{"id":15091,"date":"2026-09-25T07:00:00","date_gmt":"2026-09-25T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/maismagazine.pt\/?p=15091"},"modified":"2026-09-18T10:45:03","modified_gmt":"2026-09-18T09:45:03","slug":"a-duck-river-e-hoje-um-dos-maiores-operadores-no-setor-dos-frutos-secos-na-peninsula-iberica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maismagazine.pt\/index.php\/2026\/09\/25\/a-duck-river-e-hoje-um-dos-maiores-operadores-no-setor-dos-frutos-secos-na-peninsula-iberica\/","title":{"rendered":"\u201cA Duck River \u00e9 hoje um dos maiores operadores no setor dos frutos secos na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A agricultura de frutos secos ganha cada vez mais express\u00e3o em Portugal. Em entrevista \u00e0 Mais Magazine, David de Almeida, CEO da <a href=\"http:\/\/www.duckriveragriculture.com\">Duck River Agriculture<\/a>, fala sobre a evolu\u00e7\u00e3o da agricultura de frutos secos em Portugal, o potencial de regi\u00f5es como o Alentejo e a Beira Baixa e o potencial do pa\u00eds nos mercados internacionais. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Duck River Agriculture tem vindo a afirmar-se no panorama agr\u00edcola nacional. Como caracteriza atualmente a atividade da empresa e qual \u00e9 a sua vis\u00e3o para o desenvolvimento da agricultura de frutos secos em Portugal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Duck River \u00e9 hoje um dos maiores operadores no setor dos frutos secos na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e um importante interveniente no setor do azeite. Gerimos cerca de 3.000 hectares, dos quais mais de 2.000 est\u00e3o ocupados por amendoeiras e oliveiras, distribu\u00eddos por v\u00e1rias regi\u00f5es de Portugal, e somos propriet\u00e1rios de um lagar de azeite no Alentejo. No total, estamos a falar de cerca de 1,5 milh\u00f5es de \u00e1rvores que acompanhamos e gerimos diariamente. O grupo foi criado em 2019, numa altura em que a produ\u00e7\u00e3o moderna de am\u00eandoa em Portugal ainda dava os primeiros passos e a produ\u00e7\u00e3o de azeite atravessava um per\u00edodo de forte crescimento, impulsionado, em parte, pela abertura do Alqueva e pela possibilidade de irrigar novas \u00e1reas no Alentejo. Enquanto cerca de 80% da produ\u00e7\u00e3o mundial de am\u00eandoa est\u00e1 concentrada na Calif\u00f3rnia e a Europa \u00e9 o principal consumidor deste produto, algumas regi\u00f5es de Portugal apresentavam condi\u00e7\u00f5es particularmente favor\u00e1veis \u2014 um clima prop\u00edcio, solos de qualidade e acesso regulado \u00e0 \u00e1gua \u2014 que lhes permitiam assumir-se como futuras refer\u00eancias mundiais na produ\u00e7\u00e3o de frutos secos. E com custos de produ\u00e7\u00e3o bastante mais competitivos do que os da Calif\u00f3rnia. Naquela altura, Portugal tamb\u00e9m tinha ainda uma capacidade de transforma\u00e7\u00e3o limitada para esta nova cultura. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p> A Duck River avan\u00e7ou rapidamente para um modelo de integra\u00e7\u00e3o vertical, criando capacidade pr\u00f3pria para o descasque e processamento da am\u00eandoa. O panorama agr\u00edcola portugu\u00eas mudou profundamente nos \u00faltimos dez anos. Atualmente, o pa\u00eds est\u00e1 j\u00e1 posicionado como um importante fornecedor de v\u00e1rias culturas permanentes para os mercados europeus e internacionais, nomeadamente azeite, citrinos, frutos vermelhos, abacate e frutos secos.  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>No caso espec\u00edfico dos frutos secos, sobretudo da am\u00eandoa e da noz, foram testadas ao longo desta d\u00e9cada muitas variedades, sistemas de planta\u00e7\u00e3o e novas regi\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. A curva de aprendizagem foi bastante acentuada. Considero que o setor, como um todo, est\u00e1 hoje muito mais maduro e come\u00e7amos a assistir ao surgimento de operadores agr\u00edcolas de elevado desempenho, capazes de alcan\u00e7ar produtividades e n\u00edveis de qualidade alinhados com os padr\u00f5es internacionais, oferecendo aos compradores europeus uma origem de abastecimento muito mais pr\u00f3xima. O potencial de crescimento continua a ser enorme, n\u00e3o apenas ao n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, mas tamb\u00e9m da transforma\u00e7\u00e3o industrial, permitindo manter uma maior parcela do valor acrescentado em Portugal.  