalvão reflete sobre a evolução da RSA, marcada pela inovação e pela digitalização, sem nunca perder a proximidade com os clientes, defendendo uma advocacia mais estratégica e preparada para os desafios do futuro.
Como tem a RSA evoluído ao longo dos últimos anos e de que forma essa trajetória reflete a sua visão sobre o papel contemporâneo da advocacia em Portugal?
A RSA tem procurado afirmar, ao longo dos seus quase 30 anos, um modelo de advocacia empresarial assente em proximidade, visão estratégica, adaptabilidade e forte ligação à realidade económica dos clientes.
Mesmo sendo uma sociedade de média dimensão, sempre tivemos uma cultura de inovação muito marcada. Há mais de 20 anos já disponibilizávamos aos clientes uma plataforma digital de consulta online dos processos e implementámos modelos flexíveis de teletrabalho muito antes da pandemia.
Mais recentemente, temos vindo a apostar fortemente na modernização tecnológica e na integração de ferramentas de inteligência artificial, procurando ganhar eficiência sem perder aquilo que consideramos essencial: pensamento crítico, rigor técnico e proximidade ao cliente.
A nossa visão da advocacia é profundamente dinâmica. Hoje, os clientes não procuram apenas respostas jurídicas; procuram capacidade de decisão, visão de negócio e rapidez de execução. O advogado contemporâneo tem de conseguir mover-se com igual conforto nos planos jurídico, económico, regulatório e tecnológico.
A RSA sempre valorizou também a dimensão académica e formativa da profissão, através da publicação de conteúdos técnicos, livros e ações de formação. Fomos ainda pioneiros na criação de uma rede de advocacia de língua portuguesa, refletindo uma visão naturalmente internacional da profissão.
Num ano em que se celebram os 100 anos da Ordem dos Advogados, como interpretam a evolução do papel do advogado no reforço do Estado de Direito democrático em Portugal?
Os 100 anos da Ordem dos Advogados representam também 100 anos de afirmação da advocacia como um dos pilares do Estado de Direito democrático.
A RSA sempre valorizou essa dimensão institucional da profissão, tendo inclusivamente uma ligação histórica à Ordem dos Advogados através do seu sócio fundador, António Raposo Subtil.
Hoje, o advogado é chamado não apenas a representar ou litigar, mas também a prevenir risco, estruturar organizações, acompanhar investimento e participar ativamente na criação de estabilidade económica e institucional.
Essa evolução exige uma advocacia tecnicamente sólida, mas também mais versátil, interdisciplinar e preparada para lidar com contextos cada vez mais complexos e internacionais.
De que forma a RSA está a integrar inovação, digitalização e novas ferramentas tecnológicas na prática jurídica, garantindo simultaneamente rigor, ética e proximidade ao cliente?
Na RSA temos vindo a integrar ferramentas tecnológicas e soluções de inteligência artificial em várias dimensões da prática jurídica, procurando aumentar eficiência, capacidade analítica e rapidez de resposta.
Mas temos uma visão clara sobre este tema: a tecnologia deve potenciar o advogado, não substituí-lo. O pensamento crítico, a experiência, a sensibilidade estratégica e a relação de confiança continuam a ser insubstituíveis.
Estamos numa fase de forte aposta na modernização interna, mas procurando preservar aquilo que faz parte do ADN da RSA: uma advocacia próxima, personalizada e humana.
Ao mesmo tempo, temos procurado criar um ambiente de trabalho dinâmico, assente na adaptabilidade das equipas, no trabalho interdisciplinar entre estas e na diversidade de percursos, experiências e nacionalidades.
Olhando para o futuro da profissão, quais considera serem os principais desafios e oportunidades para os advogados em Portugal nas próximas décadas?
A advocacia enfrentará desafios particularmente exigentes nas próximas décadas: inteligência artificial, pressão sobre honorários, internacionalização dos mercados e crescente complexidade regulatória.
Mas esses desafios representam também uma enorme oportunidade de transformação da profissão.
Os advogados serão cada vez mais chamados a interpretar contextos complexos, integrar equipas multidisciplinares e acompanhar decisões empresariais em tempo real.
Ao mesmo tempo, acreditamos que continuará a existir espaço para sociedades que consigam combinar modernização, agilidade e proximidade, sem perder o sentido crítico, a ética e a dimensão humana da profissão.
Temos também uma forte aposta nas camadas mais jovens, enquanto fator essencial de renovação, energia e transformação da advocacia portuguesa.
O futuro da advocacia não será definido apenas pela tecnologia, mas pela capacidade de a utilizar sem abdicar da independência, da responsabilidade técnica e da confiança que estão no centro da relação advogado-cliente.

