No ano de 1948, conforme vontade expressa do Dr. Júlio de Campos Melo e Matos, foi doado ao estado português a Quinta da Lageosa sob duas condições: a primeira, que nas propriedades doadas, ser instalado um estabelecimento de ensino prático de agricultura, e a segunda, que o estabelecimento chamar-se-á Escola – Quinta da Lageosa.
Se há 78 anos o objetivo foi formar técnicos capazes de acabar com o flagelo da fome e da miséria após a Segunda Guerra Mundial, no presente, além de se manter esse desígnio porquanto a agricultura continua a ser a base civilizacional da nossa sociedade, outras responsabilidades se colocam a esta atividade, nomeadamente no que concerne às alterações climáticas e à criação de paisagens. Sobre as alterações climáticas há pouco a acrescentar: elas estão aí, vieram para ficar e têm tendência para se agravar. Tal como nós não estamos devidamente preparados para o novo clima, também as plantas que nos sustentam não estão em sintonia com ele. Necessitam de tempo para se adaptar, para crescer sob as novas condições; contudo, até lá, é previsível uma perda nos índices de produtividade agrícola, com severas consequências sociais, sobretudo junto dos mais pobres. Acresce a esta situação o impacto dos modos de agricultura intensiva e superintensiva, cujo impacto nos agrossistemas tem também contribuído para a sua degradação e, consequentemente, perda de produtividade.

Outro problema que afeta anualmente, sobretudo o interior do país, é a destruição sucessiva dos seus ecossistemas naturais e florestais por ação do fogo, cuja resposta até agora implementada incide no combate, o que não tem trazido grandes sucessos conforme de evidência na regressão ecológica dos ecossistemas. Ora, uma paisagem desenhada em função das suas características edafoclimáticas, criando mosaicos paisagísticos que não facilitem a propagação do fogo, não só responde mais eficientemente a este problema como valoriza um território cada vez mais despovoado, abrindo novas oportunidades económicas à volta dos seus recursos.
É nestes domínios que se orienta a formação profissional dos nossos alunos, conforme os cursos profissionais que oferecemos: Técnico de Produção Agropecuária, Técnico de Gestão Equina e CEF de Sapador Florestal. Mas a formação ministradana EPAQL não fica limitada à própria; também se desenvolve e aprende com os diversos projetos que abraça, nomeadamente a participação em projetos ERASMUS+, onde os nossos alunos participam ativamente e cujos temas se centram na sustentabilidade ambiental, preservação da biodiversidade e gestão florestal e agricultura regenerativa, até ao projeto APICOVER, criado e desenvolvido pelos nossos alunos e professores, como resposta aos incêndios do último verão, onde se perderam centenas de milhares de colmeias nesta zona geográfica do país. No domínio da inclusão, a ação da EPAQL também ultrapassa as suas fronteiras participando na inclusão de alunos e utentes de outras escolas e instituições da região através da realização de atividades diárias de Equitação terapêutica.


Como afirmou Josep Esquirol, “Há casa porque há intempérie. E a intempérie pede amparo. Há escola porque há mundo. E o mundo pede atenção.”
A EPAQL é uma daquelas raras escolas que dá amparo e atenção, para que cada aluno possa fazer caminho, amadurecer e frutificar.