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"384\" height=\"512\" src=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/9ED69927-F12E-4F42-B17C-990668B5E80B.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15092\" style=\"width:269px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/9ED69927-F12E-4F42-B17C-990668B5E80B.jpg 384w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/9ED69927-F12E-4F42-B17C-990668B5E80B-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">David de Almeida, CEO Duck River Agriculture<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Duck River Agriculture desenvolve a sua atividade sobretudo no Alentejo e na Beira Baixa, duas regi\u00f5es com caracter\u00edsticas agr\u00edcolas e desafios muito pr\u00f3prios. O que levou a empresa a apostar nestes territ\u00f3rios e que oportunidades e desafios encontram nestas regi\u00f5es? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros crit\u00e9rios que analisamos num bom projeto agr\u00edcola s\u00e3o muito claros: temos o clima adequado? Qual \u00e9 o estado e a qualidade dos solos? Temos acesso garantido e devidamente regulado \u00e0 \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o a longo prazo? Existe envolvimento da popula\u00e7\u00e3o local, com vontade de participar no projeto e contribuir para o seu sucesso? Fala-se muito de como a agricultura est\u00e1 cada vez mais tecnol\u00f3gica \u2014 e \u00e9 verdade \u2014mas continua a ser, antes de mais, uma atividade feita por pessoas. As explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o previs\u00edveis como as f\u00e1bricas. Para ter sucesso, precisamos de profissionais locais qualificados, motivados e empenhados. Verific\u00e1mos que o Alentejo e a Beira Baixa reuniam estes crit\u00e9rios, embora de formas diferentes. O Alentejo atravessava uma verdadeira \u201ccorrida ao ouro\u201d impulsionada pelo Alqueva, e pareceu-nos fazer sentido apostar nesta regi\u00e3o, onde adquirimos tamb\u00e9m a nossa opera\u00e7\u00e3o ligada ao azeite .J\u00e1 a Beira Baixa representava uma nova fronteira para a produ\u00e7\u00e3o de am\u00eandoa. Rapidamente percebemos, contudo, o potencial da regi\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas muito favor\u00e1veis e a uma forte cultura agr\u00edcola.   <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"15095\" src=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Mourinhos_4-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15095\" srcset=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Mourinhos_4-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Mourinhos_4-225x300.jpeg 225w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Mourinhos_4-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Mourinhos_4-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Mourinhos_4-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" data-id=\"15093\" src=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1757510072309-576x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15093\" srcset=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1757510072309-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1757510072309-169x300.jpeg 169w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1757510072309-768x1365.jpeg 768w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1757510072309.jpeg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"15094\" src=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1757510072404-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15094\" srcset=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1757510072404-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1757510072404-225x300.jpeg 225w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1757510072404.jpeg 1152w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Portugal conquistou uma posi\u00e7\u00e3o de destaque no mercado mundial da am\u00eandoa e \u00e9 hoje um dos principais produtores europeus. Que fatores considera terem sido determinantes para esta evolu\u00e7\u00e3o e que oportunidades continuam por explorar? