Para Nuno Oliveira, CEO da NBI – Natural Business Intelligence, o futuro das empresas exige o reconhecimento da natureza como um ativo real, e não como um recurso inesgotável, integrando o capital natural no centro das decisões de negócio.
A NBI nasceu em 2020 com o objetivo de introduzir uma nova lógica económica mais alinhada com a natureza. Em que consiste o conceito de “business as natural” e como pode contribuir para um desenvolvimento mais sustentável?
A economia mundial perdeu, nas últimas décadas, mais de metade do seu capital natural, mas continua a tratá-lo como gratuito e infinito. É neste paradoxo que emerge o conceito de business as Natural: uma lógica simples, mas estruturalmente disruptiva, que reconhece o capital natural como um ativo real, mensurável, cuja degradação representa risco financeiro concreto. À medida que regulação, mercados e investidores convergem nesta direção, as organizações que integram esta leitura nas suas decisões de investimento e gestão não estão apenas a responder a exigências éticas ou reputacionais, estão a posicionar-se melhor para competir. A NBI nasce precisamente para tornar essa transição operacional e verificável.
Que serviços e soluções a NBI disponibiliza para apoiar organizações na integração da sustentabilidade, da conservação ambiental e da proteção da biodiversidade nas suas estratégias?
A atuação da NBI organiza-se em três eixos complementares. O primeiro centra-se no diagnóstico e gestão do risco ecológico, através da Due Diligência Ecológica (DDE), traduzindo dependências e impactos sobre o capital natural em linguagem de negócio. O segundo eixo incide na definição de estratégias Nature Positive, com metas, indicadores e planos de ação alinhados com quadros europeus e expectativas crescentes do setor financeiro. O terceiro eixo posiciona-se no acesso a mercados emergentes de natureza, através do desenvolvimento de soluções de Nature Finance, metodologias de carbono e biodiversidade, e acompanhamento do roadmap europeu de Nature Credits. A certificação da biodiversidade ao abrigo da ISO 17298 (norma internacional para verificação de resultados) funciona como elemento estruturante, garantindo que esta lógica assenta em critérios auditáveis. É aqui que a economia natural deixa de ser custo e passa a ser valor.

A sustentabilidade exige equipas multidisciplinares e uma forte cultura de responsabilidade. Como é constituída a equipa da NBI e que valores orientam o vosso dia a dia?
A NBI opera com uma equipa multidisciplinar, cruzando ecologia aplicada, economia, gestão e ordenamento do território, o que permite intervir tanto em PME em transição como em grandes grupos com estruturas complexas de governação. A participação em projetos europeus, como o PRIMA BONEX, assegura proximidade à fronteira do conhecimento aplicado, enquanto a Academia NBI traduz esta base técnica em capacitação dirigida a decisores. O posicionamento é claro: rigor, verificabilidade e rejeição de soluções superficiais num mercado onde a ambiguidade ainda tem espaço.
Ao longo do seu percurso, a NBI tem participado em vários projetos ligados à transição sustentável. Destacaria algum pelo impacto gerado?
O portefólio reflete esta diversidade de escalas. No território, destaca-se o apoio ao Município de Loulé na criação da Reserva Natural Local da Nave do Barão. No setor empresarial, a realização de DDE com grupos como Brisa, REN e Greenvolt. No setor financeiro, a integração do capital natural em ativos de gestão com o Grupo Fidelidade. Em restauro ecológico, a participação no programa Hectares de Biosfera no Parque Nacional da Peneda-Gerês. No agroalimentar, o trabalho com os Vinhos do Alentejo na gestão de ecossistemas. E, num contexto singular, a colaboração com a Fundação Faya na Ilha do Príncipe, onde conservação e desenvolvimento económico coexistem como tensão permanente e oportunidade estratégica.

