A tecnologia e a investigação estão a transformar a Oftalmologia, permitindo diagnósticos mais precoces, tratamentos mais precisos e novas possibilidades para preservar a visão. Na Unidade de Oftalmologia de Coimbra (UOC), estes avanços já fazem parte da prática clínica.
Um dos grandes desafios da Oftalmologia é responder ao aumento das doenças oculares associado ao envelhecimento da população. A catarata, o glaucoma, o queratocone, o olho seco, a degenerescência macular da idade ou a retinopatia diabética têm um impacto significativo na qualidade de vida, tornando cada vez mais importantes a prevenção, a literacia em saúde visual e o diagnóstico precoce. Ao mesmo tempo, assistimos a uma evolução extraordinária do diagnóstico, da cirurgia, dos tratamentos e da investigação. A inteligência artificial, a genética ou as novas terapias estão a abrir possibilidades que começamos agora a explorar. Mas o progresso tecnológico só faz sentido quando se traduz em melhores resultados para os doentes, permitindo diagnosticar mais cedo, tratar com maior precisão e preservar a visão durante mais anos.
É também esse o papel da UOC – Unidade de Oftalmologia de Coimbra: não só acompanhar a evolução da Oftalmologia, mas participar nela, através da prática clínica, da investigação e da incorporação de novas abordagens que representem verdadeiras mais-valias para os doentes.

UOC: um Centro de Investigação Clínica de excelência
Na UOC – Unidade de Oftalmologia de Coimbra, a investigação e a prática clínica caminham lado a lado. O Centro de Investigação Clínica reúne uma equipa multidisciplinar de médicos, enfermeiros, técnicos e coordenação clínica, dedicada à investigação nas várias áreas da Oftalmologia. Através deste centro altamente diferenciado, a UOC aproxima os doentes dos mais recentes avanços da investigação e de novos tratamentos, apresentando respostas inovadoras para as doenças dos olhos. A cirurgia da catarata congénita, o tratamento do queratocone e a transplantação da córnea são três exemplos de áreas em que a UOC incorpora os mais recentes avanços da Oftalmologia.
Intervir cedo na catarata congénita
Presente no nascimento ou nos primeiros meses de vida, a catarata congénita pode comprometer o desenvolvimento da visão durante o período crítico da infância, originando ambliopia profunda e irreversível se não for tratada precocemente. O tratamento é variável e depende da densidade, localização, lateralidade e impacto visual. Cataratas pequenas podem apenas necessitar de vigilância; nas mais significativas, a cirurgia deve ser realizada muito cedo, por vezes aos 4 meses, seguida de correção refrativa com óculos ou lentes de contacto/implantação de lente intraocular, e estimulação visual enérgica, por norma até aos 9-10 anos.
Travar a progressão do queratocone
O queratocone provoca uma progressiva deformação da córnea, que compromete a qualidade visual, e manifesta-se frequentemente na adolescência ou no início da idade adulta. O diagnóstico precoce, através de tecnologias avançadas, permite identificar e acompanhar a doença numa fase inicial. O tratamento depende da gravidade da doença e está a evoluir de uma abordagem simplesmente corretiva para uma estratégia personalizada, com três objetivos: travar a progressão, regularizar a córnea e reabilitar a visão. Entre as opções está o cross-linking corneano (CXL), destinado a travar essa progressão. A UOC dispõe do único equipamento existente em Portugal para realizar o CXL personalizado.
Uma nova era na regeneração da córnea
A cirurgia da córnea está a evoluir da substituição do tecido doente para abordagens que procuram preservar, restaurar e regenerar a própria córnea. Se no passado a solução passava pela transplantação integral, hoje já é possível substituir unicamente as camadas afetadas. No futuro, a tendência será regenerar a córnea, reduzindo a necessidade de transplantação e de tecido dador, através da regeneração celular, molecular e da bioengenharia.

