Da investigação em Tecnologias Sem Fios, Ótica e Fotónica, Ciências de Dados e da Informação, Redes de Comunicações e Ciências de Base e Tecnologias de Suporte, o Instituto de Telecomunicações (IT) transforma conhecimento científico em inovação com impacto. Com uma forte ligação à academia, à indústria e a uma extensa rede de parceiros nacionais e internacionais, contribuindo para responder aos grandes desafios tecnológicos e societais do presente e do futuro.
Num mundo cada vez mais conectado e dependente da tecnologia, a investigação científica assume um papel essencial na construção do futuro. É neste contexto que se afirma o Instituto de Telecomunicações (IT), uma organização privada, sem fins lucrativos e de utilidade pública, que resulta da parceria de nove instituições com experiência em investigação e desenvolvimento. A sua missão passa por criar e disseminar novo conhecimento e apoiar a formação avançada no vasto domínio das Tecnologias de Informação, Comunicações e Eletrónica (TICE), com especial ênfase nas Telecomunicações. Como Laboratório Associado, o IT desenvolve investigação fundamental e aplicada, a nível nacional e internacional, procurando responder aos principais desafios societais através de uma abordagem interdisciplinar. A transferência de conhecimento para a indústria, a colaboração com diferentes parceiros e a promoção da literacia científica fazem também parte da sua atividade, reforçando a ligação entre ciência, tecnologia e sociedade.
Uma história de inovação em Portugal
A história do IT remonta a 1992, num período em que o Programa Ciência deu um importante impulso à investigação científica nacional. Foi neste contexto que vários professores uniram esforços para criar infraestruturas, equipas e laboratórios especializados, lançando as bases de uma instituição destinada a aproximar a investigação académica e o tecido empresarial. Desde então, o IT tem vindo a consolidar uma ampla rede de parceiros. Entre os seus associados encontram-se o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Aveiro, a Universidade de Coimbra, a Universidade da Beira Interior, a Universidade do Porto, o Instituto Universitário de Lisboa e a Universidade de Leiria e Oeste, bem como as empresas Altice Labs e Nokia Solutions and Networks. Esta diversidade permite reunir diferentes competências e perspetivas, criando condições para desenvolver investigação com aplicação em múltiplos setores.
Ao longo do seu percurso, o IT tornou-se também um espaço de formação e desenvolvimento para várias gerações de investigadores, engenheiros e estudantes. A ligação entre investigação, formação avançada, parceria com empresas e indústria, permanece, hoje, no centro da atividade do IT.
Cinco áreas que estruturam a investigação
A investigação do IT está organizada em cinco grandes áreas temáticas, que representam diferentes dimensões da sua atividade científica e que se encontram interligadas através de temas orientados para aplicações concretas: Tecnologias Sem Fios, Ótica e Fotónica, Ciências de Dados e da Informação, Redes de Comunicações e Ciências de Base e Tecnologias de Suporte. Nas Tecnologias Sem Fios, o trabalho centra-se no desenvolvimento de soluções de comunicação sem fios cada vez mais eficientes, rápidas e robustas, dos componentes aos sistemas. Esta área abrange diferentes dimensões dos sistemas wireless, contribuindo para a evolução das redes, a distribuição de energia, os sistemas de defesa e sistema para o espaço. A Ótica e Fotónica assume igualmente uma importância estratégica, reunindo investigação relacionada com tecnologias óticas e fotónicas, as suas aplicações em comunicações, desenho de componentes e componentes fotónicos, sistemas de comunicação e segurança quânticos e sensores óticos passivos. Na área de Ciência de Dados e da Informação, o IT trabalha em duas áreas fundamentais, o reconhecimento de padrões e aprendizagem automática, com aplicações nos sistemas de linguagem automática, algoritmos de IA, aplicações biomédicas entre outras, e o processamento de sinais multimédia, com novas formas de codificação e deteção de fraudes em imagem digital, entre outros. As Redes de Comunicações respondem a um dos grandes desafios da sociedade digital: garantir infraestruturas de comunicação capazes de suportar um número crescente de utilizadores, dispositivos e serviços. A investigação nesta área contribui para o desenvolvimento de redes mais eficientes, com maior capacidade, flexíveis e preparadas para novas formas de conectividade, como a conectividade entre veículos (carros e drones), e a sensorização de cidades.
Por sua vez, as Ciências de Base e Tecnologias de Suporte reúnem conhecimentos fundamentais que sustentam muitas das restantes áreas de investigação, assim como exploram áreas de investigação fronteira que podem vir a contribuir para o desenvolvimento de novas tecnologias e para a evolução das telecomunicações. Esta estrutura permite ao IT trabalhar de forma transversal, cruzando diferentes áreas científicas para responder a problemas societais que, cada vez mais, exigem soluções multidisciplinares.
Da investigação ao impacto societal
Mais do que produzir conhecimento científico, o objetivo do IT passa por garantir que esse conhecimento pode contribuir para transformar a sociedade. É por isso que o IT identifica um conjunto de áreas de impacto societal que refletem alguns dos grandes desafios tecnológicos e estratégicos. Entre elas encontram-se os Sistemas e Redes de Comunicação, 6G e Beyond 6G, Sistemas Espaciais e de Defesa, Tecnologias Quânticas, Mobilidade Inteligente, Tecnologias de Sensing e Sociedade Inteligente, Machine Learning aplicado ao processamento de linguagem e imagem, controlo de redes e reconhecimento de padrões, Cibersegurança e saúde. Como exemplo de cooperação entre a investigação e a sociedade, destaca-se o “Aveiro Living Lab”, uma infraestrutura suportada por 16 km de fibra ótica que cobre a cidade de Aveiro e interliga 44 postes inteligentes, equipados com sistemas de comunicação e sensorização. A infraestrutura permite recolher dados sobre o trânsito e a mobilidade urbana, envolvendo veículos, pessoas e sensores, e testar tecnologias de comunicação em contexto real.
“O Instituto de Telecomunicações liga pessoas, universidades e empresas para criar conhecimento e tecnologia com impacto. Nas comunicações, mobilidade inteligente, tecnologias quânticas, inteligência artificial, cibersegurança, espaço e defesa, os nossos investigadores trabalham para antecipar o futuro e responder a desafios concretos da sociedade. Há mais de três décadas que somos uma referência internacional. Com laboratórios de excelência e uma comunidade multicultural e vibrante, queremos continuar a atrair jovens com a ambição, a curiosidade e a vontade de construir connosco a ciência e a tecnologia do futuro.”
Prof. Armando Nolasco Pinto, Presidente do Instituto de Telecomunicações
Tecnologia para um setor estratégico
Entre estas áreas, algumas têm vindo a assumir um um lugar de particular destaque, como são exemplo o espaço e a defesa. O desenvolvimento de tecnologias para aplicações espaciais e de defesa exige conhecimento altamente especializado e a capacidade de combinar diferentes áreas científicas e tecnológicas, tais como: antenas e propagação, tecnologias óticas, comunicações quânticas, networks e serviços, entre muitas outras. A lista é extensa. A investigação desenvolvida neste domínio do espaço e da defesa abrange tecnologias relacionadas com comunicações seguras, as redes resilientes, tecologias de sensing como radares, lidares, entre outras soluções com potencial de aplicação em sistemas espaciais e de defesa. Nestas áreas o IT tem participado em projetos ligados ao setor espacial, como o ISTsat-1, o primeiro CubeSat português, desenvolvido no âmbito do programa “Fly Your Satellite” da Agência Espacial Europeia, soluções de cibersegurança e, mais recentemente, o projeto conjunto com a LusoSpace de colocação de satélites no espaço. A experiência adquirida através deste tipo de iniciativas contribui para reforçar competências nacionais numa área tecnológica de elevada complexidade. A aposta neste setor mantém-se particularmente relevante. “O Observatório Espacial de Pampilhosa da Serra” (PASO), uma parceria entre o IT, o Ministério da Defesa Nacional e a Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra, que integra três sensores complementares: um radiotelescópio, um radar e um telescópio ótico, e que se propõe a integrar a rede nacional e europeia de sensores de vigilância e rastreio espacial (SST).
Ciência com aplicação no mundo real
A investigação do IT procura responder a desafios concretos através de projetos que aproximam ciência, tecnologia e sociedade, testando soluções inovadoras em contextos reais. O objetivo é criar conhecimento que possa ultrapassar os limites do laboratório e gerar novas soluções, mais inovadoras e mais sustentáveis. Esta filosofia está também presente na relação do IT com o tecido empresarial e na gestação de spin-offs a partir de ideias desenvolvidas pelos seus grupos de investigação. Entre os exemplos apresentados pelo IT encontram-se a BITalino, CardioID, Is4health, MyDidimo, PICadvanced, PLUX, Streambolico, TWEVO, Veniam’Works, Watgrid,Wavecom, Lampsy Health e Gandara.Estes casos demonstram o potencial de criar pontes entre o conhecimento produzido pelos investigadores e as necessidades do mercado.
Uma equipa em permanente evolução
O IT reúne uma comunidade diversificada de investigadores, engenheiros, estudantes e profissionais especializados, distribuída por uma estrutura multipolar, com vários polos e delegações no país. Esta diversidade de competências é um dos elementos que sustenta a capacidade de investigação e colaboração do IT. Num setor em constante evolução, o IT mantém também uma aposta contínua na atração de novos talentos, essenciais para reforçar as suas equipas, trazer novas perspetivas e responder aos desafios tecnológicos do futuro.
Uma comunidade científica orientada para o futuro
A dimensão da atividade do IT reflete-se também na sua produção científica e nas infraestruturas disponíveis para investigação. Atualmente, o IT apresenta 16 clusters de investigação, 8.000 m² de instalações laboratoriais, 355 parceiros internacionais e 281 patentes. Os seus indicadores científicos incluem ainda milhares de publicações, teses e patentes: 7.778 artigos publicados em revistas científicas, 11.588 artigos em atas de conferências, 795 teses de doutoramento e 4.392 dissertações de mestrado concluídas. Estes números refletem a dimensão da atividade científica desenvolvida pelo IT e o seu compromisso com a investigação e a formação de novas gerações de especialistas. Num contexto em que novas tecnologias surgem a um ritmo acelerado, o desafio passa não apenas por acompanhar a evolução, mas também por antecipá-la. Das comunicações wireless à fotónica, da inteligência artificial às tecnologias quânticas, da mobilidade inteligente à cibersegurança e do espaço à defesa, o IT procura desenvolver hoje o conhecimento e as tecnologias que poderão moldar a sociedade de amanhã.
Ao aproximar ciência, inovação, academia e empresas, o IT afirma-se como uma ponte entre o conhecimento e a aplicação prática. Uma missão que se traduz na criação de novas soluções, na formação de talento e no contributo para uma sociedade mais conectada, inteligente, segura e preparada para os desafios tecnológicos do futuro.