: 13 de Fevereiro, 2026 Redação:: Comentários: 0

A Mais Magazine esteve à conversa com Ana Penisga, CEO da Clay Arqueologia, numa altura simbólica em que a empresa se prepara para celebrar uma década de atividade. Entre o balanço de um percurso marcado por mais de 600 projetos e o olhar atento sobre os desafios da arqueologia preventiva em Portugal, a responsável fala-nos da missão da Clay, da importância de uma equipa multidisciplinar e da forma como é possível conciliar desenvolvimento, inovação e salvaguarda do património cultural.

Quando e em que contexto surgiu a Clay Arqueologia? Qual tem sido a sua principal missão desde a fundação?

A Clay Arqueologia celebrará em abril o seu 10.º aniversário. Surgiu num contexto de reflexão sobre a arqueologia preventiva em Portugal, apoiada na experiência acumulada em anos de trabalho em arqueologia e gestão de projetos, com o objetivo de criar respostas mais eficazes e ajustadas às necessidades dos clientes. Percebemos que os clientes precisavam de respostas rápidas, tecnicamente fundamentadas e legalmente enquadradas, que conciliassem a salvaguarda do património arqueológico com o desenvolvimento dos projetos. A nossa missão tem sido prestar serviços de confiança e qualidade na área do património histórico-arqueológico, construindo relações sólidas com os clientes e garantindo intervenções responsáveis que promovam a proteção e valorização do património cultural.

Que serviços a Clay Arqueologia disponibiliza atualmente e quais são as principais áreas de atuação da empresa?

Inicialmente focada exclusivamente em trabalhos de arqueologia, a Clay tem evoluído acompanhando as necessidades dos clientes, alargando progressivamente o leque de serviços. Hoje, oferecemos um conjunto abrangente de serviços na área do património cultural, incluindo arqueologia, história da arte, topografia, levantamentos técnicos com geofísica e tecnologias como laser scanner, e intervenções de conservação e restauro, quer em obra, quer sobre peças de coleções públicas ou privadas. Atualmente, um promotor que adquira um imóvel ou propriedade em área patrimonialmente protegida encontra na Clay uma resposta integrada para todas as fases do processo, desde o levantamento topográfico e Relatórios Prévios, passando por arqueologia, até à conservação e restauro.

A arqueologia é uma área que exige elevada especialização. O que nos pode dizer sobre a equipa da Clay Arqueologia e a sua formação?

A Clay conta com uma equipa multidisciplinar, composta por profissionais especializados e experientes em diversas áreas do património cultural. Para além de arqueólogos, fotógrafo, videógrafo, a equipa inclui especialistas em história da arte, topografia, conservação e restauro, entre outras valências, permitindo uma abordagem integrada e complementar aos desafios dos projetos. Esta diversidade garante uma atuação articulada, assente no rigor científico, na partilha de conhecimento e na adequação das metodologias a cada contexto. Desde a fundação, a aposta numa equipa estável e qualificada tem sido um dos pilares da Clay, permitindo respostas eficazes às exigências técnicas, científicas e legais.

Ao longo do vosso percurso, já participaram em mais de 600 projetos. Há algum que gostariam de destacar?

Todos os projetos são importantes, pois cada um corresponde a uma necessidade concreta do cliente e representa uma oportunidade de estabelecer confiança e oferecer respostas adequadas. Destacamos alguns casos pelo seu impacto patrimonial e territorial, como o Quarteirão da antiga Pastelaria Suíça, na Baixa Pombalina, que hoje acolhe uma das maiores lojas da Zara a nível internacional; o Convento do Corpus Christi, com vestígios da Pré-história à contemporaneidade; e o Convento do Beato, com uma ocupação romana relevante. Fora do contexto urbano, salientamos Santa Marinha de Melides, com vestígios mesolíticos e neolíticos, e o Sines 4.0 Project, de interesse nacional, focado na construção de um megacampus de centros de dados e com impacto na transição digital e económica do país. Estes projetos ilustram os desafios que a Clay abraça, sempre com o objetivo de responder às exigências técnicas, patrimoniais e legais e oferecer soluções integradas aos clientes.

Para terminar, como perspetivam o futuro da Clay Arqueologia? Onde imaginam a empresa daqui a cinco anos e quais são os principais objetivos a alcançar?

O nosso objetivo é crescer de forma sustentável, combinando experiência e inovação, reforçando o papel da Clay como referência na salvaguarda e valorização do património em Portugal. Sabemos, porém, que esse crescimento só é possível graças às pessoas que compõem a Clay, e que só com colaboradores motivados, integrados e felizes é possível desenvolver trabalho de qualidade. Por isso, continuaremos a investir na sua qualificação e a criar condições que promovam bem-estar, coesão e satisfação, incluindo benefícios como 15.º mês, seguro de saúde e atividades internas de integração. Além de consolidar e expandir a nossa presença nacional, continuaremos a desenvolver investigação através do Bonelab (Laboratório de Bioantropologia), modernizar procedimentos tecnologicamente e preparar novas iniciativas de comunicação dos trabalhos arqueológicos, garantindo que os resultados são partilhados de forma rigorosa e acessível às comunidades. Queremos também reforçar a nossa responsabilidade social, apoiando instituições de solidariedade e contribuindo de forma consistente para a sociedade.