: 26 de Junho, 2026 Redação:: Comentários: 0

Bruno da Rocha é um nome incontornável no universo da joalharia contemporânea portuguesa, distinguindo-se por uma linguagem autoral que cruza sensibilidade escultórica, rigor estético e uma forte identidade criativa. O seu trabalho ultrapassa as fronteiras tradicionais da joalharia, estendendo-se também ao design e à criação de peças de decoração, numa visão mais ampla de expressão artística. Ao longo do seu percurso, a marca tem vindo a afirmar-se tanto em Portugal como no estrangeiro, fruto de um caminho marcado pela experimentação, pela procura constante de novos horizontes e pela vontade de transformar cada criação numa experiência sensorial e emocional.

A identidade da marca Bruno da Rocha é muito distinta no universo da joalharia. Como descreveria a essência da marca a alguém que a descobrisse hoje pela primeira vez?

Sensibilidade escultórica, estética, distinção, valor e rigor.

As peças que produz vão além da joalharia e incluem também peças de decoração e objetos de design. O que o motivou a expandir a criatividade da marca para outras formas de expressão?

O gosto por desafios e a “Joalharia de Casa”, como a identifico, foi mais um processo criativo que me fez desenvolver essa paixão e encontrar novas linguagens que me permitiram encontrar realização no processo.

Ao longo do seu percurso, houve algum momento ou coleção que tenha marcado uma viragem importante na história da marca?

O desejo de explorar novos horizontes e, com eles, o mercado da joalharia, tendo sempre o foco no meu público alvo, que foi e é a minha âncora em Portugal. O momento que mais me marcou foi quando, após algumas tentativas, decidi levar o meu trabalho para fora. Foi em Paris, em 2013, que consegui dar um passo em frente na minha carreira. Após este contacto com o mercado exterior, seguiu-se uma mostra que fiz na Ásia que potencializou ainda mais o que procuro no mercado da joalharia. Totalmente diferente do que encontrava na Europa, permitiu-me estar em contacto com novas culturas e experiências. Foi desde esse momento que a marca deu um salto para os quatro cantos do mundo e, hoje, soma essências para o meu público.

Num mercado cada vez mais competitivo, quais considera serem os maiores desafios para marcas de luxo independentes?

O maior desafio quando a marca se alia de inovação e qualidade não é o de criar uma super coleção, mas sim criar ao longo dos anos coleções marcantes e que se destacam pela diferença. Quando o nosso trabalho, de certa forma, se torna conhecido em diversos mercados e neles são criados destaques nas coleções, faz com que o nosso público alvo cresça e, com ele, novos admiradores, o que torna cada vez mais desafiante a cada coleção criar modelos diferentes com história que se encaixam na identidade da marca. A cada modelo/coleção é tida em conta a inovação, o ir além do que já se apresentou anteriormente, o que torna todo o processo desafiador a cada passo.

Se tivesse de resumir o legado da marca Bruno da Rocha numa única ideia ou emoção que quer deixar nas pessoas, qual seria?

Ao longo das décadas criei uma identidade própria e muito pessoal, a minha visão do mundo artístico e contacto com o mais diverso mercado elevou as minhas criações a esculturas que se usam e sentem à flor da pele. A nobreza dos metais é transportada para uma dimensão de magia, dos sentidos, da fusão entre o onírico, o imaginário, o belo e o dramático.

Como imagina o futuro da joalharia de luxo nos próximos 10 anos — e que papel gostaria de ter nessa evolução?

Tudo irá mudar, estamos já numa fase de transição acelerada com a Inteligência Artificial, novos mecanismos e industrialização do que anteriormente era muito tradicional e manual. A criatividade será posta à prova como nunca. Teremos que nos reinventar continuamente. As gerações também estão a mudar, assim como as tendências dos nossos potenciais compradores que são as mulheres. Eu trabalho para um nicho muito restrito de clientes que me segue e está atenta às novas coleções.