: 25 de Setembro, 2026 Redação:: Comentários: 0

Temos uma agricultura cada vez mais moderna e produtiva, com agricultores e produtores competentes. Nem sempre temos a perceção da qualidade do nosso sistema alimentar e agrícola que foi distinguido recentemente, pelo Economist, como o mais resiliente do mundo, numa avaliação a 60 países, com 71 indicadores. É um reconhecimento internacional extraordinário do trabalho dos nossos agricultores, pescadores, produtores, cooperativas, indústria agroalimentar e de todos os que diariamente garantem alimentos de qualidade, sustentabilidade, inovação e criação de valor no território.

Portugal afirma-se cada vez mais pela qualidade, segurança e resiliência da sua produção como prova a evolução da fileira dos frutos e nomeadamente dos frutos secos, que são sinónimo de crescimento e da boa utilização dos nossos recursos naturais e da nossa capacidade. A amêndoa é mais um bom exemplo. Portugal é hoje o segundo maior produtor europeu e o quinto maior produtor mundial. Entre 2016 e 2025, a produção cresceu 849% e o país tornou-se um exportador com mais de 115 milhões de euros em vendas externas. A produtividade passou de 277 quilos por hectare para 1.109 quilos por hectare. Este salto resulta da modernização dos pomares, da mecanização, das novas variedades e da profissionalização do setor.

Cerca de 30% da área nacional desta cultura está hoje instalada na zona de influência de Alqueva. Hoje, até países do Norte da Europa reconhecem a importância de armazenar a água e que tal significa competitividade, coesão, sustentabilidade ambiental e futuro. A água gerida de forma inteligente permite planear, investir e competir. Por isso afirmo que o projeto Água que Une é um desígnio nacional em execução e um dos projetos mais estruturantes para Portugal. Sem disponibilidade de água, não há agricultura moderna, estabilidade produtiva, previsibilidade, nem capacidade de resposta num contexto climático cada vez mais exigente.

Mas a força da fileira não se esgota na amêndoa. A castanha mantém a sua liderança histórica no Norte e na Beira Interior. A noz apresenta produtividades muito elevadas e um potencial económico significativo. A avelã cresce. No Algarve, a alfarroba e o figo mostram como a agroindústria pode transformar tradição em valor acrescentado. Os frutos secos são hoje uma das culturas com maior potencial de exportação, resultado de uma agricultura mais moderna, sustentável e competitiva.

E é precisamente porque chegámos aqui que não podemos ignorar os desafios. A afirmação internacional da fileira exige que olhemos de frente para a volatilidade dos mercados, para a concorrência de grandes produtores mundiais, para os custos de produção e alterações climáticas. Tal implica investimentos na água e por isso, insisto, avançamos para a estratégia Água que Une, estamos a desburocratizar, aumentámos o apoio ao rendimento dos agricultores, duplicámos o apoio para os jovens agricultores, insistimos na investigação para soluções eficazes e acessíveis, propusemos um mecanismo europeu de resseguros, defendemos uma política agrícola comum robusta onde o investimento seja reforçado, e queremos uma Europa aberta, mas que exija reciprocidade nas relações comerciais.

Portugal é capaz. A fileira dos frutos secos é uma das provas. Representa ambição, trabalho, resiliência e competência. Portugal tem capacidade de competir ao mais alto nível e de conquistar o seu lugar entre os melhores do mundo em vários domínios, nomeadamente na agricultura. Para isso, a produtividade e competitividade têm de andar de mãos dadas com a coesão territorial e social e com a sustentabilidade ambiental.

José Manuel Fernandes, Ministro da Agricultura e Mar