: 23 de Outubro, 2026 Redação:: Comentários: 0

São já oito escolas de norte a sul do país. A MB Education afirma-se como uma referência no ensino em Portugal, reunindo diferentes projetos educativos e preservando a identidade de cada escola. Em entrevista, Manuel Mexia, CEO, e Fernando Fidalgo, Diretor Pedagógico Nacional, explicam as características de um modelo de ensino diferenciado.

Manuel Mexia – CEO

A MB Education integra hoje diferentes escolas, de Braga a Lisboa. Como se constrói um grupo educativo preservando a identidade de cada escola?

Manuel Mexia (MM): Quando uma escola entra no grupo, traz consigo uma história e uma comunidade. Muitas trazem também um carisma deixado por quem as fundou. O Externato São Miguel Arcanjo, em Lisboa, nasceu da obra das Irmãs Servas da Sagrada Família. O Colégio Santa Teresa de Jesus, em Santo Tirso, nasce de mais de um século de presença das Irmãs Teresianas na cidade. Os Colégios João Paulo II, em Braga, têm no próprio nome uma referência que diz muito sobre aquilo que queremos ser. Isto não se apaga, nem seria correto tentar.

O nosso trabalho é garantir que cada escola tem condições para continuar e para continuar melhor, através de investimento, gestão profissional e uma visão a longo prazo. Hoje somos oito escolas, de Braga a Lisboa, com mais de 500 colaboradores e capacidade para mais de 4.000 alunos. Essa dimensão permite-nos fazer o que, sozinha, cada escola dificilmente conseguiria.

Fernando Fidalgo (FF): Construir um grupo não é tornar todas as escolas iguais. A maioria tem uma identidade explicitamente católica; outras não são confessionais e têm a sua própria história, que respeitamos. Há, contudo, uma conceção da educação que nos une: cada aluno é uma pessoa única, com dignidade, liberdade e responsabilidade, e nunca apenas um resultado académico.

Fernando Fidalgo – Diretor Pedagógico Nacional

O que distingue, então, a proposta educativa da MB Education?

MM: Estamos a desenvolver um modelo educativo próprio e diferenciador, que será introduzido progressivamente, escola a escola, sempre dentro das orientações do Ministério da Educação. O currículo nacional é a base, à qual acrescentamos aquilo que consideramos essencial para formar uma pessoa por inteiro.

Esse modelo parte de uma conceção da pessoa marcada pelos valores cristãos e, nas nossas escolas católicas, pela tradição que lhes é própria: dignidade, procura da verdade, serviço aos outros, responsabilidade e liberdade. Não queremos que estes valores fiquem fechados numa disciplina. Têm de se notar no recreio, na forma como um professor fala com um aluno e na relação da escola com as famílias.

Acredito que a sociedade de amanhã está hoje sentada nas nossas salas de aula. Se queremos um país mais justo e humano, o trabalho começa ali.

FF: O desafio pedagógico é transformar essa visão numa experiência concreta. A exigência académica e o domínio sólido do conhecimento são fundamentais, mas educar é também pensar nas experiências que proporcionamos, no acompanhamento de cada aluno, na cultura, no desporto, no serviço aos outros e nas relações que se constroem dentro da escola.

Que papel têm os professores nessa visão?

FF: Central. Nenhuma escola será melhor do que as pessoas que todos os dias estão com os alunos. Procuramos professores cientificamente competentes e pedagogicamente exigentes, mas também responsáveis, capazes de trabalhar em equipa e conscientes de que educam pela forma como ensinam, falam, escutam, cumprem a palavra e tratam os outros. Um professor ensina também pela pessoa que é diante dos seus alunos.

Num mundo marcado pela inteligência artificial, que capacidades se tornam ainda mais importantes nos alunos?

FF: Alunos com conhecimentos sólidos, pensamento crítico, autonomia e discernimento. A escola não pode ignorar a inteligência artificial nem simplesmente proibi-la. Tem de ensinar os alunos a utilizá-la com inteligência e responsabilidade. Queremos jovens capazes de pensar melhor com máquinas cada vez mais inteligentes e, sobretudo, de continuar a pensar por si próprios.

A internacionalização é também uma aposta da MB Education. O que significa concretamente?

MM: É uma aposta, mas não significa transformar todas as nossas escolas em escolas internacionais. A maioria das famílias escolhe-nos por um projeto educativo português, sólido e exigente, e é aí que está o centro do que fazemos.

Para as famílias para quem a dimensão internacional faz parte da vida, temos, em algumas escolas, currículos internacionais reconhecidos. Para todos os outros alunos, importa saber bem línguas e estar aberto ao mundo. Uma identidade clara ajuda: quem sabe de onde vem está melhor preparado para ir para qualquer lado.

FF: Na João Paulo II International School, em Braga, temos o Cambridge IGCSE e o International Baccalaureate Diploma Programme. Mas internacionalizar é mais do que um currículo. É dominar línguas, conhecer outras culturas e compreender diferentes perspetivas, sem deixar de saber quem somos e de onde vimos.

Colégio João Paulo II, Braga

Depois de um período de crescimento, qual é agora a principal ambição da MB Education?

MM: Vamos continuar a crescer quando surgirem projetos com os quais tenhamos verdadeira afinidade. Mas crescer só por crescer não nos interessa. Agora, o foco é consolidar e subir a qualidade.

Queremos também contribuir para o desenvolvimento do setor e valorizar quem nele trabalha. Uma escola vale o que valem as pessoas que lá estão todos os dias, professores e não docentes, profissões que nem sempre têm o reconhecimento que merecem.

Foi por isso que criámos a nossa Academia, dedicada à formação dos colaboradores do grupo. Olhamos para cada pessoa, para o ponto em que está na carreira e para aquilo de que precisa. Valorizar uma carreira passa por investir nela de forma continuada.

Daqui a uns anos, gostava que quem entrasse numa escola do grupo encontrasse exigência, seriedade e uma identidade bem viva. E que no setor se dissesse que trabalhar numa escola MB Education é ter uma carreira com futuro.

FF: No final, queremos que essa qualidade seja reconhecida, sobretudo, nas pessoas que os nossos alunos se tornam. Jovens preparados e cultos, mas também livres, responsáveis, solidários e capazes de fazer boas escolhas e de construir uma vida com sentido. Porque é essa a verdadeira medida de uma boa educação.