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Empresas como a Duck River, seguindo o exemplo de operadores fortes no azeite e outras culturas mais maduras, contribu\u00edram para criar um conjunto de empresas muito atrativas para profissionais qualificados, ao proporcionarem oportunidades de desenvolvimento e crescimento. Atrav\u00e9s de uma forte ado\u00e7\u00e3o de tecnologia, da aposta em pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis \u2014 nomeadamente na gest\u00e3o da \u00e1gua, na biodiversidade, na sa\u00fade dos solos e na redu\u00e7\u00e3o da pegada de carbono \u2014, de uma cultura permanente de investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento para melhorar o conhecimento agron\u00f3mico e o desempenho das explora\u00e7\u00f5es, e de um foco muito rigoroso na rastreabilidade, para garantir a qualidade e a seguran\u00e7a alimentar, conseguimos, enquanto setor, construir uma imagem muito forte, tanto da atividade como do pr\u00f3prio pa\u00eds. Essa imagem \u00e9 reconhecida quer pelas pessoas que queremos atrair para o setor, quer pelos clientes internacionais que compram os nossos produtos. Acredito que o pr\u00f3ximo desafio passa por todos os operadores trabalharem melhor em conjunto, partilhando conhecimento, experi\u00eancias realizadas no terreno e acesso aos mercados. \u00c9 precisamente por isso que consideramos a Portugal Nuts uma iniciativa t\u00e3o importante, tanto para a nossa empresa como para todo o setor.   <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Todos os anos, Portugal recebe milh\u00f5es de turistas e a imagem do pa\u00eds na Europa e no mundo \u00e9 extraordinariamente positiva. Temos de saber tirar maior partido desse valor, nomeadamente valorizando a nossa produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e agroalimentar, e captar uma parcela maior do valor acrescentado que, por vezes, se perde ao longo de cadeias de valor demasiado extensas. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a agricultura de precis\u00e3o assumem um papel cada vez mais importante na moderniza\u00e7\u00e3o do setor. De que forma a Duck River Agriculture tem integrado tecnologia, conhecimento e inova\u00e7\u00e3o nos seus projetos agr\u00edcolas? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o primeiro dia, a Duck River foi constru\u00edda com base numa forte ado\u00e7\u00e3o de tecnologia agr\u00edcola, com o objetivo de utilizar a \u00e1gua de forma cada vez mais eficiente, monitorizar e melhorar a sa\u00fade dos solos, otimizar a utiliza\u00e7\u00e3o de fatores de produ\u00e7\u00e3o e, simultaneamente, acompanhar e melhorar o nosso desempenho no terreno. Queremos tamb\u00e9m estar na vanguarda do setor e oferecer aos nossos clientes uma rastreabilidade integral, de ponta a ponta. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Temos de manter diariamente uma mentalidade orientada para a investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. A agricultura \u00e9 tanto uma arte como uma ci\u00eancia. Uma boa produtividade numa determinada explora\u00e7\u00e3o ou parcela nunca pode ser atribu\u00edda apenas a um ou dois fatores. Estamos constantemente a testar novas aplica\u00e7\u00f5es e tecnologias e a medir de que forma contribuem para melhorar a nossa forma de produzir. E, depois, partilhamos esse conhecimento com os nossos pares. Mas inova\u00e7\u00e3o nem sempre significa tecnologia de ponta. Por exemplo, percebemos que a introdu\u00e7\u00e3o de abelhas nos nossos pomares contribui para melhorar a poliniza\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores que, por natureza, s\u00e3o autopolinizadoras. Podemos dizer que a poliniza\u00e7\u00e3o por abelhas \u00e9 uma forma de tecnologia potenciada pela pr\u00f3pria natureza.  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, quando vejo os nossos agr\u00f3nomos a avaliar remotamente, atrav\u00e9s de drones, se uma determinada parcela est\u00e1 a apresentar um bom desempenho, ou a utilizar imagens de sat\u00e9lite para verificar o estado fisiol\u00f3gico de uma determinada linha de \u00e1rvores, ou ainda o n\u00edvel de agricultura de precis\u00e3o que conseguimos alcan\u00e7ar atrav\u00e9s da parceria com a Wisecrop, fico impressionado com o grau de tecnologia que conseguimos integrar na nossa atividade. Mas, no final do dia, continuamos sempre a precisar do olhar experiente dos nossos agr\u00f3nomos e das suas equipas para acompanhar as nossas 1,5 milh\u00f5es de \u00e1rvores.  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Antinha_8-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15096\" style=\"width:473px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Antinha_8-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Antinha_8-300x225.jpeg 300w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Antinha_8-768x576.jpeg 768w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Antinha_8-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Antinha_8.