Luís Loures, Presidente do Instituto Politécnico de Portalegre, destaca a aposta da instituição em quatro novas licenciaturas e um mestrado para o próximo ano letivo, reforçando uma oferta formativa alinhada com as necessidades do território, das empresas e dos desafios do futuro.
Como descreveria o IP Portalegre e o que distingue esta instituição no panorama do ensino politécnico em Portugal?
Eu descreveria o Politécnico de Portalegre como uma instituição de ensino, investigação, transferência de tecnologia, e de excelência, com um impacto regional muito forte e com uma abrangência global.
Aquilo que distingue o Politécnico de Portalegre no panorama nacional é uma formação muito aplicada, baseada em conceitos específicos ao nível da inovação pedagógica; Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL) e Aprendizagem Baseada em Projetos (PBR); mas também uma formação muito ligada ao tecido empresarial, onde os alunos usufruem de um ecossistema próprio, que está internalizado no Politécnico através das suas incubadoras.
No próximo ano letivo vão lançar quatro novas licenciaturas e um mestrado. Que áreas abrangem e a que necessidades pretendem responder?
Os novos cursos pretendem responder à nossa missão estratégica de desenvolvimento de competências, não só para o tecido empresarial regional, mas também para o país.
Por exemplo, no que se refere aos cursos de Gestão de Recursos Humanos e de Línguas Aplicadas em Comunicação Digital, o que nós estamos a falar são questões específicas ligadas à criação de fileira e oferta formativa regional.
Engenharia Química e Biológica: são áreas em crescente nesta região do ponto de vista industrial, muito ligadas, numa primeira fase, ao setor primário, mas agora também aos setores da economia circular e da sustentabilidade, que entendemos que são fundamentais e que é preciso podermos formar estes profissionais no território, para conseguir depois fixá-los e dar esta resposta específica. Naquilo que diz respeito à questão da licenciatura de Som e Imagem, estamos a falar da identificação de uma lacuna de mercado, que não é só nossa, a nível regional, mas que é do mercado nacional e internacional em franco crescimento.
O mestrado em Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico e de Matemática e Ciências Naturais no 2.º Ciclo do Ensino Básico é uma questão mais concreta. Estamos a responder a um desígnio nacional: é preciso continuar a formar professores; capacitar mais estudantes para o mercado, a esse nível.

De que forma o IP Portalegre tem reforçado a ligação às empresas e criado mais oportunidades para os estudantes?
Temos um conjunto de protocolos muito significativo com empresas em todas as áreas de educação e formação que ministramos no Politécnico. Porque acreditamos num ensino prático e aplicado, em que o aluno, para além de uma formação teórica, consistente e robusta, sabe efetivamente aquelas que são as áreas e as matérias onde tem de atuar, do ponto de vista profissional.
Aliás, nós integramos a Universidade Europeia EU4DUAL, que tem esse princípio – o princípio da educação dual – em que o aluno, ao longo do seu processo de ensino-aprendizagem, na universidade, tem um contacto direto e imersivo dentro do tecido empresarial (empresas e indústria).
Esta relação foi muito ampliada pelo modelo de ensino e aprendizagem que nós desenvolvemos, e pelo facto de termos incubadoras de empresas próprias focadas em diferentes áreas do conhecimento.
Note-se que há uma parte significativa dos nossos estudantes, superior a 90%, que encontra emprego na sua área de formação nos primeiros três meses! Não estamos a falar de um emprego qualquer. Estamos a falar de um emprego na respetiva área de formação. É algo que tem um impacto significativo e resulta desta proximidade grande com o tecido empresarial.
A atração de alunos é um desafio crescente. Que estratégias têm adotado para captar estudantes nacionais e internacionais?
A atração dos alunos, quer a nível nacional, quer a nível internacional, resulta muito do nosso posicionamento e da forma como comunicamos a excelência da oferta formativa do Politécnico. E depois, também, está muito associada à questão da reputação institucional, que advém de um conjunto alargado de atividades.
Não é por acaso que nós começámos, há três anos, a desenvolver uma iniciativa a que designámos “Politécnico de Excelência”, onde premiamos o mérito em todos os cursos, do Politécnico. Porque só podemos ser os melhores se reconhecermos o trabalho dos melhores. É isso que fazemos, e que até à data tem sido diferenciador, porque os nossos estudantes sabem que queremos os melhores, mas que também criamos as condições necessárias para que possam utilizar todo o seu potencial.

Qual é a sua visão para o futuro do IP Portalegre e quais são as principais metas para os próximos anos?
A minha visão é continuarmos este percurso de afirmação do Politécnico de Portalegre, enquanto instituição de Ensino Superior de Excelência, muito ligada ao seu território e que é capaz de responder não só aos desafios da região, mas também aos grandes desafios societais. Quando nós estamos, neste momento, a abordar novas áreas do conhecimento, – como as áreas da Defesa, do Aerospacial, do Espaço – não estamos só a responder a um desafio da região Alentejo; estamos a responder a um desafio que é do país e do mundo, mas que nós entendemos que temos condições – competência, indústria, capacidade instalada – para poder fazê-lo.
Quando criamos, no IP Portalegre, um doutoramento em Agricultura Sustentável, fazemo-lo porque sabemos que a produção primária/a produção agrícola é fundamental para a nossa autonomia e também independência nacional, porque somos um país em muitas áreas deficitário, ao nível daquilo que é a produção primária, mas também sabemos que temos de produzir de forma sustentável, com o menor impacto ambiental, a pensar nas pessoas, com um maior retorno económico. Quando olhamos para a situação global de uma guerra no Médio Oriente… tivemos um incremento de cerca de 50% no custo dos fertilizantes! Tem um impacto direto. E, por isso, o Politécnico, quando se posiciona com um doutoramento em Agricultura Sustentável e outro em Economia Circular, que promovem investigação que pode levar ao desenvolvimento de novos fertilizantes biológicos, dando resposta às necessidades do setor e permitindo aumentar a nossa independência, está a fazer um trabalho que é fundamental para a região e para o país.
Por sua vez os doutoramentos em Economia Circular, e em Hidrogénio e Gases Renováveis, representam a afirmação de áreas emergentes, que não se cingem à região de Portalegre, são objetivos e desideratos nacionais e internacionais.
Veja-se, por exemplo, a questão da economia circular: é uma das apostas fortes da Comissão Europeia; a questão das energias renováveis e da nossa independência energética!
E, por isso, o posicionamento do Politécnico de Portalegre/a minha visão para o futuro é: que sigamos este caminho de afirmação institucional, sempre dando resposta às necessidades da região e do país. Porque só podemos ser relevantes, se formos relevantes para o conjunto, independentemente do nosso papel – que é a excelência da nossa oferta formativa e da nossa investigação – nunca seremos verdadeiramente significativos se não o formos com os outros.

