: 13 de Fevereiro, 2026 Redação:: Comentários: 0

A Maia reafirmou-se, no passado dia 30 de janeiro, como um território de referência europeia na cidadania ativa, ao dar início oficial ao ano em que assume o título de Capital Europeia do Voluntariado 2026. A cerimónia de abertura, marcada pela emoção, pela diversidade de vozes e por um forte sentido de responsabilidade coletiva, reuniu voluntários, instituições, decisores políticos nacionais e representantes internacionais, num momento que celebrou o caminho percorrido e projetou o futuro do voluntariado a partir do concelho.

O reconhecimento enquanto Capital Europeia do Voluntariado 2026 surge no contexto de um trabalho contínuo da Câmara Municipal da Maia em prol do voluntariado. O município tem-se afirmado como catalisador da cidadania e da responsabilidade social, promovendo a coesão e a igualdade de oportunidades no concelho. Neste quadro, o voluntariado assume um papel central, baseado nos valores da interajuda e da solidariedade, contribuindo para uma sociedade mais solidária, inclusiva e responsável.

Para dinamizar estas iniciativas, foi criado o Centro de Voluntariado da Maia – COMPROMISSUM. Este centro realiza entrevistas aos voluntários para definir perfis, assegura a capacitação contínua de pessoas e organizações, e organiza informações que permitem um encaminhamento eficaz das ações voluntárias.

Entre os seus objetivos destacam-se: promover o encontro entre oferta e procura de voluntariado; capacitar agentes; fomentar projetos para crianças, jovens, adultos e idosos; estimular o voluntariado familiar; apoiar iniciativas locais; promover a educação para o voluntariado nas escolas; e sensibilizar o setor empresarial para o voluntariado corporativo.

A gestão do voluntariado na Maia alinha-se com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e com o Plano para o Voluntariado Europeu 2030 – Blueprint for European Volunteering (BEV 2030), refletindo cinco áreas estratégicas: independência e inclusão, novos voluntários e novas metodologias, capacitação, reconhecimento e recursos/coordenação. Desde a criação do COMPROMISSUM, o crescimento do voluntariado formal no concelho tem sido evidente, refletido no número de voluntários, organizações promotoras e ações desenvolvidas.

Este trabalho consolidou a tradição de solidariedade da Maia, envolvendo cidadãos, instituições, escolas e empresas, e culminou na designação do município como Capital Europeia do Voluntariado 2026.

Para assinalar esta distinção foi realizada, no dia 30 de janeiro, a Cerimónia de Abertura Oficial da Maia – Capital Europeia do Voluntariado 2026 que arrancou com um primeiro momento musical da Orquestra Clássica da Maia, sob a direção do jovem Maestro maiato Tiago Moreira da Silva, cuja interpretação envolveu o público num ambiente de solenidade e introspeção, criando o enquadramento ideal para uma noite dedicada à valorização do cuidado, da empatia e do compromisso com o outro.

Apresentada por Catarina Furtado, a sessão privilegiou desde cedo a centralidade das pessoas, dando voz a quem vive, no dia a dia, o impacto direto do voluntariado.

O evento contou ainda com a intervenção do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, que se associou à Maia neste momento histórico. Recordando a experiência do concelho enquanto Capital Portuguesa do Voluntariado, sublinhou que o município é hoje um exemplo nacional e europeu ao nível das políticas de desenvolvimento e responsabilidade social. Destacou o trabalho de rede entre o município, as organizações promotoras de voluntariado, os voluntários e a comunidade, afirmando que este reconhecimento representa simultaneamente o culminar de um percurso e um compromisso para o futuro. Para o chefe do Governo, o voluntariado é “dádiva, partilha, generosidade e cidadania”, sendo um pilar essencial para a construção de um país mais justo e solidário.

