Com 400 hectares de nogueiras instalados em Vila Velha de Ródão e mais 100 hectares previstos até 2028, a Companhia do Lucriz aposta na escala, no conhecimento e na inovação para afirmar a produção nacional de noz. Num setor marcado pelas alterações climáticas, pelo aumento dos custos e pela concorrência internacional, a empresa defende melhores condições para uma fileira que considera estratégica para a agricultura portuguesa.
O que levou o grupo/investidor a escolher Portugal e, em particular, Vila Velha de Ródão, para desenvolver este projeto agrícola?
Portugal reúne uma combinação muito interessante de fatores. A sua centralidade permite acesso rodoviário, ferroviário e marítimo aos principais mercados. Vila Velha de Ródão acrescenta a disponibilidade de solo em latifúndio fulcral para escala competitividade, as condições de solo, clima e disponibilidade hídrica particularmente adequadas à nogueira. Para nós era também fundamental concentrar toda a exploração num único local, permitindo economias de escala. A disponibilidade de mão de obra qualificada, a qualidade técnica e a ética de trabalho foram igualmente fatores relevantes. Finalmente, Portugal oferece a estabilidade de um mercado integrado na União Europeia, nomeadamente em matéria cambial e de política monetária, transmitindo confiança ao investidor.
Porque decidiu a empresa apostar especificamente na cultura da nogueira e nas variedades Chandler e Howard?
Já tínhamos experiência na cultura da nogueira na Turquia e conhecíamos o seu elevado valor acrescentado, bem como a aceitação destas variedades pelo mercado. A Chandler é muito procurada pelo tamanho do miolo e pela facilidade de quebra da casca; a Howard apresenta também uma casca muito quebradiça, com características de sabor distintas. Na Companhia do Lucriz temos, contudo, procurado ir mais além, selecionando porta-enxertos cada vez mais adaptados às características específicas do nosso território.



Quais são atualmente os principais pontos fortes da exploração e das nozes produzidas pela Companhia do Lucriz?
A escala é uma das nossas principais vantagens: temos atualmente 400 hectares instalados e prevemos acrescentar mais 100 hectares até 2028. A nossa herdade tem 1000ha totais. Mas há outro ativo fundamental: o conhecimento. Estamos no décimo aniversário da empresa e no nono ano de experiência com esta cultura neste local. A equipa, os equipamentos e as infraestruturas estão hoje profundamente adaptados às especificidades deste pomar, que não é igual a nenhum outro. Temos, por isso, parceiros, fornecedores, pessoas, meios e dimensão para atuar como um verdadeiro player internacional. Produzimos uma noz de qualidade real e percecionada, procurando introduzir todos os anos melhorias no maneio e na conservação pós-colheita.
Como está a Companhia do Lucriz a preparar-se para o impacto das alterações climáticas?
A preparação faz-se diariamente. Dispomos de sistemas de monitorização exigentes e avançados do solo, da árvore, da fertirrega, permitindo acompanhar continuamente os parâmetros indispensáveis à saúde do pomar e utilizar apenas os recursos necessários. Procuramos também adaptar a mecanização e as práticas culturais às melhores técnicas disponíveis. Na água, a prioridade é poupar, mas também captar e armazenar o máximo possível de água pluvial, criando um circuito complementar e aumentando a nossa autonomia. A escolha de porta-enxertos adaptados ao solo e às condições ambientais contribui igualmente para uma maior resiliência. O objetivo é preparar a própria árvore para resistir melhor às oscilações climáticas.


Quais são os principais desafios e ameaças para a cultura da noz em Portugal?
O primeiro é ambiental: as alterações climáticas aumentam a imprevisibilidade e exigem maior capacidade de previsão e resiliência das culturas e infraestruturas. Temos depois o aumento dos fatores de produção — água, energia, combustíveis e fertilizantes — e, em Portugal, o peso dos encargos laborais e fiscais, que dificulta o crescimento das equipas e torna cada vez mais complexo repercutir estes custos no preço final. Outro desafio é a disponibilidade de mão de obra, principalmente no campo e operadores de equipamentos agrícolas, nos territórios de baixa densidade, agravada pelo êxodo rural. A Companhia tem procurado responder também através da disponibilização de residência na exploração. Finalmente, entendemos que é necessária uma reflexão sobre a política fiscal relativa à importação de frutos secos. Portugal já é produtor e a fileira está em crescimento, mas a nossa noz enfrenta uma concorrência externa com condições de entrada muito favoráveis, enquanto produtores portugueses enfrentam barreiras em alguns mercados. Países como a Turquia têm adotado políticas que protegem e incentivam a produção interna. Não defendemos fechar o mercado: acreditamos no comércio internacional e na concorrência pela qualidade. Mas é essencial que o Estado português olhe para a capacidade produtiva que está a ser criada e assegure condições concorrenciais equilibradas, valorizando o investimento realizado em Portugal. Desejamos uma excelente campanha a todos os produtores e colegas da fileira. Esperamos que este setor continue a apostar na investigação e competitividade, para que a noz portuguesa seja cada vez mais reconhecida pela sua qualidade e não apenas pelo preço. A Companhia do Lucriz agradece a todos os que nos acompanham nestes dez anos, à nossa equipa e às nossas famílias, que diariamente contribuem para o sucesso deste projeto.

