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Poucas ideias são tão libertadoras como a de nos fazermos à estrada, escolhermos os percursos mais lentos, fruir do que a Natureza e as pessoas têm para partilhar, alterar planos ao ritmo da viagem. Não é por acaso que uma das metáforas mais comuns para a vida é a do “caminho” – “O caminho faz-se caminhando”, diz o verso do poeta espanhol António Machado. A vida enquanto caminho remete-nos para a ideia do percurso com os seus altos e baixos, horizontes e projetos.  Porque na vida, como na viagem, o que realmente conta é o trajeto e o que fazemos dele.

Que o diga a pioneira Bertha Benz, a mulher que, em 1888, percorreu 106 quilómetros entre Mannheim e Pforzheim ao volante de um Benz Patent-Motorwagen 3. O marido inventou o automóvel moderno e ela mostrou que havia futuro para a indústria automóvel, ao arrepio do ceticismo da altura. Foi a primeira viagem de longo curso de sempre de que há registo feita por um automóvel, sendo por isso Benz considerada a “mãe das roadtrips”. Num vídeo disponível no YouTube, a Mercedes diz que Bertha Benz “forjou a estrada à frente para a pavimentar para todos nós”.

E é de carro, mota ou até de bicicleta que o convidamos nesta edição a percorrer a Estrada Nacional 221 que liga Miranda do Douro à Guarda. Trata-se de ir, quase literalmente, do rio Douro às portas da Serra da Estrela, num percurso de cerca de 184 quilómetros que cruza seis municípios. Há miradouros, uma das mais bonitas aldeias históricas de Portugal, Castelo Rodrigo, e praias fluviais, sem esquecer os sabores, vinhos e património desta região.

Esta é também a altura do ano em que milhares de portugueses (e não só) fazem a peregrinação ao Santuário de Fátima, num percurso tão difícil quanto gratificante. O título de um dos nossos artigos “Vitória, Vitória, acabámos os caminhos de Fátima” ilustra bem a celebração do dever cumprido e de uma jornada de fé. Este ano a Peregrinação Internacional Aniversária de maio é a primeira sem máscaras após a pandemia e espera-se, como é habitual, uma afluência em massa.

Entre as muitas viagens que podemos fazer estão aquelas em que olhamos para dentro e acedemos com tempo ao nosso mundo interior. Numa época tão cheia de ruído estes momentos de solidão voluntária, seja numa viagem espiritual ou de lazer, são muito bem-vindos.

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