
Cabeceiras de Basto é uma encantadora vila situada no distrito de Braga, envolvida por paisagens deslumbrantes de montanhas e vales verdejantes, oferecendo uma combinação única de história, natureza e património. A Romaria de Nossa Senhora dos Remédios do Arco de Baúlhe e o Jogo do Pau são dois dos grandes ex-líbris da região, estando ambas inscritas no Inventário Nacional.
A Romaria de Nossa Senhora dos Remédios do Arco de Baúlhe acontece durante o fim de semana coincidente com o primeiro domingo de setembro e data, pelo menos, do século XVIII. Do programa religioso desta festa anual constam a Procissão de Velas, a Missa em Honra de Nossa Senhora dos Remédios e a Procissão do Triunfo. Do programa profano constam artistas do panorama musical português, grupos musicais, ranchos folclóricos, bandas filarmónicas, fanfarras, grupos de bombos, grupos de concertinas, grupos de gaitas de foles, andores adornados com flores naturais e fogo de artifício. No primeiro fim de semana de agosto, existe ainda uma iniciativa que funciona como um anúncio e uma convocatória para a Romaria em Honra de Nossa Senhora dos Remédios, designada por Fim de Semana do Pau. Esta Romaria é organizada atualmente, como de resto sempre foi, por um grupo voluntário de pessoas da freguesia, que constituem uma Comissão de Festas, institucionalizada em 2016 e formada a Associação dos Festeiros do Arco.
Graças ao seu expressivo caráter comunitário ativo, em 2023, a Romaria de Nossa Senhora dos Remédios do Arco de Baúlhe foi inscrita no Inventário Nacional. Representa um importante marco para a sociedade arcoense ao nível social, religioso e económico. Esta festa foi sendo sempre projetada como o maior bastião do Arco de Baúlhe e essa importância foi transferida às novas gerações. É também uma das festividades mais afluídas da região, sendo considerada, por muitos, como a “Romaria de Basto”.Para além desta festividade, Cabeceiras de Basto conta ainda com uma forte tradição no Jogo do Pau, inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial desde 2023. Caraterizase por ser uma técnica de defesa ou ataque com uma arma barata e simples, de fácil acesso ao camponês, neste caso em concreto, o varapau. Com o decorrer dos tempos, a abertura das sociedades à urbanidade, este hábito caiu em desuso, mas esta arte continuou a passar de geração em geração.
Em Cabeceiras de Basto, no que toca à prática do jogo do pau, realçam-se as freguesias de Abadim, Bucos e Cavez. Hoje em dia, já não se pretende “varrer feiras”, nem “ajustar contas”, mas sim dominar uma técnica, educar a mente e o corpo, desenvolver capacidades de decisão e rapidez de reflexos. O Jogo do Pau de Cabeceiras de Basto integra, neste momento, dois grupos: o Grupo do Jogo do Pau de Bucos, praticado pela Associação Desportiva e Cultural S. João Baptista de Bucos, da freguesia de Bucos, e o Grupo do Jogo do Pau de Abadim, praticado pela Associação Recreativa, Desportiva e Cultural de Abadim, da freguesia de Abadim. Para os habitantes naturais das freguesias de Bucos e Abadim, onde ainda se podem encontrar escolas ativas, a arte do Jogo do Pau constitui a única forma de prestarem culto aos seus mestres. Verifica-se, portanto, que as duas escolas se mantêm ativas e de que o Jogo do Pau é uma tradição que vai sendo passada de geração em geração.



A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto tem um papel central na defesa e preservação do grande valor cultural presentes nestas manifestações culturais, procurando a sua perpetuação no tempo
Como entidade responsável pelas políticas de cultura, turismo e preservação da identidade comunitária e como entidade proponente no que à inscrição no Inventário Nacional do Jogo do Pau de Cabeceiras de Basto concerne, a Câmara Municipal tem uma voz ativa nas políticas de promoção e preservação de ambos os patrimónios. As medidas levadas a cabo pelo município vão desde os protocolos de apoio estabelecidos com as associações dinamizadoras das manifestações imateriais, como entidade responsável pelo lançamento de livros que abordam cada uma das temáticas, a inclusão das respetivas associações em iniciativas que pretendem a promoção das tradições envolvidas .
Naturalmente que, para a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, a inscrição de duas das suas manifestações imateriais no Inventário Nacional é, sem dúvida, uma prova do trabalho comunitário desenvolvido na preservação, perpetuação e transmissão intergeracional das tradições, artes e saberes que afirmam a identidade das gentes do concelho. Este mútuo selo atribui uma maior responsabilidade ao município nas políticas a exercer sobre este tipo de património, em planos sectoriais no âmbito do ordenamento do território, do ambiente, da educação, da formação e do turismo.
De forma a assegurar a preservação da riqueza cultural destas manifestações imateriais durante as próximas gerações, o município realiza uma série de operações que procuram o envolvimento e a participação ativa dos mais jovens em todos os aspetos que visem uma consistente continuidade destas manifestações culturais e na criação de uma conceção nos mesmos face à importância de se perpetuarem estas tradições, como alicerces da identidade das comunidades onde as mesmas se praticam e nas quais os jovens estão inseridos. Desta forma, o município tem prestado apoio na educação cultural dos mais novos, criando, por exemplo, livros de banda desenhada nos quais são abordadas estas manifestações como temas centrais, distribuindo-os depois por todas as crianças do concelho de Cabeceiras de Basto.