Num dos momentos mais marcantes da noite, Catarina Furtado partilhou o seu testemunho pessoal sobre o voluntariado e o ativismo enquanto missão de vida. Recordando o início do seu percurso ainda em criança, defendeu que o voluntariado não é um complemento, mas uma escolha consciente que dá sentido e propósito à vida. Destacou o trabalho desenvolvido pela associação Corações Com Coroa e pela sua ação enquanto embaixadora de boa vontade das Nações Unidas, sublinhando que o voluntariado deve assentar numa solidariedade horizontal, de igual para igual, baseada na escuta, no respeito e no compromisso. Para Catarina Furtado, o voluntariado é “cidadania em movimento” e uma resposta concreta à indiferença, aos discursos de ódio e às desigualdades persistentes.

O momento solene do hastear da bandeira da Capital Europeia do Voluntariado 2026 marcou a intervenção da Diretora do Centro Europeu do Voluntariado, Gabriella Civico, que destacou o voluntariado como pilar da democracia, da inclusão social e da resiliência das sociedades. Defendeu que o voluntariado deve estar no centro das políticas públicas europeias e ser reconhecido não apenas pelo que faz, mas pelo que representa enquanto agente de transformação social, promotora de paz, solidariedade e direitos humanos.

O ponto alto institucional da cerimónia coube ao Presidente da Câmara Municipal da Maia, António Silva Tiago que se fez acompanhar ao longo de toda a cerimónia pela sua Vice-Presidente e Presidente da Comissão Organizadora do evento, Emília Santos, e que assumiu o título com emoção, orgulho e um profundo sentido de responsabilidade. Para o autarca, esta distinção é o reconhecimento de um percurso coletivo feito de pessoas, instituições e de uma comunidade que acredita no bem comum. Sublinhou que, na Maia, “governar é cuidar”, investindo em políticas públicas que colocam a pessoa humana no centro da ação municipal. Defendeu o voluntariado como a expressão mais nobre da cidadania ativa e reforçou que este reconhecimento não é um ponto de chegada, mas um incentivo à continuidade de um caminho de prosperidade social, económica e humana.

A Secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, Clara Marques Mendes, reforçou a ideia de que os voluntários da Maia são um exemplo inspirador a nível nacional. Destacou que o voluntariado é amor, partilha e cuidado, sem nunca substituir o papel do Estado ou dos profissionais. Sublinhou a importância da articulação entre políticas públicas, autarquias e instituições, destacando medidas como o voluntariado sénior, a promoção da intergeracionalidade e o reforço do apoio aos cuidadores informais, defendendo uma sociedade mais justa, inclusiva e humanizada.

A cerimónia contou ainda com a intervenção da Comissária Europeia Maria Luísa Albuquerque, que trouxe uma perspetiva complementar ao debate, destacando o voluntariado na transmissão de conhecimento, nomeadamente na literacia financeira. Através de exemplos concretos, evidenciou como o voluntariado pode capacitar cidadãos, promover a autonomia e criar oportunidades de ascensão social, contribuindo para comunidades mais resilientes e coesas. Sublinhou que cada pessoa tem algo a oferecer e que o voluntariado é fundamental para fortalecer o espírito coletivo.

O encerramento institucional esteve a cargo do Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que classificou o título de Capital Europeia do Voluntariado como um voto de confiança na Maia e na sua comunidade. Destacou a generosidade do povo português, os desafios ainda existentes no reconhecimento e organização do voluntariado e lançou o desafio de construir, a partir da Maia, um novo impulso para a cultura do voluntariado em Portugal, assente na formação, no compromisso e na valorização do serviço aos outros.

A noite terminou com um momento musical de Sara Correia, que emocionou o público com alguns dos seus maiores êxitos como “Respirar” e “Que o Amor Te Salve Nesta Noite Escura”, seguido pela atuação do Coral Infantil Municipal dos Pequenos Cantores da Maia, que interpretou “Caminho de Paz” e fechou a noite com “Livres para servir”, obra com Poema de Mizé Rouxinol e Música de Victor Sampaio Dias, adotada como Hino oficial da Maia Capital Europeia do Voluntariado 2026. Um encerramento simbólico e cheio de esperança, protagonizado pelas gerações mais novas, que reforçou a mensagem central da noite: na Maia, o voluntariado não é apenas uma prática — é uma identidade, um compromisso coletivo e, acima de tudo, um verdadeiro ato de amor.

Fotos: ©CM Maia | Mário O Santos