: 13 de Março, 2026 Redação:: Comentários: 0

Num momento em que Portugal enfrenta transições profundas — digital, energética, demográfica e tecnológica — torna-se evidente que a competitividade do país depende, antes de mais, da sua capacidade de qualificação do capital humano. O ensino superior e a formação avançada, neste quadro, não são apenas instrumentos de valorização individual, são, antes de mais, pilares estruturais de desenvolvimento económico, de mobilidade social e de afirmação estratégica no contexto internacional em crescente processo de globalização, com impacto direto na competitividade do país e das regiões.

Ainda assim, e pese embora a empregabilidade dos diplomados do ensino superior permaneça, ao longo das últimas décadas, acima da empregabilidade média nacional – refletindo a crescente exigência de competências técnicas, científicas e transversais por parte do mercado de trabalho – a verdade é que os desafios da academia são cada vez maiores e mais evidentes, considerando não só a velocidade a que evoluem as necessidades do mercado de trabalho, mas também o aparecimento, a um ritmo acelerado, de novas áreas do conhecimento relativamente às quais importa investir, no sentido de alavancar a competitividade das empresas portuguesas — da indústria à saúde, da economia verde à transformação digital — cuja capacidade depende diretamente da disponibilidade de recursos humanos altamente qualificados e capazes de inovar.

Neste cenário, a estratégia de desenvolvimento da investigação e da formação avançada não pode ser pensada apenas em termos setoriais, muitas vezes desligados da realidade do país e das regiões. Importa cada vez mais que estes modelos adquiram uma base territorial, que se sobreponha à visão centralista que tem contribuído para que o modelo de desenvolvimento nacional se foque apenas em decisões estratégicas relativamente às quais o investimento e as oportunidades gravitam predominantemente em torno das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. O desenvolvimento nacional e a coesão territorial exigem uma visão diferente: exige a definição clara de uma estratégia que favoreça a consolidação da rede de ensino superior, que sendo polinucleada e distribuída de forma equilibrada por todo o território nacional, permite aproximar as oportunidades de formação das pessoas e responder às especificidades económicas e sociais de cada região.

Uma rede equilibrada, articulada e estrategicamente orientada permite fixar talento, estimular o empreendedorismo local e reforçar a competitividade regional, transformando o conhecimento em valor acrescentado. Ao alinhar a oferta formativa com a vocação e as necessidades de cada território, o ensino superior contribui não só para a empregabilidade individual, mas para a sustentabilidade coletiva das regiões e do país.

A afirmação de Portugal como um todo coeso, competitivo e inovador depende de uma política pública consistente, que reconheça o ensino superior e a formação avançada como elementos estratégicos do desenvolvimento e da competitividade nacional. Investir em qualificação é investir na autonomia económica, na justiça social e na capacidade de Portugal, enquanto país e estado soberano, se posicionar com ambição no espaço europeu. Investir no ensino superior e na formação, mais do que uma opção estratégica, constitui uma aposta clara no futuro nacional!

Luís Loures, Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP)