Num momento em que a volatilidade dos preços dos combustíveis e a transição energética transformam a mobilidade corporativa, José Pedro Pinto, Diretor-Geral da Arval Portugal, revela à Mais Magazine como a Arval Portugal está a ajudar empresas a antecipar custos, adotar veículos elétricos e simplificar a gestão de frotas.
De que forma a atual volatilidade dos preços dos combustíveis tem influenciado as decisões de mobilidade dos clientes da Arval, e que fatores explicam a crescente procura por soluções com custos mais previsíveis? Como tem a Arval adaptado a sua oferta a esta nova realidade?
O atual contexto de forte volatilidade dos preços dos combustíveis terá certamente influência nas decisões de mobilidade. Será tanto maior, quanto mais tempo durar esta crise. Os clientes — sejam empresas ou particulares — valorizam a previsibilidade. Querem naturalmente evitar custos não orçados e simplificar a gestão das suas frotas. Isto poderá favorecer a substituição de viaturas a combustão por elétricas. Depois há outro fator muito relevante: a sustentabilidade. Cada vez mais empresas têm metas de ESG bem definidas e a transição energética passou a ser uma prioridade.
Na Arval, acompanhamos e promovemos a eletrificação das frotas. Trabalhamos lado a lado com os clientes para definir estratégias — por exemplo, através da nossa abordagem consultiva Arval STAR — e ajudamos não só na escolha das viaturas, mas também em tudo o que envolve a transição, desde soluções de carregamento até à formação dos condutores.

Qual é hoje o papel do renting na gestão financeira das empresas em Portugal, e que vantagens competitivas apresenta face à aquisição tradicional de viaturas?
Hoje o renting já não é visto apenas como uma forma de financiar carros — é uma solução completa de mobilidade. Os clientes aderem cada vez mais ao renting, pela sua competitividade e simplicidade: têm uma mensalidade fixa que inclui praticamente tudo — manutenção, seguros, pneus, impostos — e isso dá uma enorme previsibilidade. Comparando com a compra, há outras vantagens muito claras: não há necessidade de imobilizar capital, nem preocupações com a desvalorização da viatura. Este é um risco que fica do lado da locadora, num contexto de forte evolução tecnológica do setor automóvel. Também facilita a transição energética. Permite renovar as frotas com mais frequência e aceder a soluções completas — desde a viatura elétrica até ao carregamento. Por tudo isto, diria que o renting é hoje uma ferramenta para as empresas controlarem melhor os seus custos, ganhar flexibilidade e prepararem-se para o futuro.
No contexto da transição energética, como é que a Arval tem contribuído para a descarbonização das frotas e para a adoção de veículos mais sustentáveis?
A eletrificação é uma realidade. Este ano, 24% dos veículos ligeiros de passageiros matriculados em Portugal são elétricos. Queremos ter um papel central nesta transição e dar o exemplo. Há cerca de 2 anos, tomámos a decisão de renovar a nossa frota interna por veículos elétricos. Mas reconheço que ainda existem dúvidas no mercado e até alguma resistência. É aqui que o aconselhamento faz toda a diferença. Trabalhamos muito na formação dos condutores e no apoio às empresas e gestores de frota, ajudando a identificar a melhor solução para cada caso.
Depois há a questão do carregamento, que é fundamental. A nossa oferta inclui soluções para casa, para o local de trabalho ou para acesso à rede pública. No final dos contratos de aluguer, quando vendemos os nossos veículos elétricos e híbridos Plug In no mercado de usados, apresentamos o certificado de saúde das baterias. Isso reforça a confiança dos nossos clientes, até porque praticamente todas as nossas viaturas, com 4 anos de antiguidade, mantêm pelo menos 92% da autonomia inicial.
A nossa ambição é tornar a mobilidade elétrica o mais simples, acessível e transparente possível.


Que principais tendências estão já a marcar o mercado português de renting automóvel e que perspetivas antevê a Arval para os próximos anos?
Acreditamos que a venda de viaturas novas não terá um grande crescimento nos próximos tempos. Mas, o Renting vai continuar a crescer. Os portugueses valorizam cada vez mais a usabilidade em detrimento da propriedade. Mas a penetração do renting, na venda de novas viaturas em Portugal, ainda é relativamente baixa. Ronda os 16%, comparado com 25%, na maioria dos restantes países europeus. Nos centros urbanos, as novas gerações tendem a procurar outras soluções de mobilidade. Por esta razão é importante alargar o âmbito do renting, para além do automóvel. Na Arval já temos renting de e-bikes ou soluções de car-sharing.
Que desafios e oportunidades identifica para o setor do leasing e renting em Portugal, tendo em conta as metas de neutralidade carbónica e as mudanças no comportamento dos consumidores?
Há vários desafios, principalmente ligados à transição energética. A infraestrutura de carregamento ainda não é perfeita. Há questões ao nível da habitação e dos locais de trabalho, e também ainda existe alguma falta de informação — por exemplo, sobre o custo total de utilização. Mas, ao mesmo tempo, o mercado está a evoluir muito rapidamente. Os veículos elétricos têm vindo a crescer de forma consistente — em Portugal, passaram de cerca de 3% para 24% das vendas em apenas cinco anos. E do lado das empresas vemos o mesmo: cada vez mais estão a integrar veículos elétricos nas suas frotas ou a planear fazê-lo nos próximos anos.
Por isso, apesar dos desafios, há uma grande oportunidade. O renting tem um papel muito importante aqui, porque facilita esta transição — reduz o risco, simplifica a adoção e ajuda as empresas a avançar mais rapidamente. E é exatamente aí que queremos continuar a estar: como parceiro nesta mudança.

