: 25 de Setembro, 2026 Redação:: Comentários: 0

Cláudio Lopes, Presidente do Conselho Diretivo do Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores (IVVA), fala sobre os desafios da vitivinicultura regional e sobre o caminho a seguir para afirmar os vinhos açorianos além das ilhas.

Qual é o papel do Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores (IVVA) na garantia da qualidade, autenticidade e genuinidade dos vinhos produzidos na Região Autónoma dos Açores?

O Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores (IVVA), IPRA. executa as políticas públicas regionais para a vinha e o vinho e garante o cumprimento das regras do setor. Nos vinhos com DOP Biscoitos, DOP Graciosa, DOP Pico ou IG Açores, verifica a origem e a rastreabilidade, controlando vinhas, operadores, processos e rotulagem. A certificação conjuga controlo documental, vistorias, análise laboratorial e apreciação sensorial; só os produtos conformes podem usar a denominação e o selo de garantia. Enquanto organismo de certificação acreditado, o IVVA atua com imparcialidade e critérios verificáveis. Esta verificação assegura a conformidade, a autenticidade e a genuinidade, protege o consumidor e as denominações e dá ao produtor um instrumento de diferenciação e valorização.

De que forma o trabalho desenvolvido pelo Laboratório Regional de Enologia contribui para a certificação e valorização dos vinhos açorianos?

O Laboratório Regional de Enologia fornece a evidência analítica que sustenta o controlo e a certificação. Acreditado segundo a NP EN ISO/IEC 17025, realiza ensaios físico-químicos com métodos reconhecidos e resultados tecnicamente válidos. No processo de certificação, esses resultados conjugam-se com o controlo do organismo de certificação e com a apreciação sensorial da Câmara de Provadores. As análises e o aconselhamento técnico ajudam também a detetar desvios, acompanhar a evolução dos vinhos e fundamentar decisões enológicas. O Laboratório apoia ainda estudos e investigação, contribuindo para uma certificação rigorosa e para a melhoria e valorização dos vinhos da Região.

Cláudio Lopes, Presidente do Conselho Diretivo do Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores (IVVA)

Que importância assumem a ciência, o rigor analítico e a inovação na evolução da vitivinicultura dos Açores?

A experiência dos viticultores é indispensável e deve ser conjugada com conhecimento científico. Num arquipélago onde os solos, o clima e as condições de produção variam entre ilhas, a ciência ajuda a preservar o património vitícola, garantir a pureza varietal e a sanidade, caracterizar os solos e compreender a evolução da vinha e do vinho. O rigor analítico dá-nos informação objetiva para decidir. A inovação transforma esse conhecimento em melhores práticas, monitorização, experimentação e maior eficiência. Não se trata de uniformizar os vinhos, mas de reduzir riscos, reforçar a consistência e adaptar a produção às alterações climáticas, mantendo a identidade de cada ilha.

Quais são atualmente os principais desafios do setor vitivinícola açoriano e que perspetivas existem para a sua afirmação nos mercados nacionais e internacionais?

Os principais desafios decorrem, em grande medida, da nossa condição insular: os custos de transporte e logística, a dispersão da produção por várias ilhas, a pequena dimensão de muitas empresas e a dificuldade em garantir uma oferta regular e em chegar aos canais de distribuição adequados. Acrescem a escassez de mão de obra qualificada e a necessidade de adaptar a viticultura às alterações climáticas. Temos, contudo, argumentos muito fortes: castas tradicionais, solos vulcânicos, paisagens vitícolas únicas e vinhos de grande identidade e qualidade. Os Açores não devem competir pelo volume, mas pela origem, diferenciação e valor. O futuro passa por reforçar a qualificação, a resiliência produtiva, o enoturismo, o conhecimento dos mercados e uma promoção externa orientada para oportunidades comerciais concretas. Ao IVVA cabe apoiar tecnicamente o setor, valorizar a origem e aproximar os produtores dos mercados, criando condições para um crescimento sustentável. Vemos, por isso, boas perspetivas de afirmação dos vinhos açorianos, tanto no mercado nacional como nos mercados internacionais.