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A disponibilidade de \u00e1gua e a gest\u00e3o eficiente dos recursos s\u00e3o hoje desafios centrais para a agricultura. Que estrat\u00e9gias t\u00eam adotado para garantir uma produ\u00e7\u00e3o competitiva e, simultaneamente, sustent\u00e1vel?  <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tudo passa pela agricultura de precis\u00e3o: procurar fornecer \u00e0s \u00e1rvores exatamente a quantidade de \u00e1gua de que necessitam, gota a gota, em fun\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do dia e das caracter\u00edsticas do solo. O mesmo princ\u00edpio se aplica aos restantes fatores de produ\u00e7\u00e3o. Por um lado, temos o dever de garantir que continuamos a ter ecossistemas sustent\u00e1veis daqui a 50, 100 anos e mais. Por outro, essa \u00e9 tamb\u00e9m a decis\u00e3o certa do ponto de vista da competitividade. Estamos constantemente a testar solu\u00e7\u00f5es naturais que permitam aumentar a capacidade dos nossos solos para reter nutrientes e \u00e1gua, atrav\u00e9s, por exemplo, da biofertiliza\u00e7\u00e3o dos solos e da utiliza\u00e7\u00e3o de culturas de cobertura entre as linhas. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Para qualquer empresa agr\u00edcola bem gerida, esta deve ser uma preocupa\u00e7\u00e3o permanente \u2014 diria mesmo uma obsess\u00e3o.Al\u00e9m disso, nunca trabalhamos de forma completamente isolada das comunidades vizinhas e do territ\u00f3rio onde estamos inseridos. A \u00e1gua, por exemplo, \u00e9 um recurso partilhado. Atrav\u00e9s da nossa participa\u00e7\u00e3o nas associa\u00e7\u00f5es locais de regantes, procuramos garantir que as decis\u00f5es que tomamos s\u00e3o as melhores para toda a comunidade. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A profissionaliza\u00e7\u00e3o e a escala s\u00e3o fundamentais para competir num mercado cada vez mais global. Quais s\u00e3o, na sua perspetiva, as principais vantagens competitivas de Portugal face a outros grandes produtores internacionais de frutos secos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que Portugal n\u00e3o \u00e9 o Brasil nem os Estados Unidos. No nosso pa\u00eds, uma explora\u00e7\u00e3o com mais de 500 hectares j\u00e1 representa uma dimens\u00e3o muito significativa. Ainda assim, tem-se verificado uma forte concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1reas agr\u00edcolas por grandes grupos, sobretudo nas regi\u00f5es onde essa concentra\u00e7\u00e3o faz sentido. Existem tamb\u00e9m zonas do pa\u00eds onde predominam pequenos produtores, e acredito que assim deve continuar. Precisamos dos dois modelos de agricultura. Para grupos com a nossa dimens\u00e3o, como referi anteriormente, uma das grandes vantagens de Portugal, para al\u00e9m de ser um pa\u00eds europeu \u2014 com tudo o que isso implica em termos de alinhamento de regras e mecanismos de apoio \u2014 \u00e9 precisamente a sua imagem e a sua cultura agr\u00edcola. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nas regi\u00f5es onde operamos existe, de facto, uma longa tradi\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, conhecimento acumulado e tamb\u00e9m um sentimento de orgulho associado \u00e0 atividade. Isso significa que conseguimos contar, seja internamente ou atrav\u00e9s de prestadores de servi\u00e7os, com pessoas verdadeiramente apaixonadas e dedicadas ao que fazem. E Portugal, apesar da sua reduzida dimens\u00e3o, possui uma forma\u00e7\u00e3o agron\u00f3mica de n\u00edvel mundial.  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da produ\u00e7\u00e3o \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de valor ao longo de toda a cadeia \u00e9 essencial. Onde considera que Portugal ainda tem maior margem para crescer e aumentar o valor acrescentado dos seus frutos secos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 recentemente \u00e9 que os operadores portugueses come\u00e7aram a investir em unidades de transforma\u00e7\u00e3o de maior dimens\u00e3o, permitindo controlar melhor as margens que podem perder-se ao longo da cadeia. Penso que esse \u00e9 claramente o caminho a seguir. Alguns operadores, como a marca Better With Almonds, t\u00eam a coragem de experimentar tamb\u00e9m ao n\u00edvel do desenvolvimento de marcas, e admiro essa iniciativa. Esse poder\u00e1 ser mais um passo importante para um futuro ainda mais promissor para o setor. A agricultura portuguesa orgulha-se, justamente, da sua qualidade e efici\u00eancia. Por vezes, \u00e9 uma pena verificar que uma parte t\u00e3o significativa do valor acrescentado acaba por ser capturada pelo cliente B2B seguinte ao longo da cadeia. A aposta na integra\u00e7\u00e3o vertical e no desenvolvimento de marcas tem conduzido, noutros setores e contextos, a hist\u00f3rias de enorme sucesso, como \u00e9 o caso da Vale da Rosa, no setor da uva de mesa.  