: 13 de Março, 2026 Redação:: Comentários: 0

Susana Perdigoto, Diretora Clínica da Klinica PerioImplantológica Rainha D. Leonor, assinala os 30 anos da clínica destacando uma trajetória de inovação e diferenciação na área da saúde oral. De uma prática centrada exclusivamente na medicina dentária, a equipa evoluiu para um modelo integrado, onde a dor orofacial, as disfunções temporomandibulares, os distúrbios do sono e a epigenética se cruzam com a implantologia e a periodontologia, refletindo uma visão que coloca a saúde global do paciente no centro dos cuidados.

A Klinica PerioImplantológica Rainha D. Leonor celebra 30 anos de existência. Que balanço faz destas três décadas e como tem evoluído a visão da clínica ao longo do tempo?

Ao longo de três décadas de serviço, a clínica evoluiu de uma abordagem tradicional focada na medicina dentária de qualidade para uma perspetiva com foco em tratar o paciente de forma integrada. Reconhecemos o impacto da dor orofacial, disfunção temporomandibular e distúrbios do sono na qualidade de vida dos pacientes sem descurar implantologia, tratamentos dentários, estética e a saúde periodontal que está diretamente relacionada com problemas sistémicos como apneia do sono, diabetes, doenças cardiovasculares e Alzheimer.

Dra. Susana Maria Perdigoto

A clínica tem-se destacado em várias áreas, entre elas o tratamento da dor orofacial e das disfunções temporomandibulares e cervicais. O que levou a esta aposta e que diferença faz hoje na vida dos pacientes?

Nos últimos anos, estabelecemos uma distinção, no que diz respeito à dor orofacial e à disfunção temporomandibular. A aposta surge do facto que a DTM muscular é a segunda condição musculo esquelética que mais afeta a população mundial a seguir à dor lombar crónica. As modalidades de tratamento interdisciplinares como fisioterapia, terapia miofuncional, juntamente com intervenções minimamente invasivas como agulhamento seco e biossuplementação da articulação temporomandibular, usando fibrina rica em plaquetas e ácido hialurónico implicam melhorias significativas dos pacientes e facilitam a melhoria da gestão da dor, aumento da capacidade funcional e uma maior qualidade de vida.

A clínica integra também uma forte componente na área dos distúrbios do sono. Qual é a importância de olhar para o sono como parte integrante da saúde oral e da saúde global?

O reconhecimento do sono como um aspeto integrante da saúde oral e do bem-estar geral é fundamental para uma abordagem holística aos cuidados de saúde. Muitos estudos estabelecem ligação entre perturbações do sono e problemas de saúde oral. Condições como a apneia obstrutiva do sono estão associadas ao bruxismo do sono, caracterizada pelo ranger ou cerrar os dentes, e este pode estar associado a desgaste dentário, distúrbios da articulação temporomandibular e outras complicações orais. A má qualidade do sono tem sido associada a níveis elevados de inflamação, o que pode agravar a doença periodontal e retardar os processos de cicatrização na cavidade oral e problemas de saúde sistémicos, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade. A má qualidade e quantidade de sono podem levar a níveis elevados de stress, ansiedade e depressão, o que pode contribuir para negligência da higiene oral, como a saúde geral.

Olhando para o futuro, quais são os próximos desafios e objetivos da clínica, nomeadamente na consolidação da abordagem multidisciplinar e na integração de áreas emergentes como a epigenética?

A epigenética, estudo das alterações hereditárias na expressão génica que não envolvem alterações na sequência de ADN, tem potencial para personalizar tratamentos médicos. A minha investigação de doutoramento em epigenética e distúrbios do sono mostra a necessidade de que os fatores ambientais e as escolhas de estilo de vida podem influenciar a expressão genética e, consequentemente, a saúde geral do paciente. Integramos testes genéticos e epigenéticos nas nossas avaliações clínicas. Isto permite o desenvolvimento de planos de tratamento individualizados onde podemos identificar fatores que impactam a saúde dos nossos pacientes e recomendar intervenções nutricionais personalizadas e outras estratégias terapêuticas destinadas a melhorar a qualidade de vida.