A Mais Magazine esteve à conversa com Marly Serras, Diretora da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes (EPDRA), que explicou como a escola forma profissionais agrícolas preparados para desafios atuais, combinando prática, inovação e ligação ao mundo empresarial.
Como a vossa oferta em ensino profissional agrícola responde às necessidades do setor e que diferenciais destacam?
A Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes (EPDRA), primeira Escola Profissional Agrícola Pública criada em Portugal (1989), tem uma forte ligação ao meio rural e ao tecido produtivo regional. A sua oferta formativa tem sido ajustada aos desafios atuais do setor agrícola e agroalimentar, nomeadamente a transição digital, a sustentabilidade ambiental, a adaptação às alterações climáticas e a valorização dos produtos locais. A formação assenta numa sólida componente prática, desenvolvida em contexto real de exploração agrícola, permitindo aos alunos consolidar competências nas áreas da produção agrícola, pecuária, agroindústria e gestão rural. Integra ainda conteúdos de agricultura sustentável, economia circular, inovação tecnológica e empreendedorismo, preparando jovens para um mercado exigente e competitivo. Como elementos diferenciadores destacam-se a aprendizagem baseada em projetos, a proximidade ao tecido empresarial e a articulação entre saber-fazer e rigor técnico-científico, formando profissionais versáteis, capazes de conjugar tradição e tecnologia com responsabilidade ambiental.
Que projetos da escola são mais relevantes para formar profissionais agrícolas e qual o seu impacto nos alunos e na comunidade?
Entre os projetos mais relevantes destacam-se iniciativas de produção sustentável, hortas pedagógicas, valorização de raças e culturas tradicionais e transformação de produtos agrícolas, no âmbito do Eco-Escolas. Os DAC permitem aos alunos conceber e implementar soluções concretas, como hortas biológicas, otimização de rega e ações de sensibilização ambiental. A participação em projetos como Ciência Viva, iniciativas da Biblioteca Escolar e a articulação com o Tagusvalley, através do Programa Educativo Atégina, reforça competências de inovação, empreendedorismo e sustentabilidade. A colaboração com o ensino superior, nomeadamente com o Instituto Politécnico de Santarém, possibilita especialização, como no TeSP de Equinicultura e Atividades Hípicas, alargando oportunidades de prosseguimento de estudos e inserção profissional. Os cursos de Gestão Equina, Produção Agropecuária e Cozinha/Pastelaria integram Formação em Contexto de Trabalho, acompanhamento individualizado e apoios sociais. No seu conjunto, estes projetos têm impacto significativo na formação técnica, pessoal e cívica dos alunos e consolidam o papel da escola no desenvolvimento rural sustentável.

Como a escola liga a formação agrícola ao mundo empresarial e contribui para a empregabilidade dos estudantes?
A ligação ao mundo empresarial é um pilar estratégico da EPDRA. Existe uma rede ativa de parcerias com empresas agrícolas, agroindustriais, hotelaria/restauração, coudelarias e centros hípicos, que acolhem os alunos em Formação em Contexto de Trabalho. Estas experiências permitem aplicar conhecimentos em contexto real, desenvolver competências técnicas e comportamentais e estabelecer contactos profissionais, traduzindo-se frequentemente em oportunidades de emprego. A realização de ações com empresários, técnicos e antigos alunos aproxima os estudantes das exigências do mercado e contribui para elevados níveis de empregabilidade.
Quais os principais desafios na formação agrícola e que estratégias usam para os superar garantindo qualidade e inovação?
Os principais desafios passam pela rápida evolução tecnológica, pelas crescentes exigências de sustentabilidade e pela valorização do ensino profissional agrícola. Para lhes dar resposta, a escola aposta na atualização contínua dos conteúdos, na formação dos docentes, no reforço de parcerias e na implementação de metodologias ativas. Simultaneamente, promove uma imagem moderna da agricultura, evidenciando o seu papel na economia, na sustentabilidade e na coesão territorial. O compromisso da EPDRA é formar profissionais competentes, responsáveis e inovadores, preparados para contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor e das comunidades.

