: 13 de Março, 2026 Redação:: Comentários: 0

O Decreto-Lei nº 142/2004, de 11 de junho de 2024, define termalismo como “o uso da água mineral natural e outros meios complementares para fins de prevenção, tratamento, reabilitação ou bem-estar”. Desta forma, a lei consagra o termalismo como um fenómeno de Saúde. Acrescente-se a este propósito que na definição de Saúde da Organização Mundial de Saúde (estabelecida há já quase 8 décadas) está incluída a componente de “bem-estar” (físico, psíquico e social).

Quer isto dizer que promover o termalismo, mesmo na sua vertente “lúdica”, constitui uma acertada estratégia de Saúde. Não podemos defender a Saúde, a Vida, sem manter um foco muito especial na água. A água faz parte de nós. Desde a nossa gestação; na nossa constituição; em todos os nossos processos fisiológicos. Falamos muitas vezes na distribuição da água no nosso planeta: nos oceanos e mares, nos glaciares, nos lagos e rios, no subsolo. Pois bem, não nos podemos esquecer que a água na Terra também está presente nos seres vivos e, de entre eles, na espécie humana.

Estamos, pois, intimamente ligados a um ecossistema global, podendo sofrer as consequências dos seus desequilíbrios, das suas agressões. Há muitos séculos, diria mesmo que ancestralmente, ganhámos consciência desta realidade. Todavia, parece que muitas vezes a Humanidade esquece a sua Natureza e comete actos de autêntica “autoflagelação” ao esquecer quão preciosa é a água, a sua preservação, a sua sustentabilidade. Por isso, para que esta memória não seja curta, comemoramos o “Dia Mundial da Água”, pela primeira vez, formalmente proposto, na Agenda 21 da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, realizada no Rio de Janeiro. Em dezembro desse ano, a Assembleia Geral das Nações Unidas adoptou a resolução A/RES/47/193, pela qual 22 de março de cada ano foi declarado Dia Mundial da Água. O documento, considerado como “Declaração Universal dos Direitos da Água”, apresentava medidas, sugestões e informações para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes.

Hoje, neste editorial, acrescento a essas sugestões a defesa do termalismo. Defender o termalismo é defender a água, o clima, o meio ambiente. Do qual somos parte integrante e interactuantes. Defender as águas minerais naturais, os seus aquíferos, os seus perímetros de protecção, as zonas de recarga, a sua sustentabilidade é defender a Saúde. É poder proporcionar a milhões de cidadãos benefícios de Saúde.

Urge uma maior consciencialização destes benefícios. Faz todo o sentido uma política estruturada da actividade termal, dando aliás cumprimento a decisões já tomadas mas a que falta coordenação e implementação. O exemplo da opção de muitas cidades por uma vocação de “cidade termal”, pode e deve inspirar planeamentos globais focados na valorização pela água.

Ou não seja a ÁGUA essência da nossa VIDA!

Pedro Cantista, Presidente da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica (SPHM)