: 26 de Junho, 2026 Redação:: Comentários: 0

Quatro décadas de arquitetura e design de interiores de referência, nacional e internacional. A SAV é hoje uma das marcas mais reconhecidas do setor, construída sobre uma filosofia de excelência: nunca fazer nada menos do que o melhor.

Fundada em 1985 por Carmo Aranha e Rosário Tello, a SAARANHA&VASCONCELOS conta com mais quarenta anos de existência que são, acima de tudo, uma conversa longa com o tempo. Quando a SAV nasceu, em 1985, o mercado português de arquitetura e design de interiores estava numa fase de descoberta, havia uma vontade enorme de modernidade, mas ainda poucos instrumentos para a concretizar com rigor. A evolução da marca pode ser lida em três grandes momentos. O primeiro, de afirmação, foi o de construir uma identidade reconhecível num contexto em que tudo estava em aberto. O segundo, de consolidação, coincidiu com a abertura ao mercado internacional e com a confirmação de que a nossa forma de trabalhar, próxima, personalizada, exigente, funcionava além-fronteiras. O terceiro, em que se encontra atualmente, é o de uma marca madura que não abdica da sua essência, mas que se mantém atenta à contemporaneidade, às novas tecnologias, às novas sensibilidades. O que nunca mudou foi o compromisso com a excelência. A escala dos projetos cresceu, as geografias multiplicaram-se, a equipa diversificou-se, mas a forma de olhar para cada projeto, com a mesma curiosidade e a mesma responsabilidade, continua a ser o nosso maior ativo.

A atenção ao detalhe é uma das assinaturas da SAV. O detalhe é onde a arquitetura e o design revelam verdadeiramente o seu carácter. A funcionalidade, conforto e estética não são dimensões em tensão, pois são dimensões que se complementam. Um espaço pode ser extraordinariamente belo, mas falhar se não responder às necessidades reais de quem o habita. E pode ser perfeitamente funcional, mas deixar a pessoa indiferente, sem aquela sensação de bem-estar. O trabalho da SAV é garantir que estas três dimensões estejam sempre em diálogo, o que implica conhecer muito bem o cliente, os seus hábitos, gostos, e a forma como usa os espaços. Por isso, o processo de briefing é tão importante quanto o processo criativo. Além disso, a criatividade e o saber-fazer estão no centro da SAV. Os clientes procuram a marca não apenas pela capacidade de executar um projeto, mas pela visão, experiência e sensibilidade acumulada ao longo de décadas a criar peças e espaços únicos. Cada projeto é um exercício de interpretação, onde se procura encontrar o equilíbrio entre os objetivos do cliente e aquilo que se acredita ser a melhor solução do ponto de vista estético, funcional e intemporal.

Na SAV, o verdadeiro valor reside precisamente nesta capacidade de transformar uma ideia numa solução mais rica, mais cuidada e mais surpreendente do que aquela que existia à partida. É dessa combinação entre criatividade, conhecimento técnico e exigência na execução que nascem os projetos que melhor representam o trabalho da marca.Uma forma de trabalhar que está espelhada no conceito que acompanha a marca, “Nothing Less”, refletindo um forte compromisso com a excelência, uma filosofia que se traduz de forma consistente no dia a dia dos projetos desenvolvidos pela empresa. Não se trata de um “slogan”, mas sim de uma postura, uma exigência interna que se aplica a cada decisão, por mais pequena que seja. Traduz-se na recusa sistemática do suficiente. No dia a dia, isso significa processos longos de pesquisa antes de qualquer proposta chegar ao cliente. Significa revisitar soluções que já funcionaram, mas perguntar se podem ser ainda melhores neste contexto. Há uma cultura interna de procura pela excelência que se alimenta deliberadamente. A SAV celebra os resultados, mas nunca deixa de questionar o processo. É este estado permanente de insatisfação construtiva que a faz continuar a crescer depois de quatro décadas.

