A aposta nos frutos secos está no centro da estratégia de crescimento da Bolschare. Em entrevista à Mais Magazine, Pedro Foles, CEO da empresa, fala sobre o potencial de Portugal, a inovação na agricultura e os desafios do setor.
A Bolschare tem vindo a afirmar-se como uma referência na gestão de ativos agrícolas na Península Ibérica, com uma forte aposta na amêndoa e noutros frutos secos. Como caracteriza atualmente a presença e o posicionamento da empresa no mercado português e qual é o papel que Portugal, e em particular o Alentejo, desempenha na estratégia de crescimento da Bolschare?
A Bolschare tem apostado fortemente nos frutos secos ao longo dos últimos anos. Atualmente, gerimos várias culturas em diferentes geografias, tanto em Portugal como em Espanha. Temos uma forte predominância na comercialização de amêndoa a granel, mas trabalhamos também com noz e pistácio, sobretudo ao nível da componente industrial. Para nós, Portugal é um mercado fundamental e estratégico para o crescimento da empresa, uma vez que reúne condições muito favoráveis para a realização de novos investimentos. Temos encontrado, sobretudo, boas condições de disponibilidade de água, que nos permitem desenvolver projetos de frutos secos, bem como disponibilidade de terra em zonas climaticamente adequadas a estas culturas. Temos procurado diversificar a nossa presença entre o Sul de Portugal e a região da Beira, em particular a Beira Baixa, onde temos atualmente várias explorações.
Considerando a crescente procura mundial por amêndoa e os desafios associados à gestão de recursos como a água, de que forma a Bolschare utiliza a inovação e a tecnologia para tornar os seus projetos de agricultura e energia mais eficientes e sustentáveis?
Utilizamos um conjunto alargado de equipamentos e tecnologias, desde sondas e estações meteorológicas a robôs e drones, que nos permitem monitorizar de forma cada vez mais rigorosa as necessidades das culturas. Esta tecnologia permite-nos adaptar a utilização da água às necessidades específicas de cada cultura e de cada parcela, tornando a rega mais eficiente e permitindo-nos otimizar os recursos hídricos disponíveis. É uma abordagem que contribui simultaneamente para uma maior eficiência produtiva e para uma gestão mais sustentável dos recursos.
A evolução da fileira dos frutos secos em Portugal tem sido marcada pela modernização das explorações, pela adoção de novas tecnologias e por modelos de produção cada vez mais eficientes. Na perspetiva da Bolschare, quais foram os principais fatores que permitiram à amêndoa portuguesa ganhar escala e competitividade e que vantagens oferece Portugal face a outros grandes produtores mundiais? Que oportunidades identifica a Bolschare para Portugal nos próximos anos e o que será necessário fazer para consolidar o país como um dos grandes players mundiais dos frutos secos?
A Bolschare tem vindo a apostar fortemente, na Península Ibérica, no setor dos frutos secos, uma vez que esta região reúne condições muito favoráveis para o desenvolvimento destas culturas, nomeadamente em termos de disponibilidade hídrica e de condições climáticas. Estes são fatores fundamentais para o crescimento de Portugal neste setor e para a produção de uma amêndoa com características e qualidade muito interessantes. Além disso, o enquadramento regulamentar europeu constitui uma vantagem importante, na medida em que facilita o acesso a determinados mercados que não estão necessariamente ao alcance de todos os grandes produtores mundiais. Vamos continuar a apostar nos frutos secos, em paralelo com as restantes culturas que integram a nossa atividade, com particular destaque para o olival, tanto em Portugal como em Espanha.