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"15098\" src=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-09-at-16.46.55-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15098\" srcset=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-09-at-16.46.55-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-09-at-16.46.55-225x300.jpeg 225w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-09-at-16.46.55-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-09-at-16.46.55.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"15097\" src=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-09-at-16.46.56-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15097\" srcset=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-09-at-16.46.56-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-09-at-16.46.56-225x300.jpeg 225w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-09-at-16.46.56-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-09-at-16.46.56.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o hoje os principais desafios que o setor enfrenta \u2014 desde as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e os custos de produ\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3o de obra, mercados internacionais e exig\u00eancias do consumidor \u2014 e que respostas ser\u00e3o necess\u00e1rias nos pr\u00f3ximos anos? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a sua crescente imprevisibilidade constituem um enorme desafio para a agricultura em qualquer parte do mundo. O mesmo se aplica \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Existem formas de mitigar estes riscos e, no fundo, todas passam pela precis\u00e3o com que gerimos as nossas opera\u00e7\u00f5es. O que nos leva novamente aos pontos que referi anteriormente: tecnologia, pessoas e conhecimento. Diria que precisamos de mais colabora\u00e7\u00e3o \u2014 atrav\u00e9s da Portugal Nuts, por exemplo \u2014 para conseguirmos responder melhor a estes desafios. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Olhando para o futuro, que papel gostaria que a Duck River Agriculture desempenhasse na afirma\u00e7\u00e3o de Portugal como uma refer\u00eancia internacional na produ\u00e7\u00e3o de frutos secos e quais s\u00e3o as principais metas ou projetos que gostaria de destacar? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seria absurdo pensar que conseguimos fazer isto sozinhos. Faremos a nossa parte. A nossa miss\u00e3o \u00e9 simples: queremos fornecer um produto seguro, saud\u00e1vel e de elevada qualidade, sobretudo para os mercados europeus, mas tamb\u00e9m para outros mercados internacionais. Por exemplo, j\u00e1 vendemos para o Brasil. Seja hoje atrav\u00e9s da am\u00eandoa e do azeite, seja atrav\u00e9s de outros produtos no futuro, queremos continuar a contribuir para este caminho. Como referi anteriormente, tendo em conta a excelente imagem de que Portugal beneficia, temos de ser simultaneamente parte da raz\u00e3o pela qual essa imagem \u00e9 t\u00e3o positiva e saber aproveit\u00e1-la para valorizar melhor os nossos produtos no mercado.  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"719\" height=\"720\" src=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1596807933852.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15099\" style=\"width:308px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1596807933852.jpeg 719w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1596807933852-300x300.jpeg 300w, https:\/\/maismagazine.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1596807933852-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 719px) 100vw, 719px\" \/><\/figure><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agricultura de frutos secos ganha cada vez mais express\u00e3o em Portugal. 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