A identidade da SAV além-fronteiras

Internacionalizar foi, sem dúvida, um dos momentos de maior aprendizagem na história da SAV. O primeiro desafio foi cultural: perceber que os códigos do que é considerado requintado, confortável ou até, belo, variam profundamente de cultura para cultura. O que em Portugal pode ser lido como sofisticação, noutro contexto pode parecer insuficiente ou, pelo contrário, excessivo. O segundo desafio foi logístico e relacional, construir redes de confiança em mercados que não conhecemos, encontrar parceiros locais que percebessem a nossa filosofia e a soubessem traduzir em execução. Isto levou tempo, e muitos erros que hoje reconhecemos como essenciais à nossa formação. A maior aprendizagem foi perceber que a identidade da SAV é robusta o suficiente para dialogar com contextos muito diferentes sem se perder. Adaptar, ouvir, aprender, mas sem nunca afastar da sua identidade. Essa foi, talvez, a prova mais exigente e também a mais gratificante da internacionalização: descobrir que havia uma linguagem SAV que transcendia as geografias. Foi precisamente neste processo de internacionalização que as viagens ganharam um significado ainda mais profundo para a SAV. Mais do que uma necessidade profissional, tornaram-se uma ferramenta essencial de observação, aprendizagem e interpretação cultural. Cada cidade é um arquivo vivo de soluções, de como as pessoas organizam os espaços, de que materiais usam, de que luz enchem as suas casas, de que relação mantêm entre o interior e o exterior. Há sempre qualquer coisa a aprender num mercado de Marraquexe, num palazzo veneziano ou numa casa de chá em Tóquio. A arte funciona de forma diferente, mas igualmente essencial, pois a SAV não transporta para os projetos uma obra ou um período artístico de forma literal e por isso, não funciona como referência direta, mas um estímulo à perceção. Visitar uma exposição, estar em frente a uma pintura que nos perturba ou nos acalma, afina a nossa sensibilidade estética de formas que muitas vezes só se revelam meses depois, numa decisão aparentemente intuitiva. É cultivada intencionalmente esta simbiose entre cultura e arte. Na SAARANHA&VASCONCELOS acredita-se que o design de interiores tem sempre um subtexto cultural que vai muito além das tendências do momento.

Entre a sustentabilidade e as novas tendências

A sustentabilidade entrou nos projetos da SAV muito antes de se tornar uma exigência regulatória ou uma tendência de mercado. Sempre houve uma preocupação instintiva com a longevidade, pois projetar espaços que resistam ao tempo não é apenas uma questão estética, é também uma questão ética. Um espaço que dura vinte anos sem precisar de ser completamente substituído é, por definição, mais sustentável do que um que envelhece mal em cinco. Hoje, este compromisso traduziu-se numa abordagem mais sistemática porque são privilegiados materiais de origem certificada, fornecedores que comunguem dos mesmos valores ambientais e soluções de eficiência energética desde as fases mais precoces do projeto. Esta visão de longo prazo está, aliás, profundamente ligada às transformações que já se fazem sentir no setor. Vivemos um momento de reconfiguração profunda da relação das pessoas com os espaços que habitam. A pandemia acelerou tendências que já estavam latentes, como a necessidade de espaços que sirvam múltiplas funções, que sejam simultaneamente produtivos e restauradores, que conectem de forma mais intencional com a natureza e com a luz.A SAV acredita que nos próximos anos impere uma valorização crescente do que podemos chamar de arquitetura sensorial como os espaços desenhados para serem sentidos. A qualidade acústica, a temperatura, a textura dos materiais, até ao cheiro de um espaço: estas dimensões vão ganhar uma centralidade que ainda não têm na maioria dos projetos. A inteligência artificial começa a transformar profundamente os processos de conceção e de comunicação com o cliente. Mas na SAV acredita-se que vai amplificar o valor da criatividade genuinamente humana, não substituí-la.

Uma motivação que se renova e uma identidade em construção contínua

A motivação não vem do reconhecimento, vem do projeto seguinte. Há um entusiasmo genuíno, que se renova a cada novo cliente, ou novo projeto, que é difícil de explicar racionalmente depois de quarenta anos. Talvez seja porque cada projeto é, de facto, um problema novo, ou um quadro em branco. Cada cliente traz uma vida diferente, cada espaço tem uma personalidade diferente, cada desafio exige soluções que não existiam ainda.A equipa é, neste sentido, o motor mais importante desta motivação. Trabalhar com pessoas talentosas, curiosas e comprometidas, inclusive muitas delas muito mais jovens do que os fundadores e que mantém a energia e o olhar. Há uma troca geracional dentro da SAV que é, para nós, uma fonte permanente de renovação. Neste contexto de constante reinvenção, a construção de uma identidade própria depende de uma identidade muito própria, de empatia e de atenção com a longevidade. A identidade de uma marca não se constrói apenas com estratégia de comunicação, pois necessita de clareza de valores, consistência de escolhas, coragem de recusar o que não se alinha com o que se acredita. Tal como a empatia, que se cultiva, e que é fundamental para a escuta ativa. Numa era de ciclos de atenção cada vez mais curtos e de tendências cada vez mais efémeras, a longevidade pertence a quem resiste à tendência do momento e aposta na substância.