Inteligência artificial generativa preencheu uma grande parte das reflexões e debates (26 iniciativas) do evento dedicado à formação contínua e recursos humanos, que recebeu 1.435 visitantes.
Um aliado importante e incontornável. Mas, também, um desafio muito complexo em tempos de grandes incertezas. O impacto da inteligência artificial generativa no mercado de trabalho foi o olho do furação na carga temática da 2.ª edição da Exponor UP – Formação Contínua & Recursos Humanos. E alimentou metade das iniciativas de reflexão e debate do evento (um total de 26) que levou à Feira Internacional do Porto, durante dois dias, inúmeros diretores e técnicos de recursos humanos, gestores e quadros intermédios, responsáveis de formação e talento, profissionais em processo de progressão ou reconversão, empreendedores, formadores e coordenadores pedagógicos e público em geral. Todos, os 1.435 visitantes, em busca das novidades que mais de 60 operadores do setor têm em carteira, para responder às configurações atuais (e que se adivinham) do mundo laboral.
Apesar dos “muitos desafios” e da “maior complexidade” que as novas gerações enfrentam, para o presidente da AEP – Associação Empresarial de Portugal, Luís Miguel Ribeiro, durante a UP Summit, “uma coisa é certa: o que faz a diferença, no final do dia, continuam a ser as pessoas”.
As mudanças que se constatam no mercado de trabalho e nos recursos humanos têm mais a ver, sublinhou Sérgio Almeida, fundador e CEO do Grupo Seal, com os “contextos em que atualmente os jovens vivem e trabalham”.
“Mais do que uma geração diferente, estamos a falar de um mundo diferente, cheio de instabilidade económica e pressão sobre o futuro”, que reclama transformação perante os desafios da IA, novas competências e percursos formativos e laborais menos lineares, explicou o especialista. Que aludiu aos três aspetos que, quando se fala em liderar as novas gerações, têm na agenda das organizações, porque são as mais valorizadas: sentido de propósito (61,8%), flexibilidade e equilíbrio (58,1%) e segurança financeira (45,1%).
“A questão não é apenas como atrair talento (com propostas de valor credíveis e diferenciadoras), é fazer com que as novas gerações queiram contribuir e permanecer nas empresas”, para o que condições de trabalho justas, progressão de carreira e lideranças coerentes são fundamentais, notou Sérgio Almeida.
Não obstante, para Sara Dias, Talent Acquisition Manager & People Lead da Sonae MS, o “salário continua a ser decisivo”. “A base mantém-se, isto é, as pessoas continuam a querer ser felizes no trabalho”, sendo que o que sustenta essa felicidade, como o propósito, é que “pode agora ser diferente” e mais diversificado.
O mundo “já não é”, frisou Ana Lourenço, Associate Dean da Católica Porto School of Business and Economics, “um mundo de simples transmissão de informação. Cada vez mais há que formar pessoas para a interdisciplinaridade, para a adaptabilidade e para saber trabalhar em equipa”, ressalvou.
As diferentes realidades e expectativas laborais dos mais de 1,5 milhões imigrantes que residem neste momento em Portugal estiveram, também, em cima da mesa, por intermédio de Miguel Araújo, presidente da Comissão Diretiva do FAMI 2030 – Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração.
“Os cerca de 15% da população portuguesa que é originária de outros países e que representa uma força de trabalho fundamental para a economia representa um fenómeno social complexo que obriga a uma resposta pública, que não pode ser una, visto tratar-se de uma realidade heterogénea. A integração é a chave, que passa por formação sobre o que é a sociedade, a cultura e a identidade nacional, num enquadramento de respeito e não de imposição”, salientou Miguel Araújo, recordando tratar-se de uma força de trabalho com uma média de idades nove anos mais jovem que a portuguesa (45 anos).
Liderança, qualificação profissional, aprendizagem contínua, saúde mental, bem-estar, análise de dados e desenvolvimento de talento foram outros dos temas que preencheram as UP Talks e os UP Labs. Uma das sessões mais concorridas, e que esgotou a capacidade do auditório foi a que se focou na integração do Microsoft Copilot (um recurso de IA) no dia a dia das equipas de trabalho, com exemplos práticos em ferramentas de produtividade informática, ministrada pelo formador em inteligência artificial na Nova SBE e CleverXico, Jorge Fraga.
Depois de dois dias intensos de networking, e muita formação, que se desenvolveu paralelamente à componente expositiva da feira, a Exponor UP – Formação Contínua & Recursos Humanos voltará em 2027, para a 3.ª edição.
